como atravessar pontes e viadutos pedalando

pontes de são paulo, principalmente as pontes das marginais, e também viadutos dentro da cidade, como o cebolinha, e outros tantos, são um grande desafio para ciclistas urbanos.

não pela ponte ou o viaduto em si. mas pelos acessos laterais, saídas e entradas por onde trafegam outros veículos. normalmente a velocidade dos veículos é alta: de 50 kms/h para cima. e claro, a estratégia de parar na beira do acesso, desmontar da bicicleta e atravessar nem sempre funciona, pois o fluxo de veículos pode ser contínuo e impedir sua travessia.

já fiquei 10 minutos parado tentando atravessar um acesso desses, vindo da marginal tietê, para acessar a ponte das bandeiras sentido bairro-centro. eu, com minha bicicleta, e vários pedestres que foram se acumulando nas bordas. se um caminhão não parasse meio atravessado e ocupando duas faixas – e o caminhoneiro não suportasse as milhares de buzinas que passaram a soar – não teríamos atravessado.

pedestres sofrem, ciclistas mais lentos também.

na prática, a única forma de atravessar esses locais pedalando é andar forte. por andar forte eu quero dizer pedalar acima dos 25 kms/h, não importa a bicicleta, a roupa, nem sequer o relevo.

não dá para usar calçadas. elas inexistem ou estão em tal estado que é perigosíssimo pedalar por elas: buracos, pedras e etc são grandes obstáculos.

algumas regiões da cidade são premiadas com esse “muro” que teima em cercear o direito de ir e vir. quem mora na região do morumbi ou mais ainda, quem mora na zona norte de são paulo, se quiser usufruir de qualquer benesse que exista apenas no centro expandido, tem que atravessar a ponte.

no caso da zona norte de são paulo, nós falamos da ponte da vila guilherme, ponte da avenida cruzeiro do sul, ponte das bandeiras, ponte da casa verde, ponte do limão, ponte júlio de mesquita, ponte da freguesia do ó e ponte do piqueri. contou? são 8 pontes. cada uma com suas caracteríticas, mas todas sendo acessadas e dando em avenidões… sempre avenidas de alta velocidade…

atropelamentos, “acidentes”, são comuns, muito mais do que se costuma noticiar. e muitos, depois de um “acidente”, preferem simplesmente não mais atravessar pra outra parte da cidade. veja o depoimento do rapaz, no vídeo abaixo:

na prática, o que temos é um contexto que faz com que só os ciclistas mais fortes atravessem no cotidiano. é um contexto altamente discriminatório. como comentou um colega, o valdson: como uma senhora de idade atravessa uma ponte da marginal pedalando, com segurança?

pois a única forma é pedalar acima dos 25 por hora, e não pela faixa da direita, pois nela afluirão todos os veículos que vêm das alças, e os veículos que saem não raro vão ultrapassar o ciclista e então cortar sua trajetória. como aconteceu há tempos atrás com um grupo de amigos, que mesmo sinalizando com as mãos foram quase atropelados: um veículo chega a bater na mão esquerda de um ciclista, ao cortar a trajetória deles para acessar a alça à direita.

pedalar forte e na segunda faixa, estando bem visíviel. é, não dá pra seguir as regras do CTB de que se deve trafegar no bordo da pista: é pedir para ser atropelado.

mas aí a questão: todos conseguem pedalar dessa forma? não. é preciso uma certa prática, uma certa forma física, e uma boa dose de tolerância ao risco (e muita fé também…  nunca questione a fé de quem atravessa pontes pedalando!).  ora, nem todo mundo tem isso. logo, o que as pontes são, os viadutos são, são formas refinadas de discriminação física, de impedimento ao direito de ir e vir.

nenhum esforço de promoção do uso da bicicleta em são paulo dará certo se não tratar desse obstáculo. por outro lado, esse obstáculo removido, todos os demais cairão facilmente. pois vias cicláveis são e tem que ser todas as vias da cidade, inclusive os viadutos, as pontes, as rotatórias e as marginais. sem exceção.

(em tempo, se você não atravessa habitualmente esses locais, faça um exercício de pelo menos uma vez conhecê-los. e faça sozinho/a! para se colocar, ao menos uma vez, na pele de quem faz todo dia isso, e entender que quem corre risco diariamente tem urgência na solução de problemas. não espere um amigo morrer para se movimentar, ou pelo menos parar de falar besteiras por aí.)

p.s. dicas para ciclistas além pontes: pneus finos de alta pressão aumentam a velocidade da bicicleta. pedivelas de coroas maiores, no caso das MTBs (48-38-28) e cassetes ou catracas de rosca com pinhões menores, permitirão alcançar maiores velocidades. e lembre: um capacete não oferece a menor proteção contra um choque com um carro a 60 kms/h. não se sinta seguro só por estar com um capacete. e luzes fortes  ligadas, sempre que trafegar por esses locais à noite. 

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3 Respostas para “como atravessar pontes e viadutos pedalando

  1. Uma vez tentei atravessar a ponte Cidade Jardim no sentido Morumbi a pé, simplesmente impossível. Voltei para o outro lado do rio e fui até a Eusébio Matoso, uma das únicas pontes de SP que tem faixa de pedestre. Não lembro onde vi uma vez que a CET recomenda usar ônibus para atravessar as pontes, ou seja, pedestre que se vire…

  2. Normalmente tenho pego as pontes em horário de pico. Pelo volume do engarrafamento, acho que isto deixe as coisas um pouco mais ‘possíveis’.

    Divido o trajeto em 4 partes, o P1_/, P2/–, P3–\ e P4\_.

    No P1, a rampa de entrada, se tiver distância e estiver na reta, coloco uma marcha media, pego a faixa da direita e volta e meia cedo passagem de carros que vem subindo, tentando manter de 20 a 25 km/h.

    Na P2, a ponte ainda é um pouco ascendente, aproveito a inércia e e coloco uma marcha um pouco mais pesada, mas não exijo muito das pernas neste ponto, pois precisarei delas pouco adiante. Ainda permaneço na faixa da direita,

    No P3, a ponte começa a ser descendente, coloco a marcha mais pesada, e tento atingir uma velocidade por volta de 30km/h, feito isso, sinalizo e, conferindo o meu ombro esquerdo e retrovisor, ocupo o limite esquerdo da faixa da direia, isto coincide com o a chegada ao Pós.

    No P4, a rampa de saída, já devo estar entre 30 e 40 km/h, já na segunda faixa, deixo para trás o entorno da alça de saída e retorno à primeira faixa da direita. Logo mais a frente estará a alça proveniente da marginal, onde procedo à ‘infusão’, compatibilizo minha velocidade com a dos provenientes da marginal, e domino novamente a faixa da direita.

    Já peguei várias pontes chatas, mas acho que a pior que peguei até agora foi a Ponte João Dias.

  3. O meu trajeto passa pela ponte do Limão e pelo viaduto Pacaembu. O viaduto é sofrido mas menos do que a ponte. Na ponte tenho que me esforçar demais. Chego arfando do outro lado. E tenho que rezar para que o farol de pedestres antes da ponte (bemmm antes) feche, para que eu troque de faixa.

    Sou uma má ciclista, não sou rápida nem consigo sinalizar com a mão esquerda, muito menos qdo estou forçando pra ir mais rápido. Então conto com a sorte.

    Até hoje deu certo…

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