marcas

pergunta que recebo constantemente:  “essa marca é boa?”

quadro caloi rachado, usado apenas no asfalto.

quadro caloi rachado, usado apenas no asfalto.

dá pra ser sincero dizendo um sim? nunca. pois marca é uma coisa, produto é outra.

a lei 9279/96 define marca como um sinal distintivo.  ou seja, um nome, um desenho ou a mistura de ambos. distintivo de que? de outros produtos iguais, da mesma espécie. ou seja, marca é apenas uma marcação.

a marca por si só não diz nada.

se um produto é bom, ele é bom com ou sem aquela marcação. se um quadro de bicicleta é de titânio, ele é de titânio esteja isso escrito em seus tubos ou não. sua solda será boa ou não independentemente da marca nele aposta.

tenho dois quadros de titânio. um da marca litespeed americana, outro da marca basso, italiana. mas foram feitos e soldados pela mesma pessoa, david lynskey, um dos fundadores da litespeed, que fo vendida um grupo de investidores em 1999. meu quadro litespeed éde 1996, meu quadro basso, é de 1993, quando a basso (e todas as demais marcas italianas, com colnago e bianchi)  terceirizava a produção de quadros de titânio para a litespeed.

hoje david lynskey produz sob outra marca: lynskey. continua uma produção de altíssima qualidade.

na prática, tenho dois quadros feitos por d. lynskey. a marca que neles está não quer dizer absolutamente nada. aliás, no e-bay, quadros de titânio da listespeed, pré 1999, costumam ter na sua descrição, a expressão “lynskey era”.  essa informação é mais importante que a marca, obviamente, para os conhecedores do assunto.

mas, para o leigo no assunto….

para o leigo, o trabalho de marketing está aí para colar a marca sob publicidade a uma série de outros valores e sensações. ou seja, pra colar a marca na sua mente e influenciar sua compra, fazendo você comprar o pior e não o melhor, fazendo você comprar o mais caro e não o mais barato, o inadequado no lugar do adequado.

é comum me perguntarem: shimano é bom? e a resposta? depende, e depende para quê.  se a intenção é competir na estrada, de tiagra pra cima, de acordo com o poder de compra e principalmente o poder das pernas. pois tem muita gente gastando os tubos em peças caríssimas, cujo diferencial de qualidade não será nem de longe perceptível no desempenho sofrível da pessoa. mas, calro,a publicidade bem montada, o trabalho de marketing e o blablablá dos vendedores faz o cidadão engolir um câmbio dura-ace novo quando seu antigo 105 lhe servia muito bem.

e seu câmbio dura-ace, se perder a inscrição “dura-ace”, deixa de ser o que é? também não.

de fato, essa onda de compra de quadros de carbono que copiam o design de marcas mais bem afamadas está ancorada no efeito da publicidade. quem compra um quadro “oem” (ue não é oem de verdade) com pintura da marca x e imitando seu desenho, sabe que não tem um produto de qualidade, mas quer ostentar a marca… é triste.

quadro de carbono à venda no mercado livre, "oem com pintura pinarello". não é produto original.

quadro de carbono à venda no mercado livre, “oem com pintura pinarello”. não é produto original.

o fato é que às vezes um produto custa 1/10 do outro, mas entrega 1/2 do outro. essa relação nem sempre as pessoas fazem.

e outros produtos são vendidos apenas por que conferem uma certa “aura” à pessoa, ou pra usar aquela linguagem típica do balbablá publicitário, “agregam valor”. mas sequer são usados adequadamente, mas única e exclusivamente para conferir essa “aura.

um exemplo podemos dar dos caros, mas não inalcançáveis, relógios rolex. um rolex submariner é um relógio de mergulho. ok, segue a norma iso 6425. mas pergunte-se qual mergulhador profissional o usa em seus mergulhos, arrastando-se nas pedras e na areia, se pode usar um bem mais barato e eficiente computador de mergulho?

rolex submariner

rolex submariner

que o usa procura ostentar um relógio assim. e que o usa falsificado ou imitado? num site das chamadas “réplicas” (na verdade, falsificações), a frase de efeito era: “mas porq uê gastar milhares de dólares para poder usar a a marca que você deseja? economize seu dinheiro, compre nossas réplicas, blablablá…!”

claro, na medida em que o relógio  não é usado para mergulho, mas para ostentação, pode-se usar um relógio “de mergulho” que não possa nem pegar chuva….

de outro lado, algumas marcas fazem produtos de boa qualidade com desenho de outrem. denho industrial que caiu em domínio público. paul components faz freios inspirados nos lendários mafac dos anos 50 e 60. e não está fazendo nada de errado. da mesma forma, desenhos clássicos de pedivelas dos anos 50 e 60 ainda hoje são reproduzidos por outros fabricantes que não os originais. não há problema legal nisso. e eventualmente a qualidade da “cópia” pode ser até melhor que a original.

o mesmo ocorre no mundo da relojoaria, onde desenhos de relógios clássicos é usado por outros fabricantes sérios, que não usam marca alheia, mas o desenho que caiu em domínio público, e alguns fabricantes de carros fazem o mesmo.

o importante, no final das contas é o produto: seu desenho, a forma como foi fabricado, os materiais usados. marca, isso é apenas uma marca no produto. só diz alguma coisa, sozinha, pra quem não entende dos produtos.

então, da próxima vez, escolha o produto. leia seu manual técnico. e pare de cair nas armadilhas de vendedores inescrupulosos, que vendem “câmbio de 9 velocidades”, “câmbio de 8 velocidades”… e omitem que o importante é a taxa de puxada de cabo: 2:1, 1,6:1, 1:1… e que um câmbio shimano “de 7 velocidades” troca também, 8, 9 e até 10, dependendo do trocador, do cassete e da corrente…

conhecer os produtos é a melhor forma de não ser enganado pelo marketing. lembre disso.

7 Respostas para “marcas

  1. Odir, qual diferença de qualidade entre a SURLY lht e a THORN SHERPA touring?

  2. Odir, sem tratamento termico os pontos de solda ficam muito frageis? fiquei preocupado porque tenho uma SURLY LHT. gosto de bicicleta que durem.

    • hehehe, não se preocupe com seu quadro surly. eu tb tenho uma lht! o tratamento térmico é só pra acrescentar um pouco de rigidez aos tubos, permitindo tubos um pouco mais finos e mais leves. mas há que se lembrar que se tratam de bikes pra cicloturismo, onde a rigidez é menos importante que a resiliência. então não se preocupe. a diferença entre um quadro e outro é muito pouca, e não é perceptível por nós mortais que apenas usamos essas bicicletas para viagens, e não para competições e etc.

  3. hahahaha não esquenta a cabeça com quadro surly. você vai morrer, seus filhos vão morrer, seus netos vão morrer e talvez seus bisnetos tenham que alinhar a gancheira. TALVEZ.

  4. Olá pessoal do blog, tudo bem?
    Conheci o blog a pouco através do google. Sou jornalista de MS e gostaria de colaborar com um artigo para o site. Vocês costumam aceitar colaborações? Podemos pensar juntos em algo que seja interessante para o público. Gosto de textos informativos, que ajudam e facilitam a vida do esportista.
    Desde já agradeço pela atenção!
    Abraços
    ____________________________
    Att, Mell Schmidt
    Jornalista MTb-MS159 *

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