ciclofaixas públicas?

hoje, o jornalista andré barcinski publicou em seu blog uma reclamação acerca da circofaixa da av. paulista. concordo com sua reclamação.

copenhagen: sem patrocínio.

teremos ciclofaixas públicas? teremos ciclofaixas permanentes e para transporte, e não apenas dominicais e para lazer?

essa é uma das questões.

no texto andré barcinski também reclama do fato de que a cidade está sendo loteada pelas empresas. sim, de fato está. não apenas há publicidade por todos os cantos. mas há o incômodo de perceber que empresas cada vez mais suprem o que o estado não faz. e daí a pergunta: a ineficiência estatal não é proposital? não temos representantes dessas empresas junto a quem toma decisões? sim, temos, isso é o lobby.

se as coisas funcionassem pela via privada, estaria tudo ok. mas não funcionam. não há possibilidade de empresas solucionarem tudo a contento de todos. por isso se criou esse troço chamado estado.

um exemplo da ineficiência da via privada está na paralisação dos médicos que se inicia hoje. não são médicos do sistema único de saúde. são médicos ligados aos planos privados de saúde. a notícia está aqui.

é preciso entender que ao estado basta ser eficiente, e a empresa precisa ser eficiente e lucrativa. o estado pode até ser deficitário em determinadas situações, a empresa não. economistas entendem bem isso, basta ter lido um pouco da obra de j.m. keynes para se perceber isso.

em outra ponta, a via privada desassiste os mais pobres. e toda e qualquer política na linha “pobre que se lixe” gera conflitos sociais. trata-se de uma questão de manutenção de um mínimo de estabilidade. pra quem não consegue compreender isso, basta dizer que a revolução francesa de 1789 e as duas revoluções russas de 1917 (menchevique em fevereiro, bolchevique em outubro) se dão em contextos de profunda crise econômica em seus países e imensa desassistência aos mais pobres.

o trânsito de são paulo é a melhor metáfora dos efeitos deletérios de uma visão privatista e elitista da convivência humana. na ineficiência do gestor público indivíduos privados resolveram – ou pensaram resolver – seus problemas comprando seus veículos. o que deu? deu essa cidade absolutamente caótica, poluída e desumana.

basta dizer que hoje, em 06 de setembro de 2012, realizar-se-á o enterro de uma conhecida às 14 horas, no cemitério do araçá, em são paulo, e não mais tarde, às 16 ou 17 horas, em razão do trânsito! os congestionamentos ditam agora o tempo usado para velar o corpo de alguém (e eu não conseguirei ir a esse enterro).

há o espaço da empresa privada e o espaço do público. construir bicicletas – e boas! – é espaço do privado. mas construir as vias onde passarão as bicicletas, é atribuição do público. que não se confundam as coisas. e que cada um pedale a bicicleta que quiser e puder comprar.

e assim teremos uma cidade mais humana, pois no mundo das bikes, o dinheiro não faz tanta diferença: não é a bike que faz diferença, é a perna, e essa não se compra, mas se constrói.

 

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2 Respostas para “ciclofaixas públicas?

  1. Ótimo texto. Temos que cada vez mais reivindicar nosso direito de ir e vir, com segurança. E é claro ter por onde ir.

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