paris-roubaix: o que suas bicicletas nos ensinam?

colnago c40, modelo que foi produzido de 1994 a 2003. talvez a bicicleta que mais tenha vencido a paris-roubaix.

colnago c40, modelo que foi produzido de 1994 a 2003. talvez a bicicleta que mais tenha vencido a paris-roubaix.

paris-roubaix, que nesse ano se realizou hoje, é uma das mais desconfortáveis clássicas (provas de um dia) do planeta.

há outras clássicas com trechos de paralelepípedos. la doyenne é uma. mas, enquanto na bélgica os trechos de paralelepípedos (pavés, cobllestones…) são estradas muito antigas e alisadas por séculos de trânsito, na frança essas estradas vão sendo substituídas por asfalto e então novos trechos são criados pra prova. ou seja, com pedras novas… pontudas ainda!

a bicicleta chacoalha. e muito. então, tudo tem que ser reforçado. tudo é diferente. não vemos uma bicicleta dessas no tour de france. não vemos uma bicicleta dessas no giro. mas vemos nas clássicas. embora a c40 tenha estreado numa vuelta de españa.

o que faz uma estradeira ser boa para provas como a paris-roubaix e outras, e apareçam bastante em gran-fondos, em brevets ao redor do mundo?

a geometria relaxada. uma estradeira de geometria relaxada é muito mais confortável, e, portanto, aguenta-se ficar mais tempo sobre ela, mesmo em condições de pavimento ruim. perde-se um pouco em desempenho, mas quem vai fazer 200 kms, sendo amador, sendo que não mudará sua vida se chegar 1 ou 2 minutos depois de outra pessoa, conseguir ficar em cima da bicicleta é tudo de bom! hehehe

uma bicicleta de competição, pura, pode não ser a melhor escolha para um ciclista amador. o profissional está calejado, roda de 100 a 200 kms por dia, tem dieta balanceada, tem apoio médico, massagistas e etc. até bermudas melhores tem.

e o amador? amador não tem nada disso. amador tem até uns quilinhos a mais…e daí o equipo de corrida, de competição, o equipo esportivo puro pode não ser o melhor para ele. um exemplo é o equipamento com limite de peso. há bicicletas com limite peso do ciclista limitado a 70 kg. mas quantos ciclistas amadores não pesam bem mais que isso?

e também há a limitação de tempo de uso. o equipamento de competição top é feito para durar uma ou duas temporadas. mas qual o amador que joga fora uma bicicleta bem cara após dois anos e compra outra?

e claro, voltemos ao conforto. olhe a foto da colnago c40 lá em cima. note o espaço entre a roda traseira e o tubo vertical do quadro. note o cassete com pinhões pequenos… note que a corrente está na coroa menor da pedivela, que é quase do tamanho da coroa maior.

esta bicicleta não foi feita para subidas, não tem marchas para subidas e claro, aquela traseira longa deve flexionar um bom tanto. mas a geometria privilegia conforto, que num trajeto como o da paris-roubaix, também significa desempenho. bicicletas confortáveis passam mais rápido em paralelepípedos.

se esse quadro da colnago c40 for equipado com pedivela compacta ou tripla, e um cassete com pinhões grandes (11-28, ou, pq não, câmbio traseiro de mtb e 11-34?) teremos uma senhora bicicleta para se usar nos brevets de estradas ruins, como em geral são as estradas brasileiras. basta também deixar o guidão um pouco mais alto, para uma postura mais ereta (mais confortável, ninguém aguenta guidão 10 cms mais baixo que o selim por 17 horas de pedal…).

spcialized roubaix sl4 que tom boonem usaria esse ano, se não tivesse se arrebentado há uma semana.  note a traseira mais longa.

specialized roubaix sl4 que tom boonem usaria esse ano, se não tivesse se arrebentado há uma semana. note a traseira mais longa.

claro, não só esses detalhes fazem uma bicicleta boa para trajetos ruins. outros detalhes também, como pneus ligeiramente mais largos, aros mais resistentes (na paris-roubaix usam tubulares, mas em aros de alumínio e seção quadrada em diversas bicicletas!) , e até detalhes incomuns em bicicletas das lojas: uma pecinha que eiva que a corrente caia para dentro da coroa menor, e não raro um monte de fita emborrachada nos suportes de caramanhola para que estas não pulem ao se passar rapidamente pela buraqueira!

trek domane 6 series. comuma dessas preta, grupo dura-ace 9000 mecânico e pneus de 27mm, fabian cancellara venceu a paris-roubaix de 2013

trek domane 6 series. com uma dessas preta, grupo dura-ace 9000 mecânico e pneus de 27mm, fabian cancellara venceu a paris-roubaix de 2013 – note a traseira mais longa

mas a questão: precisa ter  uma bike pronta pra paris-roubaix pra se fazer audaxes? não. apenas precisa não ter o fetiche pelo equipamento de competição que vemos nas revistas. precisa ter a mente aberta para outras necessidades: geometria mais relaxadas, pneus mais largos, encaixe pra para-lamas…

pois sim, para-lamas são ótimos em bicicletas para audaxes. já foram equipamento obrigatório no paris-brest-paris, não são mais, mas são desejáveis.

para-lamas para quê, né?

para-lamas para quê, né?

muitos quadros de alumínio da linha de entrada de diversos fabricantes têm geometrias confortáveis e olhais pra tudo quanto é lado, pra prender para-lamas, bagageiros e etc.  tem brasileiro que não entende que, nos e.u.a. e europa, essas bicicletas são muito utilizadas em brevets e centuries (provas de 100 e 200 milhas). e claro, se você mora me locais úmidos, ter para-lamas ou não será a diferença entre conseguir pedalar debaixo daquela chuva ou não…

sim, o seu melhor quadro para audaxes pode ser um antigo quadro trek 1200 ou 1.2, um quadro giant defy, um quadro surly cross-check ou pacer, um quadro specialized dolce… e claro, se seu apelido é “a lenda”, vá com qualquer bicicleta que você chegará lá.

em tempo: vídeo da paris-roubaix de 2013.

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Uma resposta para “paris-roubaix: o que suas bicicletas nos ensinam?

  1. Só um extra sobre paralamas: naquele estudo publicado no bicycle quarterly sobre os equipamentos no Paris-Brest-Paris de 2007, percebeu-se que a maioria dos ciclistas que não terminaram a prova por “problems with feet, knees, Achilles tendon, seat and overall cold/hypothermia” eram os que estavam sem paralamas, ou com paralama em uma roda só. E, dos que estavam com dois paralamas, ainda assim alguns não usavam paralamas completos que cobrem toda a roda, e sim ‘clip-on fenders’, e estes se mostraram também bem menos eficientes pra evitar o ‘spray’, que parece ser a causa dos problemas relacionados acima e, consequentemente, do não-término da prova.

    Vale a pena a leitura:
    http://www.bikequarterly.com/BQPBPEquipsurvey.pdf

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