o ovo da serpente – atropelamentos, racismo, homofobia…

quanto adolf eichman foi julgado em jerusalém, pelo poder judiciário israelense, por seus crimes de guerra, hannah arendt cobriu o julgamento e cunhou a expressão “banalidade do mal”.

a bicicleta de david santos de souza, na faixa onde ocorreu o atropelamento. à esquerda, na foto, a marca de sangue onde seu corpo caiu.

a bicicleta de david santos de souza, na faixa onde ocorreu o atropelamento. à esquerda, na foto, a marca de sangue onde seu corpo caiu.

a sociedade israelense da época via em eichmann um monstro, arendt viu nele um burocrata eficiente, que com zelo efetuava com sucesso as ações nefastas determinadas por seus superiores. eichamann apenas perseguia metas, com fazem executivos em empresas… mas a morte pode ser meta empresarial? se a morte é banal, aí sim…

o ciclista e o pedestre estão banalizados como coisas no trânsito das cidades brasileiras. como cones de sinalização, que podem ser derrubados sem maiores danos para o carro.

quem pedala ou caminha pelas cidades brasileiras está acostumado já ao descaso do motorista. motoristas respeitam faixa de pedestres? não.

esse é um grande exemplo da banalização do “foda-se o outro” que reina nas grandes cidades. obstáculo. buzina-se, para que aquela coisa, ciclista ou pedestre, suma da sua frente… se atropelado, que não cause muitos danos…

hoje o estudante de psicologia alex siwek, 22 anos, embriagado, às 5:30 da manhã, atropelou o ciclista e limpador de fachadas david santos de souza, 20 anos, que dirigia-se a um prédio nos arredores do hospital das clínicas em são paulo, onde escalaria a fachada e a limparia.

david teve o braço arrancado, que caiu dentro do carro do atropelador, que estava com pelo menos mais um acompanhante. o atropelador riu do atropelado, segundo testemunhas. evadiu-=se do local. ao perceber o braço dentro do carro, jogou-o num córrego, impedindo sua reimplantação.

depois apresentou-se à polícia.

notem aí a banalidade do mal.  tal qual ricardo neis, que em porto alegre, irritado com cilistas à sua frente, atropelou 17 pessoas pois achava que estas obstruíam sua passagem, alex siwek achou-se no direito de largar o atropelado lá, e livrar-se daquele pedaço de seu corpo como se cotidianamente se faz com dejetos, com lixo: jogando num rio…

sim, o ciclista foi tratado como coisa. acaso não é assim que tratam os ciclistas nas cidades grandes como são paulo?

ouse dizer que não quem possa apontar uma estrutura efetiva de transporte para as bicicletas, numa cidade como são paulo.

não falo de estrutura de lazer. ciclovia dentro de parque, ciclovia que liga o nada a lugar nenhum, ciclo-faixa provisória, ciclovia com horário de funcionamento, isso não conta.

procure estruturas efetivas que permitam um pedestre ou um ciclista atravessar com segurança as pontes sobre os rios tietê, tamanduateí ou pinheiros. não existem.

pontes sem calçadas e sem vias separadas para ciclistas, necessárias dada a barbárie de motoristas sobre elas. e mais, nenhuma forma de atravessar as alças de acesso. nenhuma placa de “pare”. nenhuma faixa de pedestres, ou mesmo um semáforo para parar os veículos que venham das alças ou elas acessem.

pois ciclistas e pedestres são coisas, não são objeto de políticas efetivas de trânsito. o máximo coisas-consumidores, e objeto de políticas de markenting, como a dita ciclo-faixa dominical, que mais deseducam do que educam, como bem notou o filósofo renato janine ribeiro, em texto que pode ser lido nesse link.

é fato, não somos ciclistas apenas das 7 hs às 16 hs dos domingos. somos ciclistas em outros dias, em outros horários… e nesse outro tempo, o que somos? coisas. sujeitos a atropelamentos com mortes, com omissão de socorro. eu mesmo já passei por isso, sem maiores sequelas felizmente. mas digo que ser atropelado e xingado logo em seguida, estando ainda no chão, é algo assustador, traumatizante.

mas para quem me atropelou e fugiu, eu er a uma coisa que marcou seu carro. como tantos ouros atropelados por aí. por isso atropeladores fogem sem prestar socorro, mais preocupados consigo próprios que com aquele ser vivo que acabou de sofrer a sua violência.

esse é um princípio básico do nazi-fascismo: há uma parcela da população que é coisa. que não tem direito a viver e, se vive, é por mera tolerância do grupo hegemônico. assim, vive se não “atrapalha”. mas não tem direitos. portanto, se estiver na frente, pode ser atropelado. pode perder a vida, ou partes do seu corpo.

notem que alex siwek, como descrito nos links do post anterior, atropelou, fugiu. deixou o outro ou os outros ocupantes do carro em casa, e então foi “livrar-se” do entojo: o braço de david santos de souza, que foi jogado num rio, em vez de ser levado para ser reimplantado.

de que adiantam os avanços da medicina se estes não são acessíveis aos mais fracos? se o socorro é negado?

pois é. aí está o ovo da serpente: achar que o outro não é merecedor da mesma atenção que nós mesmos mereceríamos. preocupar-se mais com as provas do próprio crime que com a situação de quem foi violentado. não é diferente de outras manifestações de nazi-fascismo no brasil, com do deputado que se diz pastor marcos feliciano, que afirma que vai receber negros e gays como se fossem pessoas normais.

percebem aí a relação com atropelamentos em massa coo feitos por ricardo neis em porto alegre, ou essa violência perpretada por alex siwek, com as declarações de marcos feliciano?

em todos esses atos e falas, o outro é inferiorizado. não tem direitos, no máximo é tolerado. não é gente, embora às vezes seja tratado como se fosse…

um nazi-fascismo estrutural: ciclista, negro, gay, mulher, tudo coisa. seus gritos de socorro são vistos apenas como coisas que incomodam, como gritos de pessoa histérica. pessoas que apenas dão trabalho… assim, vítimas de violência doméstica não recebem socorro. mulheres vítimas de estupro são culpabilizadas pelo crime que sofrem. negros que clamam por chances iguais de estudo são ridicularizados. cilistas que ousam pedalar fora do período dominical de 7 às 16 hs são atropelados e quase mortos…

é esse ovo da serpente que está por trás de cada grito que ouvimos nas ruas: “vai pra calçada, f.d.p.!” “sai da rua!”, “vai pra ciclovia!”, “vai morrer!”…

ou seja, se ousar exercer seus direitos como cidadão e alguém que faz parte do trânsito, é ameaçado, quando não morto.

todo ciclista coleciona historinhas de ameaças. de impropérios. de “finas educativas”. de assédio. o mesmo acontece com pedestres. quantos pedestres não são atropelados nas faixas?

racismo, anti-semitismo, homofobia, misoginia e o descumprimento reiterado e intencional de regras de trânsito são apenas faces diferentes do mesmo fenômeno: o sentimento nazi-fascista generalizado.

“tem que morrer!” – essa é a frase do nazi-fascista. ciclista tem que morrer, negro, gay, pedestre… como se o mundo ficasse melhor sem essas pessoas, cujo crime foi apenas existir e querer existir.

claro, isso se reproduz na administração pública. na cegueira da administração pública da existência dessas pessoas. governos que ignoram populações inteiras. como a CET de são paulo, que insiste para que ciclistas não pedalem na paulista, mas pelas estreitas vias próximas… como se fossem apenas pessoas a passear, e não pessoas a transitar. avenida paulista é trajeto de tráfego de ciclistas por demais óbvio, como bem descreve william cruz nesse link.  mas como a CET está cega para o tráfego dessas pessoas, não os vê como cidadãos,  manda-as para outras ruas… está preocupada apenas com o fluxo de veículos, não de pessoas… como eichamnn.

o outro que não existe. o outro que incomoda. o outro que não merece viver. manifestações do ovo da serpente. alex siwek é mais um dos nazistinhas que pululam pelo brasil. como ricardo neis. como marcos feliciano….

esses são os banalizadores do mal. não são monstros, ao contrário do que muitos pensam. mas frutos de uma estrutura inteira. criados desde pequenos para ver o outro como coisa. ouvindo discursos de superioridade. da supremacia do privado sobre o público. ouvindo um discurso de uma sociedade dividida entre nós, os bons, e eles, os que não devem viver…

é aí que negros e gays podem se tratados “como se fossem” pessoas comuns, como disse o deputado marcos feliciano. é aí que os ciclistas da bicicletada de porto alegre podem ser atropelados em massa. é aí que o braço de david santos de souza não era parte de um ser vivo, a ser reimplantada, mas apenas uma prova dum crime, a se livrar dela…

esse é o ovo da serpente. a indiferença pelo sofrimento alheio, e o desejo de eliminá-lo. isso foi o que permitiu hitler na década de 30 ascender ao poder e depois iniciar sua política de extermínio.

verdadeiros monstros são doentes mentais. essas pessoas não são doentes mentais, não são monstros. são pessoas perversas, isso sim. e elas são muitas. e é isso que assusta. e muito. mas que sejamos mais numerosos que eles. um dia seremos.

 

 

 

 

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34 Respostas para “o ovo da serpente – atropelamentos, racismo, homofobia…

  1. Reblogged this on Shauan de Bicicletae comentado:
    Sem mais…

  2. Não se trata de categorizar pessoas, motoristas de um lado e os demais do outro. Lembre-se que em São Paulo existem vários ciclistas que transitam pelas calçadas sem se importar com os pedestres. Trata-se de uma questão maior, respeito!

    • Ciclistas andam em calçadas por medo de motoristas como Alex Siwek. Em ruas seguras não há ciclistas nas calçadas. Primeiro ruas seguras daí, e só daí, se pode reclamar de ciclistas nas calçadas. E então, quantos pedestres foram mortos por ciclistas nas calçadas, ou em faixa de pedestres? Cickistas não gostam de calçadas, esburacadas, mal tratadas. Mas is que nela andam, é por medo.

      • Calçada não é lugar para o trânsito de bicicletas, é o que se prevê na lei. Aqui no meu bairro, alguns ciclistas andam à uma velocidade incompatível com o razoável em uma calçada, colocando em risco a integridade física dos pedestres (eu já vi uma senhora sendo acertada por um desses irresponsáveis). Por isso que reforço que se trata de questão de respeito. Existem motoristas e ciclistas que respeitam as leis e os direitos de outrem. Existem motoristas e ciclistas que não.

    • Depende, Mau. O CTB prevê a possibilidade de compartilhamento de calçadas entre pedestres e ciclistas, se o poder público municipal assim estabelecer.

      E mesmo sem estabelecer, por bom-senso se a calçada for larga e vazia o suficiente para ter uma bicicleta em cima, tudo bem – desde que numa velocidade compatível com o pedestre.

      Sobre isso, há a Interpretação de Barcelona. Quando começou a expandir sua vida cicloviária, a Prefeitura de Barcelona se perguntou: “Por que Tokio consegue ter dos maiores transitos (e cultura) cicloviarios do mundo, sendo o Japão o único país a estabelecer que bicicletas preferencialmente devem estar nas calçadas e não nas ruas?”

      A pergunta cabe bem em Barcelona porque como Tokio tem ruas realmente estreitas (dos bairros medievais) paralelas e perpendiculares a avenidas hausmanianamente largas (e com calçada no miolo da avenida e não apenas nos bordos: são as ramblas).

      A resposta de Barcelona foi: pode, sim, desde que numa velocidade de até 10km/h (a de um pedestre correndo) e estando sempre na borda, entre os pedestres e o carro (ou o meio-fio).

      Aproveito pra dizer que este é um dos problemas em Salvador, tambem rica em ruas muito estreitas (mas por causa de seu desenho moçárabe): o Campo Grande, enorme praça cívica em frente ao Teatro Castro Alves, verdadeiro parque de quase 4mil metros quadrados de área entre bairros nobres e pobres do centro da capital baiana, tem placas de “proibido pedalar”. São rigorosamente absurdas: o Campo Grande é um atalho natural, e pacificador, entre 4 avenidas importantes do Centro (Corredor da Vitória, Avenida Sete de Setembro, Araújo Pinho no Canela, e Rua Direita do Forte de São Pedro); tem sempre crianças brincando (inclusive de bicicleta) e skate pacaramba. Sempre uso o Campo Grande como atalho, raras vezes sou parado por Guardas Municipais (por PMs nunca!), e quando acontece explico a eles o absurdo urbanístico que é isso (já que as aleias do Campo Grande são enormes, mais largas que as largas avenidas que o contornam), que se eu não estivesse alí eu estaria numa avenida de dimensões bastante inapropriadas e motorizadas; que minha velocidade é perfeitamente combatível com a segurança das aristocraticas velhinhas que por ali andam (e que nunca reclamam de mim); e que sim, se ele vir um ciclista correndo ou treinando, tem todo meu apoio de para-lo, mas não é o caso de quem está usando como transporte ou das crianças que lá brincam.

      E a coisa se resolve assim: pelo comum, num diálogo de 5 minutos.

      • Reitero: mesmo que o Campo Grande fosse rodeado das melhores ciclovias segregadas do mundo, ninguem deixaria de usar suas calçadas como atalho cicloviário. Ao contrario, talvez este uso aumentasse (já que o numero de usuarios aumentaria).

        Então, o discurso de “usa-se a calçada por medo/ignorancia/falta de infraestrutura” nem sempre é valido. É preciso avaliar cada condição geográfica em particular.

      • Lucas, é claro que quando me referi ao não trânsito de bicicletas, estava me baseando na regra geral. Deixando de lado a sua imprecisão sobre a quem compete autorizar a circulação de bicicletas sobre as calçadas, vejamos o que diz a lei : “ desde que AUTORIZADO e DEVIDAMENTE SINALIZADO…será permitida a circulação de bicicletas nos passeios”. Tudo muito bem, e, cumpridos tais requisitos, não há que se olvidar da legitimidade da ação, visto que, todos os pedestres que ali passarem, estarão avisados de que no determinado local passarão ciclistas, garantindo assim uma boa e segura circulação para todos.
        Seu principal fundamento para defender o trânsito de bicicletas pelas calçadas, fora dos casos da RESSALVA acima mencionada, é o bom-senso. E o que é o bom-senso? Por acaso o seu bom-senso é igual o meu? É igual ao do homem médio? Como eu, Mauricio, posso confiar no seu bom-senso para guiar minhas atitudes em uma calçada e evitar ser atingido por você em uma bicicleta? Veja que esta cláusula aberta, bom-senso, abre espaço para uma interpretação extensa que depende das convicções pessoais de cada um. Utilizando essa expressão é possível dizer por exemplo : “São Paulo tem carros demais, é muito perigoso para uma bicicleta transitar pelas ruas, os ciclistas deveriam ter bom senso de não circular com elas pelas ruas” ou “Bicicletas só atrapalham o trânsito, não são meios de transporte, lugar de bicicleta é no parque”; todas expressões ABSURDAS justificadas pelo “bom-senso”. É por isso que a lei garante o espaço e os direitos dos ciclistas, para que ninguém possa cerceá-los com base no bom-senso.E a mesma coisa faz a lei no que diz respeito aos pedestres.Ocorre, que faltam ainda boas políticas públicas de fiscalização e conscientização dos direitos e deveres de todos os sujeitos do trânsito, e por tal, ciclistas e pedestres acabam ficando desprotegidos perante a superioridade física dos carros, e a pretensa preferência que os motoristas creem que têm(esta muitas vezes justificadas no bom-senso)sobre todos.
        Caro Lucas, eu entendo que a lei não pode ser utilizada para aplicações irrazoáveis, não sou um positivista sem sentimentos, mas não dá para esperar que todos os ciclistas tenham o mesmo bom-senso que o seu de transitar apenas em passeios que comportam pacificamente ciclistas e pedestres e com uma velocidade adequada.(acho que neste caso, caberia ao poder público, cientificando-se de que o local aportaria pedestres e ciclistas, promover imediatamente a autorização e sinalização da área para o trânsito de ciclistas). Portanto, creio que a Lei deva ser respeitada, de modo a garantir a segurança de todos os sujeitos do trânsito, impedimento o arbítrio do “eu acho que é meu direito”. Assim garantiremos não só a segurança das aristocráticas, mas também das plebeias senhoras que pela calçada tranquilamente transitam.
        Finalmente, quero lhe agradecer pela educação com a qual expôs seus pensamentos. Apesar de comigo discordar, discutiu apenas ideias de forma muito respeitosa. Pode parecer exagero meu agradecimento, mas hoje em dia na internet isto é raro de se encontrar. Não concordo com você, mas tem o meu respeito, e realmente acredito que você não deva causas problemas à nenhum pedestre com sua bicicleta pela calçada.Um abraço.

        OBS : não responderei à sua outra resposta por falta de interesse de agir. Não me tenho aqui a pretensão de discutir hermenêutica das normas, apenas gostaria de defender os direitos dos pedestres também.

      • Caro Lucas, é claro que quando me referi ao não trânsito de bicicletas, estava me baseando na regra geral. Deixando de lado a sua imprecisão sobre a quem compete autorizar a circulação de bicicletas sobre as calçadas, vejamos o que diz a lei : “ desde que AUTORIZADO e DEVIDAMENTE SINALIZADO…será permitida a circulação de bicicletas nos passeios”. Tudo muito bem, e, cumpridos tais requisitos, não há que se olvidar da legitimidade da ação, visto que, todos os pedestres que ali passarem, estarão avisados de que no determinado local passarão ciclistas, garantindo assim uma boa e segura circulação para todos.
        Seu principal fundamento para defender o trânsito de bicicletas pelas calçadas, fora dos casos da RESSALVA acima mencionada, é o bom-senso. E o que é o bom-senso? Por acaso o seu bom-senso é igual o meu? É igual ao do homem médio? Como eu, Mauricio, posso confiar no seu bom-senso para guiar minhas atitudes em uma calçada e evitar ser atingido por você em uma bicicleta? Veja que esta cláusula aberta, bom-senso, abre espaço para uma interpretação extensa que depende das convicções pessoais de cada um. Utilizando essa expressão é possível dizer por exemplo : “São Paulo tem carros demais, é muito perigoso para uma bicicleta transitar pelas ruas, os ciclistas deveriam ter bom senso de não circular com elas pelas ruas” ou “Bicicletas só atrapalham o trânsito, não são meios de transporte, lugar de bicicleta é no parque”; todas expressões ABSURDAS justificadas pelo “bom-senso”. É por isso que a lei garante o espaço e os direitos dos ciclistas, para que ninguém possa cerceá-los com base no bom-senso.E a mesma coisa faz a lei no que diz respeito aos pedestres.Ocorre, que faltam ainda boas políticas públicas de fiscalização e conscientização dos direitos e deveres de todos os sujeitos do trânsito, e por tal, ciclistas e pedestres acabam ficando desprotegidos perante a superioridade física dos carros, e a pretensa preferência que os motoristas creem que têm(esta muitas vezes justificadas no bom-senso)sobre todos.
        Caro Lucas, eu entendo que a lei não pode ser utilizada para aplicações irrazoáveis, não sou um positivista sem sentimentos, mas não dá para esperar que todos os ciclistas tenham o mesmo bom-senso que o seu de transitar apenas em passeios que comportam pacificamente ciclistas e pedestres e com uma velocidade adequada.(acho que neste caso, caberia ao poder público, cientificando-se de que o local aportaria pedestres e ciclistas, promover imediatamente a autorização e sinalização da área para o trânsito de ciclistas). Portanto, creio que a Lei deva ser respeitada, de modo a garantir a segurança de todos os sujeitos do trânsito, impedimento o arbítrio do “eu acho que é meu direito”. Assim garantiremos não só a segurança das aristocráticas, mas também das plebeias senhoras que pela calçada tranquilamente transitam.
        Finalmente, quero lhe agradecer pela educação com a qual expôs seus pensamentos. Apesar de comigo discordar, discutiu apenas ideias de forma muito respeitosa. Pode parecer exagero meu agradecimento, mas hoje em dia na internet isto é raro de se encontrar. Não concordo com você, mas tem o meu respeito, e realmente acredito que você não deva causas problemas à nenhum pedestre com sua bicicleta pela calçada.Um abraço.

        OBS : não responderei ao seu outro comentário. Não tinha como intenção discutir hermenêutica das normas, apenas de argumentar em favor dos interesses dos pedestres.

  3. Isso aí é a ponta do iceberg. Essa ‘coisificação’ do ser humano não acontece só na hora de um ato violento, mas também em inúmeras outras situações. Até mesmo em um relacionamento: usa-se e depois joga fora, como se uma pessoa fosse um objeto descartável.

  4. porém discordo do último parágrafo. Dizer que ‘doentes mentais são monstros’ soou meio hitlerístico, e por aí dá para sentir como é tênue a linha que nos separa dessas pessoas. Um pequeno escorregão e estamos no mesmo patamar

  5. Esse texto podia ir fácil para a promotoria, nem que fosse como um anexo à denúncia (existe isso ?!)

  6. fiquei assustado com este acontecimento monstruoso. por desgraça prova que a vida do nosso próximo, independentemente de estar sobrio o bebado, consciente o inconsciente, não vale nada. neste caso não existiram barreiras nem qualquer consciencia e limites. parece um faroeste. o problema está em que a vida perante a lei parece valer menos que pagar impostos ou problemas trabalhistas, onde se va para prisão. mato uma pessoa, tenho habeas corpus. um exemplo bom é o caso do edmundo, que quase 10 anos atrás matou, negligentemente, bébado, 3 pessoas em um accidente de carro, e nunca foi para prisão. se chora muito, mas não existe consciencia, se olhar no espelho e ter vergonha na cara. abs

  7. mauvidigal. em todos os meus comentarios preconizo que nos os ciclistas temos que respeitar as leis de tránsito. também para ser reconhecidos e respeitados como participantes das estradas. paro no farol vermelho. quando cruzo a faixa de pedestre desco da bicicleta e ando. acho, que as ciclofaixas a pesar dos seus defeitos de funcionamento e localização estão dando uma aula de civismo aos participantes e melhorando a consciencia dos ciclistas, porque forçam aos participantes a seguir as regras de tránsito.

    neste caso o que parece, que quem não respeitou nenhuma regra foi o motorista e não o cicilista. peor, parece que estava se divertindo. justifíca?! não! tudo tem um limite! tem que saber quando parar!

    • Sim, o motorista parece estar totalmente errado no caso em voga. Não disse que TODOS os ciclistas não respeitam às leis de trânsito, mas apenas que alguns não respeitam. Fico feliz em ouvir que ainda existem pessoas, iguais a você, que cumprem as leis. Nunca podemos perder de vista que as leis de trânsito tem como fim maior a proteção das pessoas, e que, sendo todos iguais, devemos seguir as normas para garantir um trânsito seguro para todos, sejam motoristas, ciclistas ou pedestres.

      • a questão é o fetiche com o “seguir a lei”, por um lado, e do outro a “reivindicação de direitos”.

        Ora, a Gramática dos Direitos nada garante (salvo a geração de dívida: o cumprimento cego, e acrítico, da Lei – o que, convenhamos, nesse caso não passa de servidão-voluntária). O que garante algo é a condição material de produção de vida, que eu chamo da Gramática da Conveniência (a partir de uma leitura marxizante da célebre máxima de São Paulo Apóstolo aos Romanos).

        Enquanto vocês não mudarem de sintaxe, vão estar aplicando reguas erradas a uma semântica diferente, e portanto deixarão de enxergar o que seria de outra forma óbvio.

  8. Faltou lembrar que motoristas também morrem! Se existe uma minoria de ciclistas que anda nas calçadas e prejudica os outros, é também a minoria dos motoristas que não respeita ciclistas.
    Colocar todos os motoristas na mesma classe, e começar com essa conversa de NÓS (todos os ciclistas, heróis e bonzinhos) contra ELES (todos os motoristas vilões e assassinos), também é uma característica do nazi-fascismo, é desqualificar o adversário é tomar o grupo pelo indivíduo.
    Podemos rir e criticar todos quando queremos, mas quando um programa de TV quer nos criticar atacamos tinta neles, e achamos isso o máximo!

    Amigos, Cresçam.

  9. E na semana que vem, todos terão esquecido o atropelamento e a cena bizarra que o motorista causou…
    Porque aqui em São Paulo não temos memória ou preferimos esquecer os acontecimentos passados!
    Se fosse diferente, a Av. Paulista seria um exemplo de compartilhamento viário, pois as mortes da Marcia e da Julie não teriam sido em vão…

    • Amigo, infelizmente, “crime” de trânsito não é visto como crime. Só para citar um caso de muita repercussão local: uns universitários, embriagados, amararam uma cachorra comunitária ao para choque e rodaram em alta velocidade até a mesma ficar estraçalhada. Só por curtição.
      Depois de pagarem a fiança, nunca mais viram as grades, nem com empenho do ministério público, testemunhas etc.
      Hoje, estão por aí, ganhando dinheiro (são abastados). São pessoas respeitáveis dentro da nossa sociedade doentia.

  10. Há uma medida que poderia ser adotada de imediato, por ser absurdamente simples.

    E ainda que não evitasse o que aconteceu nesse último domingo, poderia ter evitado as mortes de Márcia Prado e Julie Dias, e vir a dar muito mais segurança para pedestres, ciclistas e até motoristas que circulam no caos denominado Av. Paulista.
    Há muitos anos a Renata Falzoni defende a redução da velocidade máxima, na Av. Paulista, de 60km/h para 40km/h.

    Não só aos domingos, durante a ciclofarsa, mas de segunda a domingo, 24hs.

    Monstroristas respeitam mais o radar fotográfico, com medo de multas, do que a preciosidade da vida humana, isso é fato!

    É uma medida absolutamente factível, que poderia ser implementada imediatamente e a custo quase zero. E ainda que não fosse integralmente respeitada, certamente abriria o debate para a reflexão acerca dos limites de velocidade nas vias urbanas de intensa utilização.

    E é muito pouco, diante de tudo o que vem acontecendo, mas é algo importante.

  11. Mauvidigal, falar em “obedecer cegamente às leis” num momento onde as vítimas fatais da imprudência, da crueldade e do desprezo são quase exclusivamente pedestres e ciclistas é defender a cômoda posição de quem não está na alça de mira.
    As leis existem e devem ser obedecidas por princípio, porque são (teoricamente) fruto de consenso da sociedade em arbitrar direitos e deveres, mas esse consenso é dinâmico. Se elas não estão servindo ao objetivo fundamental, DEVEM ser revisadas, DEVEM mesmo ser totalmente modificadas.
    Ciclista nas calçadas HOJE, É MEDO de morrer ou ficar mutilado. Você vir aqui pedir que TODOS obedeçam a lei sem considerar as consequencias que cada parte causa ou sofre quando desobedece a lei é não se colocar no lugar de quem tem perdido muito, muitas vezes a vida.
    Reitero a pergunta que todo ciclista do cotidiano faz, me mostre as estatísticas, os números “avassaladores” das vítimas de ciclistas atropeladas em calçadas ! (reveja aí essas suas convicções, porque você só vai encontrar números assustadores sobre motoristas assassinos e não sobre ciclistas, não é?)
    Essa mesma pergunta eu devolvi a um tenente, comandante de viatura da PM que, dois dias depois do assassinato da Juliana Dias na Av Paulista, me interpelou sobre “porque nós ciclistas andávamos em calçadas, enfim, também não éramos santos” . Ele se calou, pensando.

    Márcio Campos

  12. Um poema:
    Maldição

    Maldito o dia em que Diesel
    maquinou o motor macabro
    que te gerou, invenção abominável,
    mais corrupta, mais criminosa
    até mesmo que a câmera,
    monstruosidade metálica,
    desgraça e ruína da nossa Cultura,
    mal dos males de nosso Bem Comum.

    Como ousa a Lei proibir
    o haxixe e a heroína
    e permitir teu uso, que incha
    todos os egos fracos e inferiores?
    Teus viciados apenas fazem mal
    às suas próprias vidas: envenenas
    os pulmões dos inocentes,
    teu ronco faz tremer os serenos,
    e por estradas sufocadas centenas
    devem morrer todo dia ao acaso.

    Técnicos sagazes, deveriam
    abaixar suas cabeças de vergonha.
    Seu engenho faz grandes milagres,
    aterrissou homens na Lua,
    substituiu cérebros por computadores,
    e forjou uma bomba “inteligente”.
    É um escândalo gritante
    que não dediquem tempo
    ou se deem ao trabalho de criar
    aquilo que nossa sanidade exige:
    uma carroça elétrica suave,
    sem cheiro e sem barulho.

    *

    A Curse – W.H. Auden
    retirado daqui: http://blasonaria.blogspot.com.br/2012/08/maldicao.html

  13. E o idiota do prefeito Fernando Maldad diz que deseja jogar os ciclistas para “ruas de menor trafégo” (Estado de São Paulo de hoje, Caderno 2). É, basta deixar ciclista girando em círculos em uma vilinha fechada, resolvido o problema!

    • Olha, a afirmação de Hadad, apesar de cheia de equívocos, não é nenhum despautério urbanístico, convenhamos. Vocês paulistas como sempre reclamando de barriga cheia: atentem que talvez vocês tenham o único prefeito de capital neste país que não sofre de analfabetismo geográfico, leu Milton Santos além da orelha, e difere, com Henri Lefebvre, moradia de habitação (e sabe, portanto, que mais moradia pode ser menos habitação porque habitação depende de produzir cidade diversa, e não mero teto com gente dentro).

      Cuidado pra na ansia ressentida de vocês não jogarem oportunidades de ouro fora, como fizeram com Marta.

      P.S.: Não, não sou PTista, longe disso. Mas também não sou idiota por não ser PTista…

      • eu discordo da afirmação do haddad. é sim um desconhecimento do que seja andar de bicicleta em são paulo, nos arredores da paulista. a paulista é a única via plana, e com espaço para carros desviarem de nós. e reta. as demais tem altos e baixos, interrupções, valetas, e carros não desviam por pura falta de espaço. 2 mortes e um atropelamento de ciclistas na paulista não se deram por problemas urbanísticos, ou por ser a avenida, em si, perigosa. nas duas mortes houve ação criminosa de motoristas., cuja possibilidade de intencionalidade é aventada. nesse atropelamento, temos alguém dirigindo alcoolizado e fazendo zigue-zagues. são 3 situações fogem completamente do trânsito comum. basta o prefeito aplicar o CTB, e todos os problemas de ciclistas na paulista sumirão.

      • Através do poder mágico da punição legal, né Odir?

        Qualquer episódio de violência urbana é, em primeiro lugar, um problema urbanístico sim. Que requer soluções urbanísticas sim (que no caso pode ser ciclovia segregada na Paulista, pode ser redução de velocidade como quer a Falzoni, etc) – Jane Jacobs mandou te lembrar…

  14. Exatamente, ogum.
    Óbvio que o ideal, mais seguro e mais vantajoso, do ponto de vista do utente do meio de transporte, seria sempre percorrer vias vazias e tranquilas, independentemente de o veículo ser trator, trenó, cavalo ou automóvel.
    Entretanto, essa é uma hipótese cerebrina, que não cabe a gestor público algum sequer cogitar – a não ser um inepto como nosso prefeito.
    A solução é esta que sugere: aplicar o CTB e preservar os cidadãos que, agindo legitimamente, desejem utilizar-se de bicicleta.
    E Lucas, bastaria ler e ouvir muito do que escreve e diz o Maldad para perceber que o analfabetismo dele não se resume ao domínio ruim de nossa língua – requisito mínimo para quem ostenta título de “dotô”, francamente.

  15. Desculpe a sinceridade, mas não gostei do texto. Esse texto faz generalizações injustas e imprecisas. Vide a parte em que diz “motoristas respeitam faixa de pedestres? não.” Sou motorista, pedestre , ocasionalmente, ciclista. Sei meu lugar em cada uma dessas condições. É óbvio que o motorista tem que respeitar o ciclista, o pedestre, o outro motorista, não dirigir embriagado. Mas esse texto tira totalmente a responsabilidade dos ciclistas e pedestres, que eles possuem SIM, e grande parte dos acidentes são causados pela irresponsabilidade destes. Não estou querendo inocentar o motorista bêbado e monstro que não prestou socorro. nada justifica isso. Mas será que o ciclista tinha razão de estar na faixa da esquerda da Av. Paulista, no escuro? Será que a bilicleta tinha iluminação, como é obrigatório? Será que ele usava capacete? Não sei. Claro que, mesmo se não usasse nada disso, não justifica a atitude do motorista. Mas eu mesma, como motorista, já passei por diversas situações de quase acidente, e acredito que todo motorista em São Paulo já passou. Quem nunca teve que dar uma freada brusca para um pedestre desatento fora da faixa? Ou desviar de um ciclista vindo na contra-mão ou passando no foarol vermelho? Nào adiantas jogar toda a culpa no carro. As pessoas tem responsabilidade pelo veículo que dirigem, seja ele carro, bicicleta, moto, ou nenhum no caso dos pedestres. Pedestres e ciclistas não são “cones”, como sugere o texto, e também não são pobres inocentes. Somos todos responsáveis pelo cuidado no trânsito, principalmente em uma cidade como São Paulo. Textos como esse só reforçam o comportamento de ciclistas e pedestres ignorantes, que se acham no direito de fazerem o que quiserem, só porqe não têm uma placa para serem multados. Mas esquecem do mais importante que têm a perder: a vida. Minorias e mais fracos precisam ser defendidos? Sim, mas tanto quanto as maiorias. Não adianta falar de direitos dos gays, das mulheres, dos negros, dos ateus, dos pedestres. Tem que se falar em direitos iguais e humanos, sem distinções ou preconceitos.

    • o motorista invadiu uma área legalmente impedida aos carros. tudo o que vc levantou é irrelevante. é como atropelar alguém numa calçada. a área estava separada do fluxo de carros, por um agente público habilitado para tal. cone não é apenas uma pecinha de borracha, é um mobiliário urbano. nada do que vc cita, sob hipótese alguma, alivia a culpabilidade de alex siwek.

    • Alvissaras! Finalmente alguem lembrando que motoristas maus prudentes são os que têm maior lexico e cardapio diverso ( e não os que são punidos): andam a pe e de bicicleta, alem de dirigir.

      Vale pra ciclistas: os que fazem transporte pedestre e eventualmente dirigem tambem pedalam melhor, obvio.

    • Desculpe, mas o CTB nao exige luz em bicicleta não. Até deveria, mas não exige. E passando das suas duas primeiras linhas, retiro o elogio que fiz: começa um discurso motorcrata e carrodependente que ignora as proprias leis…

    • Filha, não pense nem em seres humanos, pense nos animais, ok…. vc já viu oq muuuuitos motoristas fazem para não atropelar um animal? Graças a Zeus que nunca estive nessa situação, mas um amigo meu, por diversas vezes, quase morreu freiando loucamente em rodovias para evitar que atropelasse um animal, isso com carreta atrás dele.. veja só o cuidado e respeito que muita, mas muuuita gente tem com os animais… pq não ter o mesmo respeito com os seres humanos? Muitas vezes vc deve colocar até a sua vida em risco para proteger o outro, ainda mais quando o outro está numa posição mais vulnerável! Quantas pessoas fazem isso??? Poucas! Mas proteger um cachorro solto na pista todo mundo protege, né? Nada contra isso, aliás, sou totalmente a favor disso, mas pq não ter a mesma atitude com as pessoas???

  16. É esse ressentimento todo de vocês, colocando a todos como vítimas algozes, que leva Sampa City a crise moral em que está. Nem tucanos nem petistas seriam capazes de tanto…

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