surly na estrada

essa é minha surly long haul trucker, em sua primeira grande viagem.

carregada, foto tirada em navegantes-sc.

carregada, foto tirada em navegantes-sc.

muita gente quer saber sobre o desempenho dessa bike. já escrevi sobre ela, quando ainda não a possuía, num post cheio de infos técnicas.

mas vamos a um relato do seu uso.

meu quadro está montado com grupo shimano deore, menos a pedivela, mais simples e de ponta quadrada, também shimano, e os trocadores, que são shimano deore LX. está com 27 marchas, cassete 11-34 atrás e pedivela ultra compacta: 42-32-22.

o guidão trekking é alemão. o selim é um brooks b-17 special, com couro verde agora quase preto e os detalhes acobreados já escurecidos. o selim está amaciado.

na frente um bagageiro simples, e atrás um bagageiro zéfal, marca também dos pára-lamas.

pois bem. a bicicleta é sim confortável. tanto que estou me dando ao luxo de viajar usando pneus kenda kwest de 1,25 pol, finos e, portanto, menos confortáveis (mas que andam bem no asfalto). a geometria da bike compensa. com pneus de 2 polegadas ela fica mais lenta, mas todos os buracos do mundo desaparecem.

estou no meio de uma viagem pelo litoral catarinense. peguei algumas subidas, não muitas mas algumas muito cascudas, inclinadas e com asfalto ruim, entre porto belo, bombinhas, bombas e zimbros.

a bicicleta é muito estável, mesmo com bastante peso atrás. isso se dá em razão da traseira mais longa, que coloca o ciclista mais à frente da roda traseira e assim diminuindo aquele efeito de dianteira leve demais que temos em algumas mountain-bikes com muito peso nos alforjes. lembrando que entre o eixo da roda traseira e o eixo da pedivela a surly long haul trucker tem 46 centímetros, ao contrário dos 43 cms padrão das mtbs ou 40,5 ou menos das speeds.

a traseira longa também aumenta o conforto, consideravelmente. e a caixa do movimento central é baixa, ao contrário das mountain-bikes, que possuem essa caixa mais alta para que os pedais fiquem  mais altos e não peguem tanto em obstáculos no chão. a caixa do mov. central baixa acaba por abaixar o centro de gravidade da bicicleta, pois uma parte considerável do peso do corpo está apoiado nos pedais.

a caixa mais baixa facilita bastante o equilíbrio, assim desgastando menos o corpo ao final do dia.

claro, há todos aqueles detalhes que gostamos em viagens: 3 suportes para caramanholas, bomba encaixada no suporte e bem firme, pontos para instalar os bagageiros e para-lamas, espaço para pneus de até 2,1 pol + para-lamas…

mas nem tudo é o céu. por privilegiar o conforto, a bicicleta é lenta em subidas. bem lenta. efeito esse da traseira longa. não é uma bicicleta para grandes sprints, ou para pedaladas em pé. mas para aquele paciente giro com uma coroa bem pequena e um pinhão bem grande… portanto, em marchas bem curtas. sobe-se sentadinho, girando, girando, girando e girando mais um pouco, então gira-se mais, pedala-se, gira gira, gira….

ela se presta bem ao seu uso: longas viagens, afinal é uma touring.

recomendo a quem estive flanando nos e.u.a nessas férias pensar num quadro desses (ou faça um parente mais abastado trazer!). ou em outros modelos parecidos, como a thorn sherpa. boas turings tem sempre as mesmas características: traseiras longas, quase sempre usam aro 26 (facilmente encontrado em qualquer lugar do mundo, com farta oferta de aros, câmaras, pneus e etc) e multiplicidade de formas de montagem: guidão drop, guidão reto, guidão trekking, alavancas de quadro, sti´s, trocadores de guidão reto, pedivelas pequenas grandes, com coroas grandes ou pequenas, câmbios de MTB, de speed, freios tipo v-brake, freios cantilever e etc…

na foto acima ela está com meus antigos e bem rodados alforjes da poc, uma mochila häglefs sueca de uns 20 anos atrás e uma roll bag da alforjaria da priscila moreno.

recomendo a roll bag: prática pra dedéu. cabe muita coisa, na minha estão 3 câmeras, espátulas, jogo de ferramentas completo e mais ferramentas que levo só de reserva e kit de remendos. e pilhas de reserva para as luzes. embora eu tenha evitado pedalar à noite, e, portanto, estou com aquele bronzeado tipo sorvete napolitano, típico dos ciclistas…

 

 

 

 

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16 Respostas para “surly na estrada

  1. Po, bombinhas é maravilhoso, bato cartão sempre que posso, mas ainda não levei minha bike pra lá. Não sei se vc lembra, te pedi umas dicas de garfo de cromoly, juntei suas dicas e pesquisei mais um pouco e acabei importando um surly corrigido pra 80mm, to ansioso pra chegar.

    Boa viagem,

  2. Que bom que vc gostou! Fico feliz. 🙂

  3. Para quem vai pra lá, vc acha melhor trazer o quadro, ou a bike completa? É fácil montar o resto aqui?

  4. Uma curiosidade, você não tente falta de um guidão drop quando rola um vento mais forte? Pela foto seu guidão tá bem alto.

    • não sinto falta pois o guidão não está muito alto. se vc olhar bem, verá que a parte baixa do guidão, que está quase na vertical, é bem mais baixa que o selim. e nas tourings, precisamos de posições mais altas. e com vento contra, a postura pouco importa, pois os alforjes são freios aerodinâmicos bem eficientes….

  5. Ela é tamanho 50 ou 52 cm? parece que o recuo do canote ta bem acentuado.

    • ela é 50, mas tem mais de 52,5 de comprimento. E eu tenho pernas muito longas pra minha altura, toda bike minha tem recuo senão a ponta do joelho ultrapassa o eixo do pedal. Tentei usar o selim mais pra frente, mas não deu, e um quadro maior seria muito mais longo, forçando meu ombro. Nesse fit ela está absurdamente confortável. Tenho só 1,70 de altura, pra 83 cms de cavalo.

  6. Ola Ogum, a minha LHT tambem é tamanho 50. A minha ta montada com grupo SHIMANO ALIVIO. pneus maxxis cross mark 1.95. selim brooks b17 narrow.aro alex rims dh19. canote uno s raf sem recuo. mesa ritchey 6gr/110mm. sapata freio kool stop eagle 2. aqui vai uma dica p/quem vaitrazer um qadro SURLY LHT: trazer tambem o SHIMANO shift boss flat stop barrel ( sao passadores de cabo de cambio fixado no tubo inferior).aqui no brasil é mais facil encontrar perna de cobra do que esses passadores de cabo. PS: a minha bicicleta SURLY LHT e o qudro da minha ex-bicicleta SPECIALIZED HARD ROCK ULTRA sao os unicos patrimonio que tenho. um abraço.

    • Hehe, esses terminais nós achamos edses terminais em lojas que venfam speeds. Eu moro bem perto de uma ótima loja, nunca tive dificuldade de achar essas coisas. Mas é fato que não é facil achar.

  7. oi, só por curiosidade, qual um peso bom de uma bicicleta pra turismo (sem os alforges ou carga)?

    • olha, luciano, a minha pesa uns 13 kg. uma bicicleta de cicloturismo tem que ser resistente, não necessariamente leve. até por que ela tem acessórios que normalmente uma mountain bike não tem: um guidão maior (guidão trekking ou drop), pára-lamas, bagageiros, luzes… e claro, a carga carregada dilui o peso. claro, há a póissibilidade de fazer o credit-card touring, com uma bagagem bem leve – só roupas – e usar uma bicicleta bem mais leve. há quem, nos e.u.a., prefira usar uma speed mais relaxada com um bagageirinho e uma bolsa de uns 20 litros, só com muda de roupas e etc, ficando em hotéis e comendo em restaurantes. assim não precisa carregar muito peso.

  8. Ola, voce passou algum anti-ferrugem na parte interna do tubo do quadro?

  9. Ola Odir, o PEDIVELA e o ALIVIO M 411? o movimento é 113 ou 118 mm?

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