caixas de movimento central de rosca: os padrões.

é assim. de  repente pintou um quadro pinarello em aço cromo-molibdênio para você comprar, por um bom preço. veio com o garfo. quadro e garfo cachimbados, lindos. e você resolve montar com aquele seu grupo shimano de estrada, que estava parado há algum tempo numa prateleira.

você coloca os freios, a caixa de direção standard, linda. encaixa as rodas, instala os câmbios, guidão e tudo. mas na hora que vai colocar o movimento central para poder por a pedivela, a rosca não pega… é de outra medida! mas que medida? e aí é um “ai meu deus!” pra tudo quanto é lado. cada amigo dá um palpite, até que um colega fala: “quadro italiano? rosca italiana, pode procurar!” e você procura e só acha movimento central campagnolo… que não encaixa na sua pedivela dura-ace 7400, linda, linda!

desespero? não. pior foi aquele seu amigo que comprou baratinho um quadro neplaz… e veio com rosca francesa! isso era o que ele achava, pois depois descobriu que era de rosca suíça o encaixe para o movimento central… mas que bagunça esses padrões!

não, não é tão bagunçado assim não. são 4 principais padrões, dois deles bem raros atualmente. existem outros padrões, mas nenhum tão disseminado quanto o padrão de rosca inglesa.

mas para entendermos onde vamos encontrar essas medidas, é preciso entender um pouquinho da história da produção dos quadros de bicicleta.

o padrão métrico é seguido por toda a europa ocidental e por boa parte do resto do mundo. o pçadrão saxão, de polegadas, pés e etc, é seguido pelo reino unido e pelos e.u.a.

quadros foram e ainda são produzidos na europa e nos e.u.a., mas boa parte das peças é feita no sudeste asiático. a produção asiática de peças fornece basicamente para a indústria americana, fortíssima, e também para a indústria europeia. mas nem sempre foi assim.

as medidas francesa e suíça hoje são consideradas obsoletas. mas encontráveis em quadros de boa qualidade de produção europeia, dos anos 60, 70 e começo dos anos 80.  nesse caso, a caixa tem diâmetro de 35 mms em ambos os casos. mas, no caso da rosca francesa, os dois lados do movimento central possuem rosca para o lado direito, de modo que um dos lados tende a soltar com o uso. no caso das caixas com movimento centralsuíço, cada lado tem rosca para uma direção diferente, de modo que o movimento circular da pedalada não solta um dos lados da pedivela.

então, 35mm com rosca de 1 milímetro de passo, ou é rosca francesa ou suíça. só diferencia-se o lado direito, onde na caixa de movimento central o movimento é para adireita, como no lado esquerdo.

mas há duas outras medidas. a mais comum, no mundo inteiro, é a de rosca inglesa, para caixas de 66mm de largura.

o sistema de rosca inglesa tem medidas em polegadas! a largura é de 1,370 polegada. ou seja, algo em torno de 34,7 a 34,9 milimetros. e o passo da rosca é de 24 tpi, ou seja, 24 voltas por polegada, com roscas invertidas: cada lado fecha para um lado diferente, de modo que o movimento de pedalar não solta o movimento central.

esse padrão foi disseminado pelas bicicletas americanas, exportadas para muitos países, principalmente a partir da explosão da venda das mountain bikes. aliás, se o quadro é de mountain bike, dificilmente será de outra medida que não essa.

mas quando falamos das bicicletas italianas… colnago, bianchi, pinarello, alan, cinelli, willier, atalla, de rosa, basso, gios (a original), vicini (a original), bottecchia, battaglin, cinelli, guerciotti… muitas, a grande maioria dessas bicicletas de estrada usam caixas de movimento central com rosca italiana.

essa medida é curiosa, pois mistura dois padrões: o métrico e o anglo saxão, e normalmente com caixas de 70mm de largura. a largura é de 36mm, com passo de rosca de 24 voltas por polegada (TPI). e os dois lados têm rosca para o lado direito. ou seja, um dos lados está sujeito a soltar-se com a pedalada, de modo que é bom fixá-lo com fixa-rosca.

todavia, é possível que um quadro originalmente americano nos chegue às mãos com rosca italiana. é comum que quadros que tenham tido as roscas danificadas, espanadas, sejam trabalhados para adiquiri novas roscas, daí com o padrão italiano, mais largo que os outros. afinal, o refazimento da rosca espanada aumenta seu diâmetro.

na dúvida, tente medir com um paquímetro. essa é uma boa indicação. se tiver 35mms redondinhos, note as roscas. se ambas para o mesmo lado, é movimento central francês, senão, é suíço. e boa sorte na reconstrução daquela bicicleta antiga. e se está difícil achar seu movimento central, recorra aos belíssimos phil wood. feitos em todas as medidas. caros, mas excepcionais.

 

10 Respostas para “caixas de movimento central de rosca: os padrões.

  1. Post válido para bicicletas mais simples e/ou antigas.
    Hj os quadros (americanos, europeus, asiáticos…) não utilizam mais rosca no movimento central!
    Utilizam os sistemas BB30, BB92, Press fit…Que possuem diâmetro maior e causam menos atrito…

    • sim, mas quadros artesanais ainda usam (lynskey, por exemplo, ou van nicholas), e os belos quadros dos anos 70, 80 e 90 que muitas vezes são objeto de posts aqui usam essas medidas, assim como as bicicletas de cicloturismo, que sob hipótese alguma seriam feitas em fibra de carbono. da mesma forma as úteis bicicletas urbanas, usadas por quem pedala todo dia, e não apenas a passeio nos finais de semana.

      não temos em português boas fontes de informações, como o site do falecido sheldon brown, ou o adfc fasschauschuss technik. assim, infos que podem fazer voltar um belo quadro basso ou cinelli, são válidas pra quem gosta de bicicletas com história.

    • Eduardo, esse tal “Press Fit”, apesar de interessante, me soa como a tal direção “Tapered” –> como uma forma de arrancar mais dinheiro de quem quer montar uma bike oferecendo uma pequena diferença em relação as peças anteriores.
      Assim como o sistema anterior da Shimano – o chamado “integrado” já se mostrou menos durável que as antigas caixas seladas/blindadas – comparando: uma Shimano SM-BB51 (Deore) aguentou cerca de 2 anos antes de ter folga ; Uma Deore LX de ponta quadrada (BB-UN52) que tinha comprado usada ficou comigo mais de 5 anos e ainda vendi ela a um bom preço, pois nem folga ela tinha.

      • sim, os sistemas de ponta quadrada são muito mais duráveis. muito mais. tenho pedivela dura-ace 7410, com20 anos de uso, e movimento central idem, mais antigo – ainda dos abertos, nem era blindado ainda, é dos anos 80. estão firmes e fortes até hoje…

  2. Agora, falando dos quadros italianos, encontrei um Pinarello (tudo indica ser um “Asolo”) infelizmente sem o garfo original (malditos ciclistas de BH que não respeitam um quadro clássico!) e tive dificuldades pra encontrar um central para um possível pedivela moderno (mesmo assim não dispensei o mov. central que estava com o quadro).
    Mas como a bela moça tem gancheiras quase verticais, vou aproveitar e fazer minhas primeiras experiencias com pinhão fixo, antes de arrumar as peças para ma montagem com marchas.

    • bom, sua margem de acerto do pinhão será pequena, mas possível. uma opção para centrais, são os caríssimos movimentos centrais phill wood. são muito bem feitos. mas caros…

      • Ogum, eu dei uma navegada pelo site da Phill Wood, as peças são de um acabamento impecável, mas os preços acompanham bem o capricho das peças.

        E realmente o “chainline” com as peças que já tenho pode ser bem complicado, uma vez que o central é bem curto, mas isso eu verei quando os cubos chegarem, se o central não der, vai ser a hora de correr atrás de outro!

  3. não é resposta é pergunta tenho uma alan italiana o salva quadro não dà aperto, onde encontro um movimento central ideal para comprar?

  4. Muito obrigado. Ótimas informações.Creio apenas um erro de digitação na largura da medida inglesa que acredito ser 68mm e não 66mm.
    Saudações, Ogum.

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