cromo-molibdênio

aço. aço é uma liga de ferro e carbono, com esse último variando de 0,008 a 2,11%.

surly ogre

a tecnologia do aço está sendo desenvolvida pelos humanos desde a idade do ferro. essa tecnologia foi empregada em armas, construções, máquinas diversas…

e por fim, em variações bem leves, na estrutura dos aviões e nos quadros de bicicleta.

nessa mistura de ferro e carbono, são adicionados outros metais que dão características bem específicas a essa liga. alguns aços são resistentes à oxidação atmosférica. ou seja, não formam aquela camadinha oxidada, alaranjada, que chamamos de ferrugem.

são os aços inoxidáveis. normalmente eles possuem um percentual de 8% em média de outro metal, o cromo.

mas uma liga específica, que é constituída de ferro, carbono, cromo e molibdênio tem características bem interessantes: por ser muito resistente, permite que se faça uma peça tão resistente quanto uma outra peça de aço carbono, usando de metade a um terço de material.

traseira de hetchins magnun opus ultralite

se usamos menos material, o peso será menor. assim, podemos fazer um tubo cuja parede tenha 1mm de espessura, em aço carbono, com a resistência X. podemos fazer um tubo em aço cromo-molibdênio com a mesma resistência X usando paredes de 0,5mm ou menos. terá a mesma resistência mas será mais leve, pois usa menos material.

se for feito na mesma espessura, de paredes, 1mm, o tubo feito em aço cromo-molibdênio será muito mais resistente que o tubo de aço carbono. mas resistente a quê? a cargas. resistente a quebra por fadiga. e mais resistente à corrosão (embora não inoxidável) que o aço carbono.

essa liga, conhecida também como aço 4130, cromo-molibdênio, cromoly, chromoly, cr-mo, e etc, foi e continua sendo muito utilizada na indústria aeronáutica e para fazer quadros de bicicleta.

como a tecnologia do aço é dominada há milênios, também está amplamente disseminada. assim, em qualquer lugar há uma máquina de solda e um soldador que seja capaz de reparar, mesmo que porcamente, esse material.

os quadros das bicicletas acompanharam, na sua feitura, a evolução do uso dos materiais. não à toa, muito antes dos carros de fórmula 1, foram feitos quadros de outro materiais, como alumínio, titânio e mesmo fibra de carbono e outros materiais plásticos.

cada material tem suas vantagens e desvantagens: plasticidade, preço, resistência, durabilidade…

a mim, e a diversos outros ciclistas ao redor do mundo, o equilíbrio entre qualidades e defeitos encontra-se no aço cromo-molibdênio (e em algumas de suas variantes). houve uma época, até os anos 80, em que os quadros de aço cromo-molibdênio reinaram nas competições. mas logo o alumínio, o titânio e a fibra de carbono se impuseram nas competições, deixando o aço cromo-molibdênio de lado. à mesma época, em razão do uso mais exigente em relação à resistência e à resiliência, o aço cromo-molibdênio reinou nas mountain-bikes mas foi substituído pelo alumínio tratado em novas ligas (p. ex., liga 7005), e hoje pela fibra de carbono. mas no reino do cicloturismo e da longa distância não competitiva (randonnées) e de bicicletas feitas sob medida, o aço cromo-molibdênio e suas variantes (ligas diversas, como cromo-molibdênio-vanádio) reinam. não há o que o substitua nesse mundo.

um exemplo dessa permanência é a marca surly, que faz quadros com aço 4130, de dupla espessura nos tubos principais, provavelmente usando tubos reynolds 520 – fabricados pela subsidiária asiática da reynolds, empresa que fabrica ótimos tubos de cromo-molibdênio e de outras ligas aparentadas.

não são os quadros mais leves do mercado, mas são os que possuem maior número de particularidades que permitem pendurar coisas, prender coisas no quadro, coisa desnecessária em competições mas ultra-necessárias no cicloturismo.

basta observar um quadro surly long haul trucker, que possui olhais em tudo quanto é lado, para prender pára-lamas e bagageiros, dianteiros e traseiros, separadamente, além de 3 locais para aparafusar os suportes de caramanhola, suporte para a bomba de ar de quadro, e ainda por cima no chain stay esquerdo um pequeno luxo: abinhas para prender 3 raios de reserva. tente achar uma bike de fibra de carbono com esses detalhes.

o outro detalhe que gosto muito do aço cromo-molibdênio é a resiliência, ou seja, a flexão que absorve impactos e retoma a forma anterior. isso faz com que absorva bem os impactos.

por fim, a possibilidade de se desentortar o que foi entortado. um quadro de alumínio que tenha o triângulo traseiro entortado num atropelamento nunca será recuperado. um quadro de aço pode ser recuperado, como de fato já aconteceu comigo, com uma specialized hardrock 1999 (quadro todo em aço cromo-molibdênio), cujo quadro foi realinhado e ficou ainda mais alinhadinho que quando saiu da fábrica…

por isso é possível se trabalhar com uma medida intermediária nas gancheiras. cubos de estrada usam espaço de 130mm, cubos de MTB usam espaço de 135mm, e alguns quadros de aço cromo-molibdênio usam o espaço de 132,5mm, que permitem que sejam montados com essas duas medidas.

se fabricado o quadro com cachimbos, teremos uma estrutura extremamente resistente. e claro, com um aspecto estético muito bonito, dependendo de como foi feito, de que cachimbos foram utilizados.

que  o aço cromo-molibdênio é o material dos mais resistentes e trabalháveis para se fazer quadros e garfos de bicicleta, dúvida não há. basta ver a quantidade de bicicletas para bmx, flatland e etc feitas nesse material. são bicicletas que sofrem esforços muito grandes, e duram mais se feitas em aço cromo-molibdênio.

claro, podemos ter bicicletas ótimas em outros materiais. eu mesmo adoro minha litespeed com quadro de titânio e garfo em fibra de carbono. também acho que bicicletas de competição devam ser feitas sim de fibra de carbono. se competisse, venderia até um rim para ter uma bela bicicleta de fibra de carbono, de ponta, alguma italianinha, com certeza. uma colnago ou pinarello!

mas não sou competidor, sou apenas um baixinho pesado que gosta de bicicletas resistentes e duráveis. portanto não é de estranhar que minhas bikezinhas sejam belezinhas que sobraram da última grande leva do aço cromo-molibdênio do início dos anos 90.

quer me deixar feliz? me mande aquele quadro parado, que usa caixa de direção standard, que eu terei prazer de montá-lo com minhas pecinhas antigas. e ele voltará a rodar por aí.

40 Respostas para “cromo-molibdênio

  1. Sou louco pra ter uma MTB com quadro de chromoly!!! Você sabe se alguém representa a Surly aqui no Brasil ?

    A propósito o post foi bastante educativo!

    • não há representação da surly aqui no brasil. quem tem deu algum jeito de trazer de fora, de modo que a conta sai umas 2 vezes o preço de lá. mas tem muito quadro de mtb de cromo no brasil. a questão é garimpar e não ter medo de usar a caixa de direção standard. tubos de cromo são bem resistentes, então não precisam de medida over. uma boa caixa standard se acha no mercado, é só caçar. algumas bikes mais antigas usam algumas medidas meio exóticas no canote, tipo 26.8, mas nada que não se compre pelo correio também, e é questão de ter 2 canotes, um na bike e outro de reserva, e se pode pedalar bem por décadas.

  2. A TREk 820 é uma boa opção OGUM777? O quadro parece ser bom mas o grupo shimano é fraco (depois troca).
    Você recomendaria?

    Grato

    William

  3. Ogum777, gostaria de te apresentar o final da restauração que fiz numa legítima italiana Grandis (tubos Columbus Over Max) e cheia de histórias e emoções. Como faço pra lhe enviar as fotos e se quiser, a história também? Abraços.

  4. preciso criar uma conta no facebook, muitas pessoas já me cobraram. Vou providenciar.

  5. como faço para reconhecer um quadro de aço cromo-molibdênio?

  6. amigo, como saber se um quadro é de cromo? alguma dica?

    • olha, depois de feito, fica difícil. mas normalmente quadros de cromo são ligeiramente mais leves do que congêneres de aço carbono, por usarem tubos com paredes mais finas. mas muito quadro vendido por aí como inteiramente de cromo molibdênio é quadro misto, como triângulo principal ou apenas o tubo vertical em cromo, e o resto em aço carbono. é o caso dos quados hardrock da specialized. os da trek, nós sabemos pois a trek tem todos os catálogos disponíveis on line, e em geral os quadros de mtb da trek que têm cabeamento pelo tubo superior são inteiramente em cromo, e os que têm cabeamento pelo tubo inferior são mistos. isso vale pras treks dos anos 90. quadros treks de aço tb são facilmente identificados, pois todos eles possuem a marca da trek em relevo, só um modelo em toda a história da trek não tinha, e é uma speed cachimbada dos anos 70.

  7. Olá amigo, gostei muito do seu post. Recentemente achei um quadro jogado em uma oficina, achei a geometria bonita e fui estudar o assunto. Na sua gancheira ou ponteira (parte onde é fixado o câmbio traseiro) tem o nome RITCHEY gravado, a pintura não é mais a original. O dono da oficina não sabia nada do histórico do quadro, ele só disse que um gringo deixou a bike para fazer manutenção e nunca mais voltou para pegar. Já pesquisei no site da Ritchey pelo numero de série e não encontrei nada a respeito, na verdade não sei se a Ritchey terciarizava só essas pecinhas como ganheira, tubo de direção e tubo do eixo central para outras fábricas. Se possível mande seu e-mail para que eu possa lhe enviar fotos do quadro, preciso de ajuda para descobrir a origem do quadro. Estou muito curioso para descobrir. Abraço

    • vc não especificou se é um quadro de mtb ou estrada. se de estrada, observe detalhes como furação pra suporte de caramanhola: apenas no tubo inferior, anos 70 pra trás, nos dois tubos, anos 80 pra cá. 126mm de espaçamento traseiro tb é característica do início dos anos 80 pra trás. caixa over é dos 2000 pra cá em speeds. se mtb, se slooping, é da metade dos 90 pra cá. se temtodo o cabeamento passando pelo tubo superior também é dos 90 pra cá. se tem ambos os cabos de câmbios passando por baixo, ou é dos 90 pŕa trás, ou é quadro e baixa gama, que normalmente não era feito com gancheiras ritchey. ritchey fez alguns quadros, mas fez muitas partes de quadros pra outros fabricantes. deve ser um quadro americano. quadros trek tem a marca em alto relevo. observe também como passam os cabos pelo tubo superior: se por cima, por baixo do tubo superior – com as GTS inconfundíveis pelo 3º minúsculo triângulo. specialized e trek passavam por cima desse tubo. raleigh pela lateral direita. olhe também pra ver se tem terminal pra cantilever, e a medida da caixa de direção, se standard ou over.

  8. A caixa de direção é over, o quadro é MTB, os cabos passam por cima do tubo superior e tem uma espécie de reforço (ou cachimbo como chamam) no tubo onde entra o canote e o mesmo tubo onde entra o canote antes de chegar no eixo central (Pedivela) vai engrossando. A traseira e a ponteira é identica ao modelo P-20 da Ritchey porém tem entrada para cantilever e o parafuso que imprensa o canote não é na junção da traseira com o tubo superior e sim como nos quadros mais comuns.

    • tente procurar pelo tipo de numeração. mas a chance de ser um quadro de produçãobem pequena é grande. quadro over cachimbado que não seja trek são bem raros. a forma como os números estão grafados também pode indicar algo.

  9. ok!!! Tem dois números embaixo do tubo do eixo central, um de cada lado: (B-0222) e o outro (MT93090530), já ví no site dos quadros produzidos pela Ritchey e não encontrei. Lá diz que os modelos são separados por letras e mais o numero de produção do quadro, mas não encontrei o correspondente ao meu. Mas vou dar mais uma pesquisada, vlw.

  10. não é mongoose, não é trek, não é gt. pode ser specialized. pode ser raleigh. foi fabricada em taiwan, na fábrica da merida, que fabricava pra deus e o mundo…

  11. Ok… Obrigado pela ajuda !!! Ví alguns fóruns americanos e encontrei uns 3 caras na mesma situação que a minha (compraram um quadro pensando que era ritchey por que tinha o nome gravado na ponteira) mas os quadros são diferentes do meu, e percebi que é difícil mesmo encontrar a origem, mas por eliminação fica fácil deduzir!!! Vlw

  12. Olá galera saudações a todos, estou muito interessado em descobrir que tipo de aço o quadro da minha bike foi construido e gostaria de saber também a respeito da marca dele afim de saber se possui produtos de confiança. É um quadro kombat modelo fixie 1011

  13. Comprei uma Trek 850 ontem. Ela é muito leve. No quadro tem adesivos “Full Frame Cro-Moly”. Não encontrei a marcação em alto relevo “Trek” no quadro. Tudo nela é original, menos o pneu. Como faço prá saber o ano do quadro? A pintura está cheia de arranhões e lascados, alguém tem alguma dica de como restaurar a pintura? É uma Mountain Track!

    • olha, nas gancheiras talvez vc ache o símbolo da trek. ou então na caixa do movimento central. tem como postar a foto dela aqui? se tiver, posso tentar ver o ano pela pintura.

      • Leonardo Guatimosim

        Já tinha procurado bem… nem nas gancheiras e nem no triângulo traseiro tem o logo em alto relevo. Aqui não consigo colocar imagens. Se puder me add no whatsapp te mando todas as imagens: 22 981325767. Abçs

  14. Estava pesquisando sobre quadros de aço cromo-molibdênio e encontrei este post sobre o assunto. Comprei há mais ou menos um ano, um quadro James modelo Dakota fabricado em 1998. Gostaria de saber se esse quadro e full cromoly?

  15. Tem uma etiqueta com a seguinte informação “Reynolds 631”.

    • olá, provavelmente esse quadro é todo em reynolds 631, que é uma tubulação da reynolds que inclui além do ferro, é obvio, carbono, cromo, molibdênio, cobre e manganês. é uma das variações da liga 4130 que a reynolds produz, acrescentando outros componentes. pode ser que seja apenas o triângulo principal nessa liga, e a traseira feita em 4130. em todo caso é um bom quadro.

  16. Ola Ogum, recentemente comprei uma monark positron 1980. Você sabe me dizer se o quadro deste modelo é em cromoly?

    aqui tem uma foto dela… não é uma obra de arte mas dá pra ter uma idéia do que se trata

    https://onedrive.live.com/redir?resid=a090dcc8defba18c!19421&authkey=!AMn01B3NOrxDHwA&v=3&ithint=photo%2cjpg

  17. O quadro de aço chromo é perfeito, além de resistente, como o melhor custo benefício, e tão leve quanto o alumínio. Deveriam fabricar quadros de aço chromo para speed modernas, inclusive criar uma categoria para esse tipo de bicicleta, quem tem uma bike deixou de utiliza-las a muito tempo em competições, ficaram jogadas, usadas em passeios recreativos de finais de semana ou ciclo turismo, gosto muito desse tipo de quadro, mas aqui no Brasil sua fabricação artesanal é muito cara, além de ser difícil achar peças em cromo polida, só importando.

  18. ola amigo tudo bem ? tem um amigo meu querendo me vender uma all terra por 500,00 vale a apena ?

  19. Boa noite colega, tenho um vizinho que tem uma bicicleta parada há anos na garagem, marca NISHIKI modelo galaxy terminator se não me engano, ela sequer possui ferrugem, e o grupo dela é todo shimano, porém mais antigo, um acera X de 21 velocidades. Pelo que andei lendo ele é todo em cromo. Minhas dúvidas são a seguinte, hoje o quadro usa uma suspensão rst 156 bem fina, creio que esse quadro seja standard, mas as borrachas da suspensão estão rachadas pois ressecaram, o que seria recomendado, tentar arrumar tal suspensão, colocar um garfo rígido, que verifiquei ser difícil de encontrar. Pesquisei até a possibilidade de trocar o tubo frontal (serrar) e soldar um over. Ele quer vender essa bicicleta por R$500, a relação dela está em perfeito estado, como quase nova. Gostaria deixar ela com 27 velocidades, mas verifiquei que gastaria muito, em torno de R$500. O que recomendaria? Gostaria de ideias para saber o que faço, se compro ou não e quais modificações seriam as melhores?Obrigado.

    • esse preço está bom. mesmo usando caixa standard, vc pode achar algum garfo usado no mercado livre, ou mesmo novo, pois sempre aparecem garfos em aço carbono.pesam em torno de 1,2 kg e cumprem bem esse papel.

  20. Tem um quadro, de cromo, que estou reformando para usar em um bike híbrida. Após lixar encontrei um trinca. Quero saber se posso soldar ? outra duvida que tenho é qual solda usar a mig ou tig. Tenho um carrinho muito grande por esta bike, pois foi minha bike da adolescência.

  21. rosevelt magi da costa

    a solda desse tipo de material é bom sodar com tig boa soldabilidade e acabamento

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