uma noite em cada estado

esse é um roteirinho de uma rota ciclo-turística. eu a percorri ano passado, em julho. é uma rota invernal, com predominância de asfalto, mas não necessariamente em boas condições. recomenda-se pneus de no mínimo 32mm ou 1,25 pol. de largura.

toquetoque

a rota sai de são josé dos campos e chega a ubatuba, duas cidades no estado de são paulo, mas passando por uma pontinha do sul do estado de minas e por parati, no rio de janeiro. as vistas são fantásticas e não passa por cidades muito frias no inverno, de modo que não se precisa levar muita roupa de frio. embora se possa fazer em 4 dias, pode-se parar pelo caminho e aproveitar diversos locais. paradas pra fotos são bem-vindas, de modo que recomendo levar uma boa máquina fotográfica, e não apenas um smartphone, como eu fiz.

as estradas são boas, mas não necessariamente ótimas. ou seja, acostamento não é algo que se tenha o tempo todo.  mas são estradas mais tranquilas, pelo menos do ponto de vista de quem pedala em são paulo.

da bocaina, vendo a mantiqueira ao longe.

da bocaina, vendo a mantiqueira ao longe.

mas vamos aos detalhes.

a saída de são josé dos campos: escolhi partir de são josé dos campos para não ter que sair pedalando de são paulo. os ônibus de são paulo a são josé dos campos  levam bicicletas sem maiores problemas. embarque sua bicicleta com os alforjes instalados, sem medo. saindo cedo de são paulo, por exemplo, pegando um ônibus às 7 da manhã, em torno de  uma hora e meia depois você já estará pedalando. a viagem até são josé demora pouco mais de uma hora.

cunha

os cuidados são aqueles que sempre devemos seguir: ficar visível na estrada, andar pelo canto direito da estrada. o trecho mais tenso é a saída de são josé dos campos, pela sp-050, nos primeiros 20 kms. mas nada que em são paulo nós já não tenhamos presenciado. sim, uma via um pouco mais rápida, e sem acostamento. vale ficar visível e lembrar que não se está num passeio noturno com guias… mas se você começar esse trajeto num dia de semana, pegará o trânsito no contra-fluxo e a estrada praticamente vazia para quem sai de são jsoé dos campos.

lembrando que, aos finais de semana, o fluxo de carros saindo de são josé dos campos pela manhã é alto. o ideal é começar o trajeto num dia de semana.

em monteiro lobato, almoça-se. almocei num pequeno restaurante, onde o barato prato comercial continha: buffet de saladas, arroz, feijão, macarrão, bisteca de porco, frango e bife. não, não era pra escolher, veio tudo isso!

easy rider.

easy rider.

chega-se, com folga, no final da tarde em sapucaí-mirim, uma pequena cidade mineira um pouquinho antes de são bento do sapucaí. escolhi ficar em sapucaí-mim apenas por ser no estado de minas. há uma pousada bem simples, chamada changrilá. cheguei com um pouco de fome: entre são josé dos campos e sapucaí-mirim, o trajeto é basicamente uma longa subida. suave, mas subida. aliás, no topo do estrada, alguns quilômetros antes de sapucaí-mirim, temos uma vista linda da paisagem.

coma nas lanchonetes locais.  vá dormir cedo, após um banho quente. o cansaço nessa primeira etapa não será muito, mas é bom descansar para os dias seguintes.

tome seu café da manhã no dia seguinte caprichando nos carboidratos. a pousada é bem simples, o café da manhã também, mas ciclo-turista não é o tipo de pessoa que exige luxo.

entre sapucaí-mirim e guaratinguetá há uma serra a se descer. primeiro se vai por uma estradinha que estavam asfaltando há um ano, e hoje está pavimentada. chega-se à sp-050 novamente, mas para logo se chegar à estrada municipal que cruza santo antônio do pinhal. que não se perca o mirante na saída de santo antônio do pinhal. as fotos do vale adiante da li serão lindas, se o clima estiver bom. eu cruzei ali com diversos caminhantes que percorriam o caminho da fé. parece que o roteiro agora passa por campos do jordão, mas aqueles caminhavam por ali, e eram muitos. no mirante conversei com alguns.

desce-se a estrada que vem de campos do jordão, a serra nova. abaixo, a entrada para a estrada velha para pindamonhangaba. segue-se por essa estrada linda até a cidade e passa-se dela, em direção a guaratinguetá. esses trechos são de pouco relevo. aproveite pra tomar caldo de cana na beira da estrada, sempre que puder.

o trajeto, por essa estrada mais antiga, permite que evitemos pegar a dutra. e, por estar próxima à dutra, fica vazia. sendo mais curvilínea, caminhões preferem a dutra, assim como boa parte dos carros.  a estrada estava bem tranquila no dia em que por ela passei. eu estava em dúvida onde ficar, e acabei indo até guaratinguetá. anoiteceu e eu estava ficando preocupado pois não sabia onde iria dormir. perdi-me dentro de guaratinguetá, parei numa praça e fiquei pensando como eu acharia o hostel. e então prestei atenção na plaquinha da porta ao lado de onde eu tinha parado a bicicleta. era a porta de entrada do hostel… achei por acaso.

os hostels são legais por têm cozinha que você possa usar. isso é bom. mas há lanchonetes próximas ao hostel. claro, banho quente, bom sono…

acorde cedo no terceiro dia. pois o trajeto de guaratinguetá a parati não é o mais longo, mas é o mais árduo. se não estiver muito disposto, vá até cunha e pernoite lá. eu saí com a intenção de ir até cunha apenas, mas cheguei às 3 horas da tarde ainda com vontade de pedalar…. e continuei, sofrendo já pra sair de cunha. se de guaratinguetá a cunha há 1000 mt de altimetria cumulada distribuída em cerca de 50 km, de cunha a parati há outros 1000 mt de altimetria, concentrados em cerca de 21 ou 22 km apenas…

e claro, a bicicleta de cicloturismo sempre privilegia o conforto ao desempenho. e com alforjes, ninguém fica rápido em subidas…. mas depois a longa descida.

mas cuidado, os primeiros 10 km da divisa do estado de são paulo como estado do rio não são pavimentados. eu cheguei ali exatamente às 18 hs. escurecendo. e não consegui pedalar nesse trajeto. empurrei a bicicleta morro abaixo. levei duas horas, equilibrando a bicicleta num lamaçal. e carros e motos tentavam passar ali. mas estava escuro, e deve-se lembrar que o trajeto de guaratinguetá a parati é parte da antiga estrada real que levava o ouro de minas até o embarque em parati para a europa…

eu pensava nos milhares que deveria ter morrido naquela estrada. escravos principalmente. e lá pelas tantas comecei a ouvir cascos de cavalos.  achei que estava ouvindo coisas. mais adiante, comecei a ver sombras que pareciam de pernas de cavalos, e vozes. aí sim eu tive quase certeza de estar vendo e ouvindo coisas. até que, depois duma curva, voilà! uma tropa de cavaleiros subindo a serra e, atrás deles,um fusca, cuja luz iluminava os animais justamente criando sobras com suas pernas…

os cavaleiros passam me cumprimentando, e um comenta com uma amazona ao seu lado: “é cada coisa que a gente vê nessa estrada…” – a coisa era  eu.

mas logo chega-se ao asfalto e então apenas desce-se, até parati. que seus freios estejam bons, senão você pegará embalo e velocidade o suficiente para atravessar parati e entrar alguns km no mar…🙂

em parati algumas pousadas me recusaram, dada minha imundície e a bicicleta. mas não o hostel, que demorei um pouco a achar.  não perca tempo, vá direto ao hostel. lá há como parar a bicicleta, ninguém liga pra sujeira do seu estado ao chegar, tem cozinha pra usar…. e os hostels são locais onde você entrará se não outros ciclo-turistas, outros viajantes bem despojados.

no hostel em parati muitos estrangeiros, pois é verão no hemisfério norte em julho, e, portanto, época das férias de verão dos europeus e americanos.

parati bem vale alguns dias. mas eu já conhecia a cidade e várias praias locais, fiquei um dia vagando pela cidade e no outro rumei a ubatuba.

entre parati e ubatuba teoricamente há acostamento. teoricamente. pois há trechos em que o que parece ser acostamento é um amontoado de pedras, galhos, lama e etc. a serrinha de maresias, aquelas pirambas fazem a gente sofrer um pouco.

em ubatuba, novamente outro hostel. com psicina!

piscina

uso alternativo para a piscina…

de ubatuba a são paulo há ônibus.

você pode fazer esse trajeto em 4 dias, ou se quiser explorar bem os locais – as praias de ubatuba, por exemplo – pode levar até duas semanas perambulando por essa bela região do brasil. o litoral não fica muito frio no inverno. e havendo dias de sol, dá sim pra pegar praia. eu fiquei 4 dias em ubatuba, afinal tinha companhia ali…

se quiser, volte de ubatuba. ou siga pela br-101 até, no máximo, são sebastião, passando por caraguatatuba. não vale o trajeto de são sebastião em diante, perigoso, tanto do ponto de vista de tráfego quanto do ponto de vista de assaltos. eu fui até são vicente e subi de lá. mas o trecho final foi tenso, bem tenso.

a estadia em pousadas simples e hotels é barata. gosto dos hostels pela estrutura e por ter sempre com quem conversar, afinal, raramente consigo companhia pra viajar. quando achei que tinha achado, a vida me mostrou que eu havia me enganado. então, fazer o quê, né?

bom, o mapa está aqui, nesse link. ele passa por todos os locais de pouso pelos quais passei.

os locais para hospedagem são:

sapucaí-mirim – MG: pousada changrilá. rua 1º de janeiro, nº 07 – centro. tel 35 3655 1235.

guaratinguetá: hostel guaratinguetá. praça homero ottoni, 162. tel 12 3133 8154.

parati: hostel casa do rio. r. antônio vidal, 120. tel 24 3371 2223

ubatuba: tribo hostel. rua amoreira, 71, tel 12 38420585

em tempo, uma historinha. saindo de ubatuba, meu pneu traseiro rasgou.  voltei na bike da pessoa que estava comigo até uma bicicletaria simples pela qual tínhamos passado uns minutos antes. e ali travou-se o seguinte diálogo:

– tem pneu 26?

– só 32.

– 32  ? (indaguei eu, incrédulo com a medida) mas deixa eu ver?

– deixo, tem do grosso e do fino. (e me mostrou dois pneus aro 26, levorin, 1,5 slick e 2,0 com cravos).

– esse pneu não é 26? (perguntei eu, testando o dono da bicicletaria).

– não, é 32 reais, moço!

– e a medida?

– ah, é de adulto. se quiser, tem de criança. (e me mostrou pneus aro 20 pendurados na parede…).

terminei a viagem com um levorin 1,5 pol.  tão ruinzinho que, apesar de indicar ser para 35 libras, só ficava cheio com 40 libras.

se sua bike for de aro 700c ou 29, leve um pneu reserva….

 

 

 

 

 

 

5 Respostas para “uma noite em cada estado

  1. muito boa a bitacora e as dicas…
    eu fiz alguns de aquelas estradas, sp 050 moteiro e br 101 (primeros kms) lobato. tudo muda quando na troca de estado, a br101 RJ esta muito ruim
    tenho uma pergunta: voce conhoce o caminho do extremo sul da bahia ate salvador? abrazo

  2. Filomena Gonçalves Pires

    Boa viagem, que Deus o acompanhe nesse trajeto maravilhoso, força e coragem que nunca lhe falte.

  3. Haha, fiquei nesse mesmo hostel, em Guará. E fiquei amigo do Carlos, muito gente boa. Pedalei de Taubaté até Bananal, em dezembro de 2013, uma viagem deliciosa. Depois fui a Paraitinga, saindo de Taubaté. A ideia era ir a Parati, via Cunha, mas começou a chover direto e desisti.

    Já favoritei o blog, com certeza. Um dia a gente se encontra por aí, pois pretendo voltar logo a pedalar por SP

  4. Massa, tá na lista. Discordo quanto ao trecho após São Sebastião. Pelo menos até Bertioga (dali pra frente não conheço). Entre Bertioga e São Sebastião é bem bonito e quando pedalei, embora faltasse acostamento não faltou respeito na relação com os motoristas. Só exige um pouco mais de perna no sobe e desce, hehehe. Em tempo: o litoral fica mais interessante no sentido Sul -> Norte, pois você pedala mais próximo ao mar.

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