para não ir à guerra: limpando as mãos do sangue

é fato que vivemos hoje um tempo de “oil wars”. sim, é necessário ser muito alienado pra não perceber que há uma longa guerra no oriente médio, e que talvez surja um novo país, o curdistão (prometido aos curdos no tratado de sèvres, em 1920, nunca entregue) até em razão da necessidade de proteger refinarias de petróleo das mãos do EI/ISIS.

fallujah, 26.10.2004. menino retira sua bicicleta dos escombros de um prédio destruído por forças americanas.

fallujah, 26.10.2004. menino retira sua bicicleta dos escombros de um prédio destruído por forças americanas.

curdos são hoje os maiores oponentes dos membros do EI/ISIS, que, por sua vez, tem se notabilizado, tanto em síria quanto iraque, não penas por uma ferocidade nos combates,mas nos massacres, estupros e etc. sua pretensão é um califado em todo o levante. e os curdos os combatem e, por isso, talvez consigam apoio à criação de seu país. no setor iraquiano do curdistão está baiji e sua grande refinaria de petróleo. a posse dessa refinaria é disputada: petróleo financia tudo, até guerras.

hoje o petróleo, que um dia acabará, é matéria prima de um zilhão de coisas. de combustíveis ao plástico que reveste o aparelho (computador, celular, tablet, ou o que for) onde você lê esse texto, passando por embalagens, tintas, e eventualmente até medicamentos.

dependeremos ainda muito tempo de derivados de petróleo e, portanto , durante muito tempo ainda financiaremos guerras em áreas onde há produção de óleo ou gás, e mesmo de seus corredores de passagem, como a chechênia. é. basta citar um local de forte produção de petróleo para que venha à mente notícias de guerra. ou você acha que as cenas de batalha do vídeo abaixo, onde os peshmerga combatem o ISIS não se relacionam à disputa por petróleo também?

sim, guerra. de um lado grandes empresas petrolíferas que vendem para mercados em países consumidores, de outro lado, populações não raro exploradas e oprimidas, que também não raro recorre a delírios religiosos para pelo menos ter o alento do sonho de um futuro hipoteticamente melhor, no meio de anjos, divindades e etc. versões fundamentalistas de religiões sempre tomam corpo nos locais onde as esperanças de melhora material escasseiam. afinal, só pedimos o milagre da cura quando os médicos nos desenganam e os remédios não fazem mais efeito…

a comprovar isso, basta lembrar da multidão de desassistidos que cercavam antônio conselheiro, ou comparar as épocas de surgimento de versões delirantes do cristianismo com as épocas de crises econômicas. é em épocas de crise que algum doido sai de religiões respeitáveis e forma um grupo de seguidores que embarcam em seu delírio, levando a tragédias. pois é no desespero que as pessoas buscam soluções puramente mágicas e deixam suas respeitáveis crenças  seguindo líderes e ideias delirantes.

mas você mora no brasil. você está distante disso, e se pergunta: e o que eu tenho a ver com tudo isso? tem tudo!

crianças brincam em meio aos escombros, deir al-zor, síria, 07.07.2013

crianças brincam em meio aos escombros, deir al-zor, síria, 07.07.2013

o mercado de petróleo é um mercado mundializado. o consumo de seus derivados também o é. note, seu carro, sua moto, seu caminhão, funcionam à base de combustíveis derivados de petróleo. você está cercado de produtos plásticos. você alimenta esse mercado. todos alimentamos esse mercado e essas guerras todas, mas uns mais, outros menos.

uma forma de não financiar essas guerras obviamente é diminuir o consumo de derivados de petróleo. sim, cada um pode fazer sua parte. assim como de grão em grão a galinha enche o papo, é no micro consumo diário que está a ponta de toda a rede de consumo de uma economia qualquer. como as drogas: só se produz heroína pois há quem use.

é nessa hora que nossos hábitos produzem efeito. e claro, também as ações do poder público.

hoje, o que uma cidade puder fazer para restringir o uso de carros e motocicletas é bem vindo tanto no sentido de diminuir o consumo de combustível no mercado de uma cidade, como no sentido de reduzir suas emissões de co2.

não é à toa que a lei 12.587/2012, que trata de políticas de transporte urbano, privilegia transporte coletivo sobre individual e não-motorizado sobre o motorizado. trata-se da acertada escolha do poder público que, no entanto, sofre resistências diversas de toda uma cadeia econômica que não dá a mínima por ter sangue em suas mãos e suas costas. o sangue de todos os que morrem nas guerras pelo petróleo quanto o sangue de todos os mortos pela poluição e pelos sinistros de trânsito.

agora, há um amplo espaço para escolhas por parte do cidadão, que vão desde parar de comprar água em garrafas pet a simplesmente parar de usar veículos automotores. são muitas as possibilidades, mas cada um que ao menos tenha ciência de tudo o que consome, e como consome. pois já não há mais espaço para uma inocência ambiental. todos temos que ser conscientes. e, portanto, vá de bike.

e pra quem quiser ver uma nova fronteira onde ainda não há uma guerra em termos militares, mas há uma disputa comercial que beira a guerra, um documentário abaixo, dublado em português de portugal.

 

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