criando uma demanda que não existe

realmente não dá pra usar bicicletas?

menino em ciclovia recém-inaugurada em são paulo. dia bem frio, mas demanda há.

menino em ciclovia recém-inaugurada em são paulo. dia bem frio, mas demanda há. foto de claudio kerber

tente adivinhar do que trata essa fala de sérgio  ejzenberg, que é, em tese, mestre em transportes pela USP:

“Nós já estamos com impacto no comércio com as faixas exclusivas. Há prejuízo generalizado para o comércio nos bairros e agora também no centro. Estão criando uma demanda que não existe.”

essa frase trata das faixas exclusivas de ônibus implantadas pelo prefeito haddad por são paulo, ou trata nas novas ciclovias?

tanto faz. você pode ler o lixo de entrevista nesse link aqui, mas nem perca tempo. ele entende tanto de transporte que acha que ninguém usa bicicleta debaixo de chuva ou no frio.

o engraçado é que é sempre assim: não dá pra usar pois é muito quente, ou pois é muito frio. ou por que é plano e tem vento, ou por que tem muito morro. esse povo que não tira a bunda do sofá não entende nada do mundo mesmo. mas imagens valem mais que palavras, não é? então olhem o videozinho:

aqui uma reportagem sobre como é usar bicicleta em temperaturas abaixo de zero grau celsius e debaixo de neve:

pois bem. o fato é que são paulo, tal qual outras grandes cidades do mundo onde não há estrutura adequada para ciclistas, tem demanda reprimida pelo uso de bicicletas. uma parcela pequena dos ciclistas – na qual eu me incluo – tem maior tolerância ao caos e pedala em qualquer lugar. mas os humanos em geral são mais inteligentes e expõem-se menos a riscos. e então basta que haja uma estrutura mínima para que brotem ciclistas pra tudo quanto é lado.

um exemplo são as ciclofaixas dominicais: meros cones na via, e lotadas de gente de bicicleta.

mas claro, há um medo generalizado de faixas exclusivas, sejam para ônibus, sejam para bicicletas, ou até para motos.  tudo o que não é carro parece assustar a quem ainda tem a cabeça dentro dum caixote, dentro dum balde. sei lá se falta experiência internacional, ou falte mesmo uma boa conexão com a internet. é só olhar o resto do mundo. em tudo quanto é lugar pululam as estruturas de proteção a todos os modais não motorizados. basta que haja conexão ente A e B, e não ciclovias ligando o nada a lugar nenhum, que os ciclistas brotam.

e isso pois s cidades estão mais adensadas, espaço pra estacionar carros, privatizando por horas um espaço público, é algo caro e cada vez mais raro, e os jovens não estão mais nem aí com o carro. se duvida dessa minha última afirmação, favor ler aqui n´o globo, e aqui na exame. o uso do carro sofre uma morte lenta.

assim, as pessoas não estão apenas usando mais bicicleta ou andando mais nos ônibus, mas também a pé. e eu vejo cada vez mais jovens usando skate como transporte.

a mudança é inevitável, e sim, a escolha pela bicicleta é crescente no mundo inteiro. não é algo do dna holandês, é uma escolha racional humana cada vez mais comum.

e pra quem tá com medo da chuva, recomendo para-lamas e capas de chuva. aliás, tanto não há demanda que já surgiram dois fabricantes de capas específicas para ciclistas. isso pois não há demanda…. conheça amana aqui e bikedrops aqui. isso sem falar nos maravilhosos alforjes impermeáveis…

e o frio? bom, roupas em 3 camadas resolvem.

bom, um pouquinho de chuva:

e um pouquinho de neve:

e aqui um link pra quem quer pneus com cravos de metal pra pedalar no gelo. e isso, claro, pois não dá pra pedalar nesse friozinho xexelento de são paulo, que nem temperatura negativa tem…

 

 

 

 

 

3 Respostas para “criando uma demanda que não existe

  1. Que entrevista escrota. Para variar quer botar todo custo da falta de civilidade no nosso trânsito no mais fraco (“os ciclistas andam na contramão!”). Não que não seja necessária a educação dos ciclistas, mas está longe de ser “a solução”.

  2. Brasileiro tem esses costume de falar mil maravilhas da estrutura da França e da Holanda quando retorna de sua viagem de férias. Mas chega aqui e não aplica nada que viu lá…

  3. problema é que qualquer faixa exclusiva “retira” faixas do veículo particular, que é visto com o principal gerador de vendas no comércio, serviços e etc.

    Mais uma vez, a visão tacanho do brasileiro médio.

    Pior que isto só aqui em Poa, onde os próprios ciclistas são contra as ciclovias…

    abs

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