bicicleta e comércio

quem sai um pouco do brasil, seja fisicamente, viajando, ou então pelos olhos longos do google, já sabe que nos .e.u.a. está ocorrendo uma morte lenta do rodoviarismo, e, por tabela, do comércio rodoviarista.

festa em frente de bicicletaria em copenhagen. clique na imagem e veja o post no copnehagen cycle chic

festa em frente de bicicletaria em copenhagen. clique na imagem e veja o post no copnehagen cycle chic

shopping centers estão fechando. por falta de clientes. a crise econômica mudou o  padrão de ocupação urbana de várias cidades. os subúrbios distantes com casas caras hipotecadas sendo abandonadas. mas as regiões centrais das cidades, valorizam-se. pois ali está a estrutura necessária pra viver: o trabalho de onde se extrai a renda e os locais onde essa renda é gasta. 

o fenômeno é mundial. quem circula pelas grandes cidades europeias nota a revitalização do comércio de rua. em muitas cidades os supermercados estão proibidos de se instalar, pois demandam uma ampla área pra estacionamento. e claro, empregam menos pessoas  por cada euro gasto pelos consumidores. o pequeno comércio abre mais postos de trabalho, portanto distribui melhor a renda e, por isso, contribui pra azeitar a economia local.

o brasileiro deseducou-se na época da hiperinflação. era um bom presente de casamento um freezer. pessoas congelavam grandes peças de carne por meses. era uma forma de economizar.

mas em tempos de economia estável, as feiras de rua cresceram. as pessoas voltaram a comprar comida mais fresca com mais frequência. e feira se faz a pé: anda-se pelas bancas. quem mora perto de feira sabe que há os que param seus carros, mas muita gente vai a pé. puxando seu carrinho.

e o comércio de rua? pois bem, um fenômeno observou-se em são paulo quando se criaram as ciclofaixas dominicais, no governo kassab. tantas avenidas com uma faixa delimitada por cones trouxe muita gente para pedalar aos domingos.  no início, lanchonetes perceberam o aumento do movimento. casa de sucos, venda de lanches, depois restaurantes… por fim até lojas de roupas esportivas passaram a abrir aos domingos nas avenidas ondem passam as faixas.

bicicletarias começaram a abrir nessas avenidas ou no entorno delas. funcionando aos domingos. inicialmente consertando furos de pneus, por fim fazendo regulagens e até vendendo bicicletas. muita gente passa com sua bicicleta simples e vai ver uma melhor.  se não compra na hora a bicicleta, compra durante a semana. ou chega cedo no domingo e sai pedalando para a faixa com a nova bicicleta.

já foram feitas reportagens sobre isso. leia aqui essa reportagem de 2012. leia essa reportagem de 2013.

claro, o meio comercial é sempre dominado pelos mais espertos. ou seja, pelos que percebem mudanças da economia. das mudanças de hábito. o empresário acomodado normalmente quebra. pense nos empresários que eram ligados ao mundo que circundava as máquinas de escrever. os que sobreviveram foram os que mudaram de foco seus negócios. quem ficou brandindo contra a chegada do computador ficaram pelo caminho. assim como no início do século XX os fabricantes de rapé e escarradeiras.

o comércio em torno do carro está aos poucos morrendo. um ou outro empresário tem lucros. mas as vendas de veículos financiadas tem inadimplência em torno de 25%. inadimplência alta.

e quem compromete sua renda com a compra de um carro para de consumir outras coisas.

mas quem anda a pé ou de bicicleta…. sua própria velocidade permite ver as lojas. parar quando algo lhe chama a atenção. é fato, confessemos. ciclista faz muita compra por impulso na rua. algumas das minhas amigas que pedalam confessam que gostam de alforjes grandes pois vai que tem uma liquidação no meio do caminho… (ouvi isso de 3 amigas, que estavam discutindo o comércio da rua augusta em são paulo…) . mas homens compram mais coisas ainda! (o mito machista diz que mulheres gastam muito, mas omite que homens torram uma grana feia com bugigangas….).

afinal, é da lógica comercial seduzir o cliente. mas como seduzir um cliente que passa a 60 por hora fechado numa caixa com 4 rodas?

é, é muito difícil. e por isso esse modelo de comércio baseado no cliente motorizado tem entrado em crise no mundo inteiro. e não seria diferente no brasil. mas como o pequeno comerciante que tem uma banquinha de jornal ou uma lanchonete entender que seu comércio é afetado por uma tendência mundial?

bom, posso recomendar a leitura de “bikeconomics – how bicycling can save the economy”, de elly blue. é a dica que dou a comerciantes em pânico com ciclovias à porta dos seus negócios. leiam antes que seja traduzido para o português, pois daí todos saberão o que fazer. afinal, ganha dinheiro quem sai na frente.

bom, conforme as duas reportagens cujos links estão ali em cima, há comerciantes que estão rindo a toa com ciclofaixas dominicais, e rezam por ciclovias permanentes à frente de seus negócios.

para alguns crise é crise, e para outros, crise é grande oportunidade. esses últimos é que são os grandes comerciantes. são os que tem tino comercial.

aliás, os bons comerciantes de são paulo já estão estudando o novo PDE  e achando onde estão os novos mercados. já os comerciantes relapsos estão ignorado o PDE ou então se lamentando pelos cantos pois há uma ciclovia sendo pintada na frente da sua lojinha…

é, há uma mudança em curso em são paulo e em outras cidades ao redor do mundo. o darwinismo do mercado vai selecionar os mais aptos, sabe-se muito bem disso. novos negócios surgirão, outros simplesmente desaparecerão. as mudanças irão das moradias ao vestuário, e claro, do ensino aos transportes. os espertos sobreviverão.

ao comerciante, só recomendo uma coisa: olho vivo. fique esperto. muita gente já está lucrando com a ainda tímida mudança no padrão de transportes. tímida, mas firme e inevitável. a bicicleta é o futuro. fato inegável.  e negar os fatos é o primeiro passo para ser engolido por eles.

 

 

 

Uma resposta para “bicicleta e comércio

  1. Incrivel como a Associação Comecial de SP, que deveria zelar para que TODOS os comerciantes tivessem possibilidades de maiores resultado, se cala e não apoia projetos ou iniciativas que tragam mais pessoas pras ruas!

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