a criança morta

velório, enterro, essa é uma situação dolorida. o luto é a pior dor moral. mas pode ser ainda pior, quando parece ir contra a ordem natural das coisas.  sempre atribuímos aos fatos os nossos valores, e não nos passa na cabeça que o mais jovem faça a grande travessia antes do mais velho. o pai não deve enterrar seu filho, mas o contrário, a mãe não deve enterrar sua filha, mas esta enterrar a mãe.

campanha catarinense de trânsito, com a miss Thainara Latenik, em montgem.

campanha catarinense de trânsito, com a miss Thainara Latenik, em montgem.

enterro de criança é uma coisa terrível de se presenciar. pra quem tem um pouco de empatia, um mínimo de compaixão, esta é uma das piores cenas pra se ver. não quero descrever.

hoje, umas das principais causas de mortes de crianças são os ditos “acidentes” de trânsito. entre 2008 e 2012, o DPVAT pagou 12 mil indenizações por morte de pessoas abaixo dos 14 anos. é muito. é muita dor espalhada nesse brasil.

a grande parte dos acidentes nas vias rápidas. estradas? mais até do que elas, avenidas…

tem como mudar esse quadro? tem, existe a estratégia da roda redonda e da roda triangular.

a roda redonda entra no lugar da roda quadrada e resolve o problema. a roda triangular é um aperfeiçoamento da roda quadrada, apenas 3 (três!) trancos por volta…

campanhas pra aumentar o uso da cadeirinha dentro do carro costumam ser a estratégia da roda triangular. mas abandonar a política de vias rápidas é a estratégia da roda redonda.

veja o vídeo abaixo e entenda como uma grande cidade pode mudar suas matrizes que orientam as decisões dos governantes.

sim, podemos sim ter cidades civilizadas o brasil, mas é preciso meter o dedo na ferida. vai contrariar e muito muitos abobados. muita gente que gosta de acelerar vai ficar incomodada.

em são paulo, se as grandes avenidas radiais tivessem suas velocidades máximas baixadas pra 30 kms/h, incluindo as pontes sobre as marginais e seus acessos, já teríamos um impacto brutal na forma de se transportar as pessoas. a começar pelos inúmeros que moram dum lado do rio e trabalhami imediantamente do outro lado, em distâncias lineares que as vezes não superam 2 ou 3 kms, e são obrigados a pegar um carro ou um ônibus em vez de ir a pé, por conta da insegurança na travessia das pontes.

com todas as vias a 30 kms/h, a convivência entre carros, caminhões, ônibus e pedestres, skatistas e bicicletas é perfeitamente possível. e permite que as pessoas abandonem veículos possantes, que não as levam mais rápido a lugar nenhum, apenas permitem que em espaços pequenos acelerem muito – e corram e espalhem risco a muitos outros. pois também há consequências para quem mata, como mostra essa campanha da TAC australiana:

e essa medida não causaria diminuição nos tempos dos trajetos, pois nos horários de pico a velocidade média é muito inferior a isso! ora, já há anos a velocidade nos horários de pico é infrior à velocidade de uma galinha correndo…

mas diminuiria em muito a morte de crianças, jovens, adultos, idosos. e isso é algo que não se quer? é tolerável ter quase 2 mil mortos ao ano em são paulo nos ditos acidentes de trânsito? mais milhares de amputados, de sequelados, e etc?

o vídeo abaixo, por sorte é apenas uma ficção, uma outra campanha da TAC australiana.

mas como superaremos isso? como superaremos essa mortandade nas nossas ruas? com as estratégias de roda triangular ou de roda quadrada?

medidas como ampliação de corredores de ônibus, por si só, são paliativas. na prática, tudo o que restringe ouso de automóveis e motocicletas por si, já é bom, mas é preciso fazer  masi para as pessoas voltarem ao transporte não motorizado e ao transporte público.

o transporte público numa cidade como são paulo já enfrenta obstáculos terríveis, que vão da necessidade de se reorganizar toda a estrutura dos ônibus, a enfrentar o maior caso de corrupção da história do brasil, que está sendo abafado pela mídia. duvida? leia aqui.

sim, de fato, não se registrou na história brasileira nenhum caso em que a corrupção do metrô de SP tenha sido superada em valores e duração de tempo em que os desvios ocorreram, se é que ainda não ocorrem…

passou do temp de se tomar decisões drásticas e criativas. redução de velocidade é uma decisão simples, e funcionaria muito bem, colhendo frutos em pouquíssimos meses. já acontece em outros países, paris tem imensas zonas onde o limite é 30 kms/h. em são paulo, elas deveriam incluir as vias arteriais.

e assim, a criança não mais morreria, ou melhor, muitas vidas poderiam ser poupadas.

no fundo, a criança morta que serve de título a esse post não é uma qualquer: é o futuro das grandes cidades, o futuro esperançoso de se ter cidades melhores. no rumo em que estamos, viveremos o eterno luto pela morte das oportunidades de mudança, o luto daquilo que não se fez, não foi. o luto que atravessará gerações espalhando dor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Uma resposta para “a criança morta

  1. segundo alguns estudos psi a maior dor que alguém pode sentir é da morte de seu filho, que venham muitas campanhas tipo tac em nosso brasil!

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