cecizona com marchas!

3 cecizonas e suas donas. pé no chão, sem sair do selim, só se for na guia e na pontinha do pé (moça da esquerda). senão, é problema no joelho na certa!

dentre os diversos tipos de bicicletas femininas, um em específico povoa o imaginário. são aquelas com quadro em U, normalmente mais pesado para manter a rigidez mínima para ser utilizável, não raro com um uma cestinha na frente.

é o modelo step-through, que, em razão de ser em formato de U precisa ser muito mais pesado e usar mais material para manter um mínimo de rigidez próximo ao dos quadros em formato de duplo triângulo. clique aqui para ler sobre as vantagens e desvantagens deste formato.

mas esse formato específico de bicicleta acabou entrando no imaginário feminino com uma ótima imagem, além das vantagens que lhe são inerentes: não ter o tubo vertical permite pedalar usando saias, por exemplo. e, para algumas pessoas menos experientes, a ausência do tubo horizontal dá a (falsa) impressão de maior segurança num tombo.

no brasil o modelo mais famoso foi a antiga caloi ceci, e não raro qualquer outra bicicleta de outro fabricante que siga o mesmo padrão é chamada, por isso, de ceci ou cecizona…

mas são bicicletas muito adequadas a terrenos planos e pavimentados. muito populares em cidades planas e com muitas ciclistas, como amsterdam.

não são bicicletas projetadas para distâncias maiores, por isso grande parte dos modelos são equipados com marcha única, com o quadro com espaçamento traseiro de 126mm, e não 130mm como nas bicicletas de estrada, nem 135mm como nas mountain-bikes.

é difícil colocar marchas nessas bicicletas. pedivelas triplas e câmbios dianteiros fariam perder-se o útil cobre-corrente, que evita que se suje as roupas. em muitos casos, o tubo vertical está numa posição e tem uma espessura que impede a instalação de um câmbio dianteiro.

e o espaçamento traseiro de 126mm, mais adequados aos cubos e marcha única, impede que possamos utilizar os cubos com cassetes mais modernos.

globe daily 1 step-through

e então, como faz a moça linda, que fica ainda mais linda pedalando uma bela globe daily 1 step through, se quer ir além de andar em algumas bicicletadas, fazer passeios das pedalinas ou dar uma volta na cidade universitária da USP?

ora, por que não colocar marchas nela, de outra forma, usando um cubo de marchas?

cubos com marchas internas existem há mais de 100 anos. são confiáveis, extremamente duráveis. são uma excelente opção para bicicletas de uso urbano, e alguns modelos, com muitas marchas, são usados em cicloturismo.

as marchas num cubo desses são sequenciais. no sistema descarrilhador, aberto, que conhecemos, que usam pedivelas duplas e triplas e cassete, as marchas resultam de combinações de coroas e pinhões, não raro havendo sobreposições. por exemplo, um sistema de 27 ou 30 marchas de mountain-bikes, temos apenas 14 marchas reais. há muitas sobreposições ou combinações tão próximas em resultados que no se diferenciam ao pedalar.

visão interna de um cubo rohllof de 14 marchas

além disso, esses cubos permitem que se troque as marchas com a bicicleta parada, ao contrário dos onipresentes sistemas de câmbio descarrilhador.

a moça linda colocou um cubo shimano nexus de 3 marchas. a amplitude das marchas é de 186%. nada excepcional, mas já permitindo que algumas subidas antes impossíveis sejam pedaladas, e andar no plano ou nas descidas mais rápido seja possível e divertido.

além do mais, cubos de marchas são extremamente confiáveis, duráveis e de manutenção mínima. e com a corrente sempre tensionada adequadamente, esta nunca cai, nunca sai do lugar, e dura bastante.

mas o que a moça linda fará com a cecizona assim turbinada? até onde irá? ainda não sabemos. mas ontem, ela, que só fazia passeios curtos, aventurou-se a sair de são paulo e ir comer peixe na praia, em santos, via imigrantes e estrada de manutenção, sorrindo o tempo todo, curtindo bem o passeio. e, pelo jeito, a cecizona turbinada e sua dona linda  ainda vão passear muito em estradas por aí…

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17 Respostas para “cecizona com marchas!

  1. Fuji CrossTown Ladies tem quadro em U, e 21 marchas tudo com catraca externa.

    terreno plano? Subo a íngrime e interminável Ladeira dos Galés (e Ladeira da Cruz da Redenção) todo santo dia.

    E pé no chão sem sair do selim sim, senhor – a ponta apenas, é claro. E não impede de a perna estar completamente esticada quando pedalo – o pedal é tão baixo que raspa no chão em certas curvas e sobre certas lombadas.

    aliás, na Dahon Curve também apoiava ponta do pé no chão sem sair do selim, e também a perna estava totalmente esticada quando pedalava. De novo: pedal muito, muitíssimo, baixo (o que é um problema nas lombadas). Claro, pese-se o fato de meus quase 10 anos de balet clássico…

    • sim, esse modelo da fuji é um dos poucos com marchas externas. quando comparamos com os diversos modelos europeus, é comum que sejam como a esse modelo da globe daily, ou single speed, ou equipada com cubo de marchas. até pq o sistema de marchas no cubo é muito mais durável e permite que se feche a corrente inteira, e não apenas a parte superior. com isso a manutenção diminui muito. o ideal nesse tipo de bicicleta urbana é inclusive não ter a suspensão na frente, pois a posição ereta dispensa. a altura do selim mínima (pois quem tem pernas arqueadas usa ainda mais alto do que isso) é a mesma do cavalo da pessoa ao chão, igual à distância do selim ao ponto mais distante do pedal. algumas geometrias, com o ângulo do seat tube baixo permite o selim na altura certa e eventualmente encostar o pé no chão. era comum nas three-speeds inglesas antigas.

  2. E eu aposto que Odir já vislumbra sua musa da Cecizona nos Audaxes por vir – de Ceci.

    • pois é, dona lou, tb visualizo uma dona de caloi 10 vindo de rondônia pra brincar num troço desses. mas a musa da cecizona quer fazer pelo menos um desafio de cem ou um pouco mais.
      mande mais notícias!

  3. Sonho com uma dessas, mas essas lombas porto alegrenses me desanimam. Acabo usando minha mountain bike de 24 marchas pra tudo, embora ela nem sempre seja prática (saia ou salto alto? nem pensar!).

    • tânia, use uma ceciczona com marchas! dá pra colocar cubos de até 11 marchas.

    • Porto Alegre é identica a Salvador por inúmeros motivos: peninsula, ocupando as cumeadas, e teve como autor de sua reforma modernista o bahiano de Santo Amaro da Purificação, Mario Leal Ferreira (talvez o maior urbanista brasileiro desde Aleijadinho; talvez segundo, porque o primeiro seria seu discípulo, Diógenes Rebouças).

      Sendo assim, ambas as cidades têm menos ladeiras do que parece. São, como disse, de cumeadas – puro urbanismo lusitano-moçarabe. Se eu uso uma Fuji CrossTown Ladies aqui (com escarpas de 200m de altura caindo a 90 graus, com elevadores que funcionam como metrôs verticais), por que não aí – cujas ladeiras são suaves e em nível com arcadas (influência austro-germânica), e não chegam a 50m?

      Talvez você apenas não tenha travado conhecimento com uma boa bicicleta urbana aí nas margens do Guaíba…

  4. Acho impossível achar uma bike feminina estilo cecisona de tamanho 19 (large). Já procurei em todos os lugares possíveis, o mais perto desse conceito foi a caloi konstanz. Não queria gastar tanto dinheiro em uma bike… Alguém pode me indicar algo mais acessível nesse estilo e desse tamanho ?

  5. olha, a spokes, http://www.spokes.com.br, tem bikes da linus, nessa linha. são muito bem feitas. procure a bruna, diga que a indicação veio desse blog.

  6. “é difícil colocar marchas nessas bicicletas. pedivelas triplas e câmbios dianteiros fariam perder-se o útil cobre-corrente, que evita que se suje as roupas. em muitos casos, o tubo vertical está numa posição e tem uma espessura que impede a instalação de um câmbio dianteiro.”

    Nesse caso,não seria possível instalar câmbio somente traseiro,obtendo 6 marchas atrás(eixo traseiro) e 1 no pedivela??

    • nem sempre, pois muitas dessas bikes possuem espaçamento de 126mm, em vez dos mínimos 130 mm entre as gancheiras, padrão das speeds, que permitam a montage de um cubo com cassete. a solução mais plausível é sim a instalação de cubo demarchas, muitos permitem a instalação em espaçamento de 126mm. além do mais, as gancheiras costumam ser horizontais e para trás, para permitir o tensionamento da corrente. essa característica dificulta umpouco a montagem de câmbios abertos, mas ajuda namontagem de cubos de marcha.

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