bicicleta: esporte e transporte

os três maiores eventos esportivos do mundo, em ordem, são: copa do mundo de futebol. olimpíadas. tour de france. dos 3, 2 são quadrienais. o tour de france ocorre todo ano.

a bicicleta que eddy merckx usou para bater o record da hora em 1972. dá pra montar uma mais ou menos igual, aqui em são paulo mesmo.

a bicicleta que eddy merckx usou para bater o record da hora em 1972. dá pra montar uma mais ou menos igual, aqui em são paulo mesmo. – a original está exposta no metrô de bruxelas

se somarmos 4 edições do tour de france, ele passa de longe a copa do mundo em movimentação de dinheiro.

há uma lógica atrás disso. você não vai ao trabalho petecando uma bola. não vai ao trabalho jogando tênis, mas pode ir pedalando.

todo esporte que também é transporte acaba ganhando uma massa de aficionados. é isso que explica o monte de fãs do falecido ayrton senna, entre outros. todo mundo que dirige um veículo é capaz de se colocar na posição do piloto, imaginariamente.

assim como todo mundo que pedala consegue entender aquela prova de descida de escadarias na cidade de santos, aquele downhill urbano. ou entender quão dura é a prova de mtb de cape epic. ou entender o que há de esforço em subir o tourmalet, vendo uma transmissão pela TV.

escadaria do mont serrat, em santos. a molecada torcendo e adorando a competição que torna seu bairro conhecido nacionalmente.

escadaria do mont serrat, em santos. a molecada torcendo e adorando a competição que torna seu bairro conhecido nacionalmente.

o inverso também ocorre. o ciclista de final de semana costuma ser um motorista muito mais cuidadoso. não raro os raros carros que me protegem e me respeitam nas travessias das perigosas pontes das marginas de são paulo possuem racks no teto para carregar bicicletas: são carros que estão sendo pilotados por ciclistas de final de semana.

um outro dado interessante é que o campo de prática e disputa do esporte bicicleta, salvo as competições de pista, é o mundo externo: estradas, ruas, trilhas… não é necessária a estrutura especial para tanto. ao contrário do futebol e outros esportes de arena.

é comum que cidades pequenas beneficiem-se desses eventos. durante o tour de france, giro d´italia ou vuelta de españa, pra citar as 3 grandes competições de 3 semanas, cidades pequenas sejam descobertas por turistas, ganhem um bom dinheiro como aumento de movimento em seu comércio, ganhem projeção internacional. tourmalet, galibier, zoncolan, são montanhas conhecidas, com suas subidas muitas vezes feitas em outras épocas do ano por turistas.

monumento a ciclistas isendo instalado no col du tourmalet. ao lado, a placa com informações aos diversos ciclsitas que vão para lá durante o ano inteiro tentar a subida lendária.

monumento a ciclistas sendo instalado no col du tourmalet. ao lado, a placa com informações aos diversos ciclistas que vão para lá durante o ano inteiro tentar a subida lendária.

a imprensa, por sua vez, ganha notícias. deve-se lembrar que o tour de france surgiu de um evento criado por um jornal, l´auto.  e o giro d´italia foi organizado primariamente pela gazzetta dello sport.

quem já ficou em algum lugar por onde esteja passando uma etapa duma dessas longas competições já observou a prévia passagem dos carros dos patrocinadores, efetuando ações de marketing. marcas patrocinadoras destes eventos ganham projeção internacional, muitas vezes.

um outro aspecto é que o ciclista amador que passa a acompanhar essas provas se torna aos poucos um melhor ciclista. aprende a observar fatores como esforço, regularidade do uso da bicicleta, alimentação e etc. afinal, é fácil se colocar no lugar do competidor mas ao mesmo tempo perguntar como naquela competição levaram 10 minutos para fazer um trajeto cujo seu tempo seria 22 minutos. por que a diferença? pneus, bicicleta, relevo? questões que sempre ficam como pulgas atrás da orelha de cada ciclista que está vendo a prova.

é fato, bicicleta gera uma cultura que inclui também o esporte, e com ele tem uma relação de troca muito interessante. a relação das fixas com as bicicletas de velódromo é evidente (embora nem todo fixeiro saiba que sua fixa de rua, igual a uma pisteira, só tenha o cubo traseiro e olhe lá…), assim como a relação das mountain bikes urbanizadas com as bicicletas de verdadeiro fora de estrada, o mesmo para as estradeiras relaxadas que usamos nas ruas e audaxes, e as estradeiras ultra-especializadas das competições.

bicicleta de pouco mais de 7 kg sendo utilizada para cicloturismo na frança.

bicicleta de pouco mais de 7 kg sendo utilizada para cicloturismo na frança.

o esporte alimenta a tecnologia que em pouquíssimo tempo cai nas ruas. e sim, mesmo a bicicleta de competição pode sim ser usada nas ruas, com alguma adaptação. tente fazer isso com um carro de fórmula 1…

o outro dado de aproximação é o preço do equipamento de competição. qual o aficionado por fórmula 1 tem condições de comprar um carro desses e tê-lo na garagem, para voltinhas ocasionais? mas o sprinter amador que quiser ter uma bicicleta exatamente igual à specialized s-works/sram que mark cavendish usou na vitória da primeira etapa do giro d´italia hoje, sábado, 4 de maio de 2013, bastará se organizar financeiramente. não é um veículo inacessível aos mortais. é cara? sim, mas não inacessível.

quer uma? vai gastar uma bela grana, mas é uma bike possível.

quer uma? vai gastar uma bela grana, mas é uma bike possível.

esse é o dado interessante. mais de uma vez celso anderson, um dos proprietários da anderson bicicletas de são paulo, representante da cannondale no brasil, citou que há clientes que chegam com dinheiro trocado e compram a bicicleta ali pendurada que é do mesmo modelo daquela do campão dessa ou aquela competição.

eu mesmo uso na minha bike de audax um garfo que veio com ela, um garfo colnago que nos anos 90 fez história na paris-roubaix.  uma peça inacessível? não. foi cara quadno primeiro dono a comprou. mas usou muito e me repassou. sim, equipos usáveis pelos mortais.

a bicicleta é acessível e usável.  e sim, a cultura da bicicleta tem um pé no esporte, e o esporte tem um pé no transporte.  subir o tourmalet ou uma rua com traçado mal-planejado numa grande cidade, são sempre subidas.  sprintar para chegar primeiro numa prova ou para escapar do ônibus que vem acelerando da alça de acesso da ponte da marginal, de qualquer forma, faz as pernas arderem e o coração sair pela boca… escapar de pedras, pedalar na marcha correta para o pneu não patinar, desviar da lama, pode tanto ser numa prova de MTB ou nas ruas enlameadas num dia de chuva em são paulo….

a relação é íntima entre o esporte e o transporte. talvez por isso seja tão lúdico aquele trajeto entre a casa e o trabalho, a escola…

sim, se esporte é saúde, transporte por bicicleta também o é. então aproveitemos a temporada de grandes voltas. esse mês, a partir de hoje, por 3 semanas, o giro d ´italia. disponível na espn, na RAI, e em diversos sites na internet. logo mais pra frente, o tour de france. e, fechando a temporada, a vuelta de españa.

então acompanhe essas provas e outras. aprenda mais sobre a bicicleta e sua cultura. e aprenda que as roupas de ciclismo tem uma função, e não é fazer o ciclista parecer boiola ou mais másculo. na bicicleta, a forma segue a função. deixe os seus preconceitos de lado, vá ouvir uma boa música sobre bikes e acompanhe as corridas. e aprenda a respeitar eddy merckx, o barão canibal.

(em tempo, pérola da transmissão de hoje. celso anderson comenta que antes duma subidinha, os ciclistas desfaziam-se do desnecessário, jogavam fora as caramanholas: “eles tão jogando fora as caramanholas, pra quem não sabe o que é isso, tá chegando agora, é aquela garrafinha de água“)

 

 

 

 

 

Anúncios

9 Respostas para “bicicleta: esporte e transporte

  1. Bom dia!
    Aiuto!
    Estou a comprar a minha 1a. bici e, pesquisando, descobri o teu blog. Muito legau. Fora os comentários paulatinos sobre o cromoly, que no início me ganharam p o material.
    Pois bem, comecei olhando fixas, me interessei muito por uma Linus e depois uma Airwalk (mais em conta).
    Depois, descobri que “apanharia na subida e na descida”, cf. um vendedor de loja de bicis. Aí tive que mudar o foco p as c marcha – sempre achei > 20 marchas um pequeno absurdo, mas agora começo a entender a utilidade.
    Quando ando em SP, tipo no Ibira, c a bici do cunhado, vou trocando as marchas aleatoriamente haha. Ah, é regra eu atropelar uma criança lá :S
    Pois bem, parti em busca das híbridas-commuters, são as que mais se encaixam no que estou procurando. Aro 700c, pneu 32-35mm, 2X marchas, quadro Al ou cromoly, sem susp., geometria mais p a clássica.
    Conheci a Spec. Globe Work 1 ($ 1800) e curti muito, por pouco não comprei (Al A1).
    Agora, há uma semana tenho lido muitas postagens do teu blog, aprendi bastante… sobre cromoly! haha E outrax coisax.
    Pois bem, resumindo, estou a ponto de comprar uma Kona Dew City 2012. Parece-me ótima! (É a minha 1a. bici!) Sou de PoA. Quadro Al 7005, 700x35c, tubo sup. inclinado, comps. Shi-Mano-san etc.
    http://2k12.konaworld.com/asphalt_commuter.cfm?content=dew_city#2
    Essa está cerca de $ 1800 tb. Fiz uma comparação c a Spec. Work 1 e ganhou em praticamente todos os itens. Poderia tecer um P comentário acerca dela?
    O vendedor da loja tentou me convencer a comprar uma Spec. Sirrus, $ 2800, dei uma voltinha nela ontem, bem boa… Mas por esse preço, passo. US$ 620 lá… ^^
    Fico c a impressão que a Spec. tem uma boa margem de lucro, deve investir em publicidade e cobra mais pelos seus produtos…
    Li maravilhas a respeito da Kona… e em 2013 a Dew City saiu de linha… agora a de entrada é a Dew. Trocaram p Al 6061 em toda a linha. Acho que li tb que algum outro comp. tb baratearam. Então cheguei no ponto de ser quase um no-brainer.
    O que você me diz? Qual vai ser a batida do bis?
    Agradeco de antemao…
    Abrax,
    Gustavo

    • as kona são boas bikes, pode comprar sem medo. essa é uma boa commuter, mesmo sendo em alumínio. deixe para usar cromoly mais para frente, depois de afinar o gosto pelas bicicletas.

  2. Meu Ogro favorito!

    Seus posts estão mantendo um nível bem elevado. Parabéns!

    E pra não dizer que vim de mãos abanando, um artigo sobre a transformação do cidadão em consumidor, segundo as necessidades do capital.

    Espero que seja útil.

  3. Ogro, off-topic:
    Acha viável fazer longa distância em fixa/single gear?
    Achei uma excelente pra trazer: http://www.wabicycles.com/index.html

  4. Blz, vou ver no que dá 🙂

  5. muito bom, tiro o chapeu, nunca tinha entendido direito esse sentimento q tenho por pedalar, acho q agora cheguei mais perto!
    abraço

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s