a falta de visão dos governantes brasileiros

esse post no site “vá de bike” merece ser lido com atenção. ele traz dados importantes sobre o impacto da adoção de políticas públicas de incentivo ao uso da bicicleta com transporte em cidades grandes. são dados da inglaterra.

ciclofaixa na rua joão sacavem, em navegantes-sc

ciclofaixa na rua joão sacavem, em navegantes-sc

pois bem. o governante brasileiro em geral é muito despreparado. afinal, ele vem  do sistema escoalr brasileiro, por ele foi formado, e a escolaridade brasileira em geral é muito omissa em formar cidadãos. forma indivíduos, alguns extremamente competentes, mas cidadãos não.

cidadão é que vive na cidade. é quem vive na pólis. quando aristóteles definiu o homem como animal político, zoon politikon, ele referia-se ao cidadão, aquele que exerce a política que é a administração da pólis.

ou seja, aquele que vive nas cidades, vê as cidades, percorre as cidades, interfere nas cidades. e tem os olhos abertos a isso.

mas o brasileiro em geral, e o sul-americano em geral, não se reconhecem no estado, na organização estatal. talvez por que a organização estatal luso-hispânica tenha sido imposta aos locais, indígenas oprimidos, africanos escravizados, brancos degredados.

o jeitinho, que não é exclusividade brasileira, mas sul-americana, nada mais é do que a estratégia de sobrevivência na carência e na opressão. a esperteza do mais fraco tentanto achar seu minúsculo espacinho ao sol.

ora, toda a população é assim, e não seria diferente com seus governantes, que não são extra-terrestres, mas pessoas que vêm dessa mesma população.

o individualismo, a cegueira, o enxergar nada além do próprio umbigo, o perguntar-se o tempo todo “o que eu ganho com isso?” é a marca da idiotia generalizada.

então, não é de estranhar que o imaginário nacional esteja focado num hedonismo cego. é só prestar a atenção nas músicas que tocam nas rádios. a grande maioria dessas músicas tratam apenas de prazeres individuais, sejam de sexo, amor ou paixão, são semrpe sentimentos individuais. e fazem um sucesso extremo….

temas relacionados a questões sociais e econômicas, ou seja, que tratam de outras pessoas, tratam dos grupos, das coletividades, de minorias e maiorias, são sempre vistos como espinhosos… “política e futebol não se discute!” é o que sempre se fala por aí.

ora, a lógica individualista é a da solução individual, sempre individual, dos problemas. há criminalidade? carros blindados! cercas elétricas! seguranças! no máximo, polícia! pau nos bandidos!

mudanças de fato estruturais que impliquem na redução das causas criminogênicas não são pensadas, até por que podem implicar em algumas mudanças não muito desejadas… vide o elogio constante à vida na europa, ou no exterior em geral, mas, obviamente, sem os ônus que essa outra forma de viver nas cidades europeias impõe. nesse sentido, é bom ler esse texto. todomundo que roupa de primeiro mundo mas não quer perder a empregada doméstica, a diarista….

ora, o governante não seria diferente. é óbvio que o governante vai carregar sua carga cultural que influenciará suas escolhas no governo das cidades, dos estados, da união.

escolhas, escolhas, essas o governante sempre as faz. nenhum ato é neutro, é preciso lembrar sempre, e o governante precisa ser lembrado disso constantemente.

no caso de são paulo, é possível perceber o quão toscamente a cidade foi administrada em termos de trânsito até o final de 2012. ora se começa nova adminstração, e algumas mudanças são esperadas, mas é cedo para avaliar a nova gestão.

mas é fato que até 2012 a cidade teve funcionando uma Companhia de
Engenharia de Tráfego com funcionários extremamente eficientes mas a companhia em si muito ineficiente. não é um paradoxo. é só lembrar que a CET mal tem 4 mil funcionários, e se houver 1500 fiscais o erientadores nas ruas, é muito… e são paulo tem pelo menos 17 mil kms de vias!

assim o marronzinho se desdobra, trabalha nas folgas, se mata, mas a CET mal dá conta do centro expandido….

já quando observamos outras cidades, vemos medidas eficientes sendo tomadas. um exemplo é a cidade de navegantes, em SC, que possui cilo-faixas permanentes que funcionam!  simplesmente se um carro parar em cima da ciclo-faixa é guinchado, multado e etc.

a ciclofaixa não é apenas uma faixa colorida no chão, é separada da via dos carros por tachões e  há fiscalização.

em são paulo foi feito um arremedo de ciclofaixa na região de moema….

um outro ponto comum às políticas públicas urbanas de incentivo ao uso da bicicleta é a racionalização dos trajetos propostos. ciclovias sehias de curvinhas desnecessárias, como as que comumente aparecem nas parcas ciclovias paulistanas são logo abandonadas em detrimento do uso da via rápida e direta oferecida pelo uso da rua ao lado.

amsterdam tonrou os caminhos dos carros mais longos que os da bicicleta…. são paulo quer fazer exatamente o contrário…. vide o mapa de ciclorrotas, vide as ciclovias mal feitas e cheias de curvinhas nas avenidas brás leme e sumaré….

a avenida sumaré é um exemplo. é o caminho mais lógico para um ciclista que estrja transitando de pinheiros ou vila madalena para a região da barra-funda e/ou vice-versa. quem vai desviar pela rua aimberê, cheia de subidas? quem vai suar a calçada central, cehia de curvas, depois que perdeu o medo de transitar pelo canto da moto-faixa?

mas o governante, cego, não vê isso. não entende que o ciclista urbano usará sempre o caminho mais plano e  mais curto, mesmo que atulhado de carros.

é fato, o governante só acerta em políticas para o uso da bicicleta quando retira espaço do carro. assim é na cidade de santos-sp, onde as ciclovias comeram parte do asfalto usado pelos carros, e funcionam relativamente bem. assim é em diversas cidades. mas em são paulo, até agora, não.

é fato, o número de ciclistas só aumenta. o fenômeno é mundial. e nenhuma política pública que leve em conta o uso efetivo da bicicleta por trajetos racionais de fato surtirá efeito. e tirar o espaço do carro é sim necessário.

quem sabe assim possamos colher os mesmo frutos que o reino unido colheu. que nossos governantes sejam menos obtusos.

 

 

 

 

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4 Respostas para “a falta de visão dos governantes brasileiros

  1. excelente texto (mais uma vez) !

  2. Melhor frase

    “forma indivíduos, alguns extremamente competentes, mas cidadãos não”

  3. Perfeito esse texto.

    Esse costume da sobrevivência egoísta já deu o tempo de passar…

    O que era pela sobrevivência, o jeitinho latino-americano, hoje é pelo simples conforto como ter a empregada e andar de carro… Nenhuma necessidade apenas conforto…

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