pelo direito de atropelar, sufocar e matar.

nos anos 60 do século XX a discriminação racial nos e.u.a. era fortíssima. bebedouros separados para brancos e negros. lanchonetes e restaurantes onde negros não podiam entrar, onde não eram servidos se nas cadeiras sentassem. em greensboro, 4 estudantes negros passaram dias indo à lanchonete e esperando pacientemente serem servidos, o que era de direito, como é de direito, como qualquer outra pessoa. o tratamento vocês vêem na foto abaixo:

não foi diferente em outras cidades americanas no período. em nashville, atacaram as pessoas que apenas queriam ter atendimento igual aos outros:

pergunto: é crime querer direitos iguais garantidos em lei serem efetivados no mundo real?

não, não é.

e, às vezes, para que estes direitos existam, são necessárias medidas afirmativas ou protetivas.  é por isso que nos alimentos existe a marcação acerca do glúten. há pessoas que são celíacas, e elas têm o direito de saber se no alimento há glúten. é por isso que há guias rebaixadas em muitas calçadas, para que cadeirantes possam acessar essas calçadas. é por isso que há vagas especiais para portadores de deficiência estacionarem seus carros. e é por isso que há ciclovias.

ciclovias só são necessárias onde não há respeito pelo ciclista no trânsito. onde há esse respeito, elas não precisam ser construídas.

é por isso que elas incomodam os usurpadores de espaço público, os que estão acostumados a não respeitar ciclistas. por isso eles são tão agressivos.

pois sim, querem manter o privilégio de usar o espaço público de fora a não permitir que outros usem. a continuar atropelando e sufocando as pessoas com a poluição de seus carros, como se seus carros tivesse prioridade acima da vida humana, pois alheia à própria vida deles.

não há diferença entre a pessoa que vandaliza uma ciclovia daquela que coloca fogo num índio  que dorme num ponto de ônibus. ambas, em nome de suas necessidades ou prazeres, ligaram o botãozinho de “foda-se o outro”.

vandalizar uma ciclovia, pintando-a de branco ou azul, apagando a sinalização prescrita pelo contran, retirar placas de proibido estacionar, não reduzir ou até mesmo acelerar seu carro diante duma faixa de pedestres, ou mesmo atropelar um grupo de pessoas, e sair do carro rindo, bêbado… avisar os coleguinhas pelo twitter onde há blitzes da lei seca, dar tiros para o alto, são apenas modalidades diferentes de uma profunda indiferença pelas necessidades alheias, mormente pela necessidade de proteger a vida.

é incrível nesse país como cada vez que uma medida qualquer de promoção da igualdade seja rechaçada por um conservadorismo que não raro beira a crueldade.

outros vêm com argumentos que rodeiam antes de dizer que não querem bicicletas nas ruas. abertamente ninguém é contra ciclovias, mas… mas não foram projetadas, mas tiram vagas de estacionamento, mas deveria ser melhor pensadas, mas não consultaram o morador da casa em frente, mas não estão sendo bem-feitas, mas elas atrapalham o trânsito, e todo um mimimimimi cansativo que parece bastante com os discursos dos deputados escravistas do século XIX, no congresso nacional.

qume tiver estômago, que leia o discurso do deputado souza reis, proferido em 21 de julho de 1871. está nesse link. claro, ele não é contra a abolição da escravatura, mas assim apressada…. ela causaria um clima de instabilidade nas fazendas… pois, por exemplo, uma lei do ventre livre exaltaria as escravas com filhos livres, o que causaria indisciplinas…. sim, leia o discurso do ínclito deputado souza reis. está essa fala na página 23.

pois é… pois é…. afinal, quem são esses ciclistas indisciplinados que acham que podem pedalar na rua? não é essa a forma de pensar de muitos dos motoristas paulistanos?

não é de espantar a reação paulistana contra ciclovias. são as mentes escravagistas. são os que querem manter privilégios mesmo à custa da rpoteçãoà vida alheia.

pois sim, são quase 2 mil mortos pelo trânsito em são paulo, mais 4600 mortos por doenças causadas ou agravadas por poluição. é pouco? isso, por si só, já deveria permitir a simples proibição do uso de carros e motos pela cidade inteira, pois falamos em quase 7 mil mortos ao ano!

mas… mas as pessoas ainda insistem em dirigir bêbadas, em estacionar seus carros em locais errados, em matar. hoje, pela manhã, um motorista embriagado atropelou 5 pessoas na cidade universitária. um corredor, de 67 anos, morreu.

e as pessoas ainda acham que são desnecessárias medidas protetivas para pedestres, cadeirantes, ciclistas… claro, eles, como os “negros insolentes” de greensboro e nashville, que ousavam entra em lanchonetes para brancos, essas pessoas ousam sair às ruas, elas cometem o crime de viver.

que morram as pessoas atropeladas ou sufocadas. é assim que pensam os que aceleram por aí….

 

 

 

 

 

Uma resposta para “pelo direito de atropelar, sufocar e matar.

  1. Por que quando cidadãos pintam vagas de estacionamento sobre a ciclovia é um crime, e quando outros cidadãos pintam ciclovias onde não existem é lindo?
    Pintar ciclovia onde a prefeitura não fez também é equivalente a colocar fogo em um índio?

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