quem financia o estadão?

o jornal “o estado  de são paulo”, vulgo “estadão”, tem feitos sucessivos editoriais contra a construção de estrutura cicloviária na cidade de são paulo.

cadernos d'"o estado de são paulo", edição de 27.08.2014

cadernos d'”o estado de são paulo”, edição de 27.08.2014

suas críticas vão de uma suposta falta de planejamento, passando pela qualidade do asfalto, e chegando à necessidade de emplacamento de bicicletas para punir eventuais infratores, passando até por uma condescendência com que invade ciclovia com seus veículos motorizados. duvida? leia aqui.

sobre a tal ausência de planejamento, repito a frase de felipe fernandes (ciclocidade) e representante dos ciclistas no conselho municipal de trânsito e transporte: “Quanto a acusação de que as ciclovias estão sendo feitas sem planejamento, é pura falta de informação (coisa bem grave para quem tem como finalidade informar). Nós ciclistas sabemos que existe sim planejamento, e inclusive pela primeira vez temos espaço para participar deste planejamento, as reuniões e vistorias das ciclovias com o secretário e técnicos da CET provam isso.

bom, sobre fiscalização de ciclistas, por que alguns deles cumprem ou não cumprem determinadas regras de trânsito (isso no mundo inteiro, e não apenas no brasil) o excelente post do willian cruz no vá de bike.

e aproveite para ver esse vídeo da organizada e cumpridora de regras cidade de amsterdam:

mas o que se deve perguntar são duas outras coisas:

1. quantas pessoas foram mortas em são paulo  por ciclistas que, em suas bicicletas, descumpriram regras de trânsito?

essa resposta pode ser dada pelo poder público. e sabemos: nenhuma.

2. quem financia esse jornal?

essa é uma outra questão a ser bem desenvolvida…. jornais vivem das vendas e de seus anúncios. sim, cada vez mais dependendo dos seus anúncios do que do preço pago pelas pessoas para ler algo. e sim, há profissionais vivendo disso, e precisam sobreviver de alguma forma (ao contrário desse blog aqui, onde a única pessoa que escreve sou eu, e os anúncios que eventualmente aparecem são do wordpress, não repassando qualquer centavo a mim. sim escrevo apenas por gosto).

pois é…

então… jornais jogam para uma certa platéia. não são um simples amontoado de informações, mas também uma forma de passar essas informações numa certa direção. repórteres sabem que seus textos são mudados por um editor que segue uma certa linha editorial que serve a determinados interesses.  isso é algo que se diz às claras em qualquer faculdade de jornalismo.

e essas linhas editoriais não podem ferir o financiamento do jornal. ou do canal de TV. ou de uma estação de rádio. ou seja, não podem atacar seus anunciantes. e eventualmente tem que defendê-los…

é por isso que nunca poderemos esperar desse jornal, “o estado de são paulo”, uma defesa da política mais importante de trânsito na são paulo no século XXI, que passa necessariamente por diversas formas de restrição ao uso dos automóveis e motocicletas, e passa pela promoção de outros meios de transporte, sejam eles não motorizados, ou motorizados coletivos.

assim, esse jornal, na defesa do seu financiamento pelos inúmeros anúncios de veículos motorizados individuais, sejam carros, motos ou triciclos, nunca analisará de forma neutra ou mesmo defenderá:

1. a implantação de estrutura cicloviária, que, nas suas análises, sempre será ineficiente, mal-feita, subutilizada e etc.

2. implantação de estrutura específica para os ônibus, que novamente será vista como ineficiente, mal-feita, subutilizada e etc.

3. construção de transporte de massa, como metrô, monotrilho e etc, sendo que aqui a abordagem muda: não há crítica direta, mas silêncio – ou então uma refinada pouca repercussão –  sobre aquilo que atrasa a construção dessa estrutura: a  corrupção nas licitações desse setor (lembre  de alstom, siemens e etc.).

e o detalhe é que, ao fazer isso, esse jornal age contra a vida. sim. isso mesmo. numa cidade onde morrem 4.600 pessoas ao ano por doenças causadas ou agravadas pela poluição dos veículos automotores, defender motoristas e motociclistas em detrimento de pedestres, ciclistas, usuários de ônibus  e/ou metrô, significa reforçar o comportamento geral que leva a essas mortes anuais, afora os 40 bilhões anuais de prejuízo em razão do trânsito.

mas… quem conhece a história desse jornal não se surpreende. e quem se surpreende com a virulência do estadão contra as bicicletas, favor lembrar a genial percepção de malcom X:

“If you’re not careful, the newspapers will have you hating the people who are being oppressed, and loving the people who are doing the oppressing.”

 

 

 

 

 

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