o hamsterismo ciclístico

hamsters são aqueles bichinhos fofinhos que as pessoas deixam em gaiolas. como são roedores que se deslocam muito na natureza, nas gaiolas são colocadas algumas rodas nas quais os hamsters ficam correndo, correndo, correndo, sem sair do lugar….

é interessante como o poder público em geral, e também boa parte da sociedade civil, tenta hamsterizar o ciclista.

a hamsterização consiste em limitar o uso da bicicleta ao mero exercício físico em circuito fechado. é o discurso de que bicicletas devem andar em parques, apenas aos finais de semana, por exemplo. nunca na rua, nunca de forma de que não seja passeio.

quantas vezes o ciclista está na rua e ouve gritos mandando-o passear no parque, ou dizendo que ele está atrapalhando quem está a trabalho? “vai pra ciclovia!” – como se fosse possível ir voando até lá, ou “eu sou trabalhador!”, como muitas vezes grita o motorista, como se o ciclista estivesse ali na sua frente flanando em férias, desocupado….

essa imagem é reforçada pelo poder público. desde médicos que mandam as pessoas pedalarem com cotoveleiras – como se pedalar fosse só uma atividade lúdica na qual se fazem manobras acrobáticas – até a atuação da prefeitura de são paulo criando sucessivas “ciclofaixas de lazer” sem criar nenhuma estrutura específica e permanente para o uso da bicicleta nas mesmas avenidas onde faz isso.

assim que a estrutura é desmontada simplesmente os carros invadem aquela faixa, pois “passou do horário de pedalar”.

e mais uma vez a prefeitura de são paulo insiste nessa visão. agora anuncia uma ciclofaixa de lazer na paulista. isso, de lazer, dominical. avenida paulista que já registrou a morte de duas mulheres queridas por muitos, márcia prado e julie dias.

perguntinha básica: como uma ciclofaixa dominical pode evitar mortes como essa? a resposta é cínica: se as ciclistas andassem só no domingo….

o que deve ser feito de fato, que é criar uma estrutura permanente para o uso da bicicleta, preferencialmente segregada nas grandes avenidas, sem tirar espaço dos pedestres, nunca é feito, ou se é feito é muito mal feito.

falemos a verdade: é sim preciso tirar espaço dos carros, e só deles, e repassar às bicicletas. e falemos de novo a verdade: é preciso sim criar políticas restritivas ao uso do carro.

mas claro, são políticas públicas que ninguém quer tomar, com medo da reação  classe média conservadora e desescolarizada que não enxerga um palmo à frente do nariz.

e assim, com a cidade congestionada, as toupeiras em geral procuram fugir do trânsito usando soluções absolutamente individuais, e sempre ancoradas no uso do dinheiro. o que dizer da política de trânsito de um candidato que só se desloca de helicóptero por aí?

enquanto isso, a prefeitura vai hamsterizando o ciclista.

não neguemos que as ciclofaixas planas  e dominicais são excelente local de exercício para os que estão começando. são ideais pra isso. afinal essa é sua função. mas também são só isso: local de lazer.

mas elas levam o trabalhador que vai pedalando ao trabalho? não, não levam… mesmo com ciclofaixa de lazer na paulista, durante a semana continuarão acontecendo os embates onde só um lado perde. o lado que recusa-se a ser reduzido a um hamster.

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32 Respostas para “o hamsterismo ciclístico

  1. uma nova luta de classes – hamsters x toupeiras
    vai longe

  2. Sou pirata, serei pirata, mais um pirata de São Paulo, uma vertente dos piratas do Tietê, uso o trânsito em meu favor, espero a ‘nóia’ alheia para me beneficiar, para deixar inveja e descontentamento. Sempre com um sorriso, sempre passando e sempre um pirata. O dia que este pirata se aposentar, a Holanda será aqui. Hamster é para os fracos… Que comprem os carros, que entupam as ruas, que pare de vez. Só assim para que ande novamente.

  3. Parabens pelo texto! Muito lucido e preciso.

  4. Essa semana fui de bike pro trabalho todos os dias. O que vi foi chocante: pessoas loucas e estressadas nos carros, desrespeito, cruzamentos entupidos porque todos querem passar e fodam-se os demais, enfim, coisas tipo Ensaio sobre a Cegueira. E o mais bizarro é que eu só percebi isso agora que comecer a usar a bike como meio de transporte principal. Eu tb era louca no trânsito e nunca tina notado… A bike é mesmo o segredo que vai mudar o mundo.

  5. Andar de bicicleta no trânsito é perigoso demais! Sou ciclista e participo de competições em estrada e mountain bike, mas pedalar em São Paulo é pra quem não tem juízo.
    Quando treino na Bandeirantes e no Pico do Jaraguá a situação já é assustadora, no trânsito é inviável.
    Trabalho a 5km da minha casa e não vou de bike, quando fui me arrependi, prefiro o trânsito e o stress com segurança, à insegurança de ir de bicicleta.

  6. Discordo de Eduardo, que julga pedalar em SP como coisa de desajuizados. Compreendo que ele tenha medo de pedalar os 5km até o trabalho. Não sei onde ele mora e qual a realidade das ruas e bairros que ele atravessa.

    Há uma distinção importante a ser feita: medo e respeito. Eu respeito, e muito, o trânsito em SP – nasci aqui. Não tenho medo. O medo em geral me aprisiona. Já o respeito me impele a lidar com situações de maneira responsável e consciente. Adoro meu carro, mas ele tem feito mais sentido para viajar, para sair de SP. Para o transporte diário, minha experiência pessoal é de a bicicleta tem bem menos custos, é mais rápida e mais divertida. Claro, guio por mim e pelos outros, como já fazia dentro do carro. De bike conheço pessoas, até gosto mais da cidade. Fiquei menos estressado – doença essa de inúmeras ramificações – perdi peso, ganhei fôlego e resistência. Por consequência minha pressão diminuiu, e não tive mais crises de pênico nem depressão.

    Há os que têm medo de SP, que é opressora, poluída, violenta, populosa. Eu respeito minha cidade, sou ciente dos riscos que ela apresenta – que não são poucos. Tiro o melhor dela sem perder o melhor de mim. De bike. Eu, minha mulher, meus amigos, os filhos deles, e nosso bichos de estimação. Muito bom reunir todos num picnic no Ibirapuera, sem ficar 30min no sol tentando estacionar e sendo extorquido por flanelinhas. Sem medo, com muito respeito.

  7. Sim, tenho medo de encarar o transito de bicicleta. Todos os beneficios de se pedalar eu tb tenho. Concordo que colocar a bike no carro e dirigir ppr 9 km, para chegar ate a USP e depois lá, pedalar por 100km parece ridiculo, e é. Mas é seguro!
    Moro em Perdizes e trabalho na Lapa para ir ao trabalho são 5 km onde quase nem preciso pedalar, é só descida! Mas é perigoso.
    Marcia Prado e Julie Dias eram ciclistas urbanas experientes, conheciam, e defendiam a bike como meio de transporte, hj são martires, e suas mortes nao mudaram nada, ainda morre um ciclista por semana na cidade.
    Tenho esposa e duas filhas pequenas, e elas preferem que minhas biciletas fiquem no teto do carro no caminho até a USP do que pintadas de branco e penduradas em um poste qualquer na cidade.

    • pois é. sugiro que olhe estatísticas. hoje o meio de transporte mais seguro de são paulo é a bicicleta. quando se faz a conta “nº de viagens” X óbitos, motocicletas ganham de longe. seguidas pelos carros. há um outro fator a ser levado em conta: crimes. o fato de estar dentro de um carro aumenta em cerca de 90% o risco de sofrer algum crime – esses dados são do del. jorge lordello. já que sua preocupação é segurança real, e não a psicológica (pq sim, há pessoas medrosas que se assustam com qq barulhinho, aí não há o que argumentar contra a irracionalidade), pesquise os dados. a possibilidade de um ciclista voltar inteiro pra casa é bem maior que a de um motorista. a começar que não há sequestro relâmpago de ciclista….

  8. Prefiro minha experiencia às estatisticas, quantos sustos ja tomei de carro, e quantos ja tomei de bike.
    Vale lembrar que um acidente muito grave ou fatal de bike, nao passaria de um arranhão ou um amassado na lataria do carro.
    Acho que se Julie Dias e a Marcia Prado estivessem de carro elas no máximo teriam uma conta de funilaria para pagar.
    Nao sei da onde vc tirou essa estatística, mas pelo numero de gente que eu vejo pedalando pela cidade, uma morte por semana parece proporcionalmente e absolutamente demais.

    • eu tenho acesso a dados de IML. polícia e etc. no blog não consta minha profissão, minhas ligações, minhas fontes. temos de 300.000 a 500.000 viagens/dia de bicicleta no município de são paulo. e esse número pode ser maior pois esses dados são de 2 anos atrás. mas veja só, márcia prado, julie dias e eu não somos responsáveis por nenhuma das 4.000 mortes ao ano em razão da poluição dos carros. não matamos ninguém ligando veículos automotores. esses dados são doprof. paulo saldiva, med. usp. prefiro não carregar essa culpa pela indiferença pela morte alheia. sei bem o que passa uma família com uma criança com problemas respiratórios decorrentes da fumaça de carros como o seu. os hospitais estarão cheios hoje à noite, por exemplo. e 5 kms é distÇância pra não se fazer de bicicleta, mas a pé. leva menos de uma hora andando. e é saudável pra dedéu.

  9. Saudável pra dedéu eu já sou, corro mais de 40km e pedalo mais de 200km por semana.
    Consigo ser saudavel sem colocar minha vida em risco.
    Sobre poluicao, tudo o que eu posso fazer eu faço, mantenho meu carro regulado.
    Tenho duas filhas e ja precisei levar as duas ao PS com para fazer inalacao, mas foram tantas vezes que decidi comprar um inalador que usado com frequencia.
    Ainda assim tenho certeza que minhas filha preferem ver o pai delas montando o inalador de vez em quando do que embaixo da roda de um onibus

    • hehe, é, contra medos irracionais não há argumentos… hehehehe. só uma perguntinha: vc se preocupa com outros pais que não têm inaladadores para os seus filhos? e seu carro emite poluição zero, absolutamente zero? eles não têm os mesmos direitos que vc? talvez por serem mais pobres? é… morar a 5 kms e não ir nem a pé… é, são paulo não tem mais jeito mesmo.

      • Ogum, meu pai…. Isso porque eu disse logo no começo que compreendo o medo dele. De um jeito respeitoso inclusive. Nem tentei convencê-lo a nada. Se para ele medo protege, stress é saudável, e ele é feliz assim… Não entendo a reação exacerbada Não que eu queira

        Já a “justa e razoável” argumentação comparando a escolha entre o inalador e o pai atropelado… E principalmente o desrespeito a uma causa (que não o lesa em nada) e a banalização de duas tragédias… parece reflexo de stress. Mas ele, o carro, o inalador, a saúde dedéu, (não) estão vestidos com as roupas e armas de Jorge. Nada nunca o atingirá. Nem palavras nem rodas de ônibus. Ele tem sempre razão. Ele não corre riscos, exceto o do ridículo. Ele não corre riscos, exceto o do ridículo. “Mas a vida é real e de viés.”

        Viver mata. Amar dói. E a liberdade é perigossíssima, principalmente a de pensamento. Eu amo viver livre. De bike.

  10. http://www.mancheteonline.com.br/seis-criancas-sao-atropeladas-por-caminhao-na-porta-da-escola-em-sp/

    Se essas crianças não tivessem ido a escola, isso nunca teria acontecido! É um perigo mandar crianças a escola nesse Estado!

    http://www.portaldotransito.com.br/noticias/sobe-numero-de-mortes-por-atropelamento-em-sp-diz-cet.html

    é um perigo caminhar nessa cidade, pois a cada dia duas pessoas são atropeladas na cidade.

    • Reinaldo, toda semana seis crianças são atropeladas na porta da escola?
      Mas todo semana um ciclista morre na cidade.
      O segundo link é velho, mas concordo com vc, é perigoso caminhar na cidade, ou vc acha normal duas pessoas serem mortas por dia? Mais um motivo para ir trabalhar de carro.

      • por sua lógica, a melhor coisa a fazer diante de um problema é piorá-lo; e por outro lado, a melhor justificativa para piorar um problema é o fato de ele existir.

        me senti em Duck Soup agora. Grouxo-marxismo e capitalismo-surrealista em altas! Barão de Munchausen se puxando a si próprio pelos cabelos, como diria Michael Lowy.

  11. Nao, os outros pais tem o mesmo direito de dirigir o carro deles e o mesmo direito de comprar inaladores.

    Como eu tenho o direito de ter o estilo de vida que melhor me convier.

    Eu sei que vc tenta impor suas ideias a todos e quando alguem discorda vc logo rotula de nazista.

    Pergunte para a Julie Dias e para a Marcia Prado se elas acham meu medo irracional

    • não, eu não rotulo ninguém de nazista. mas acho que usar carro não é um direito, em razão dos danos que ele causa ao meio ambiente. hoje são 4.000 mortes ao ano em são paulo em razão da poluição de veículos. defendo sim pedágio urbano, com valores altíssimos. defendo investimentos pesados em transporte público. e defendo que pessoas não precisem de inaladores. não estou sozinho nessas opiniões, elas são escudadas em estudos de raquel rolnik, paulo saldiva, jan gehl, entre tantos outros. como uma das minhas formações incluem o urbanismo, e uma das outras inclui o direito, sendo eu um estudioso do direito urbano, vejo essa esquizofrenia do paulistano em achar que é seu direito usar um carro. não é mais assim em grande parte da europa, por exemplo, e lá eles respeitam mais os direitos das pessoas que aqui em sp. o carro é a opção individualista, onde o cidadão pensa resolver seus problemas, mas se todos fazem isso, a cidade para. está parando. e logo parará de vez. outras cidades e outros países, mudaram radicalmente não apenas a minha forma de ver essa questão. mas, se estas minhas opiniões são nazistas, então todos os urbanistas hoje vivos também são nazistas.

  12. Caro Eduardo, todos tem o direito de comprar inaladores. Mas será que todos tem dinheiro para isso? Aliás, qual o percentual dos 12 milhões de pessoas que moram em São Paulo que se deslocam de carro? Você sabe? Sabe também qual o percentual de pessoas que tem dinheiro para comprar um inalador? Odir, responda para ele por favor!

  13. Raphael, meu “cadê” foi para o Odim que como moderador e aparentementeseu idolo, não publicou um comentário.
    Um inalador novo vc consegue comprar por menos de R$ 100,00 – Um usado por menos de R$ 50,00.
    Qualquer pessoa consegue comprar um se quiser.
    Agora sobre poluir, eu pago imposto, muito imposto e se existisse um pedágio urbano eu pagaria, tenho um trabalho que exige traje formal.
    Não posso trabalhar suado, não sou de bancar o hipster no escritório.
    Não reclamo do trânsito, sei que sou parte dele, se está tudo parado relaxo com ar-condicionado, música, internet. É o preço que se paga por morar em uma grande cidade. Prefiro isso a ser esmagado por um ônibus.
    Sobre a pobreza na cidade, eu contribuo como posso, e meu jeito de contribuir é trabalhando muito para que não exista mais um pobre na cidade, EU!
    Toda essa discussão fugiu do meu argumento inicial que é:

    A cidade não está preparada para o uso de bicicletas como meio de transporte!
    É perigoso pedalar no trânsito!

    Em 2012 participei de 5 competições de MTB e 4 de estrada, competi em trechos tecnicos e em pelotões e tenho receio de andar entre os carros.

    Vc acha que é um medo irracional? Pergunte o que a Julie Dias e a Marcia Prado acham.

    • eduardo, pare de usar o nome de julie. foi muito mais que uma amiga pra mim. é uma lembrança dolorosa.

    • Bem, por ser advogado a serviço do Estado de São Paulo, acho que me enquadro na categoria de trabalho que exige formalidade. Aliás, mais trabalhadores “formais” comentaram esse post. Enfim, se duas amigas se foram, muitos outros ciclistas tão experientes, ou mais até, continuam lutando por uma cidade melhor ao invés de sentarem no conforto de uma jaula com ar condicionado e bradareem por aí que são Paulo não é segura! E graças aos deuses dos ateus que são Paulo não é Copenhague !

    • Eduardo,

      acredito que o Odir e o Raphael estão argumentando de forma errônea o seu pensamento. O problema não é o medo, mas sim o egoísmo de acreditar que a solução individual serve como solução coletiva.

      Sim, você é o trânsito, assim como milhares na cidade de São Paulo. Sim, você contribui enormemente para a poluicão atmosférica e sonora do município, que leva outras centenas de pessoas para o hospital (não é uma hipérbole).

      Você não é um ciclista, você é um esportista. Na argumentação que você apresenta, poderia falar que é arqueiro olímpico e tem medo do trânsito. Pedalar numa montanha não é nada parecido com pedalar nas ruas e avenidas.

    • A Julie e a Marcia não foram mortas por estarem andando de bicicleta, foram mortas porque foi desrespeitado o direito que elas tinham, garantido em lei, de andarem de bicicleta com segurança.
      Elas não foram suicidas, elas foram assassinadas.
      O que as matou não foi a ideia de que é possível andar de bicicleta, o que as matou foi a ideia de que não é possível andar de bicicleta. Os motoristas que as mataram pensavam exatamente como você, pensavam que a rua não é lugar de bicicleta. Por pensarem que a rua não é lugar de bicicleta, por pensarem que elas não tinham juízo por estarem alí, por pensarem que elas eram suicidas por estarem andando de bicicleta, eles assumiram o risco de as matarem ao jogarem o veículo para cima delas, afinal, na cabeça deles, eram elas que estavam erradas e eles estavam certos.
      O que as matou foi essa ideia de que não é possível andar de bicicleta na rua.
      O que as matou foi essa sua ideia. Outros motoristas que lerem seu comentário, que ouvirem vc falando, vão criar ou reforçar na cabeça deles essa mesma ideia, e amanhã podem vir a ser os responsáveis por outros assassinatos. Vc, sem saber, é um dos responsáveis pela morte delas e pela morte dos que ainda vão ser assassinados por motoristas que acham que lugar de bicicleta não é na rua.

  14. O texto é ótimo.

    Mas fico confusa com os ciclistas defendendo que usar a bicicleta é tão mais seguro do que os outros meios de transporte me parecem. Não sei se de fato as estatísticas dizem prontamente isso (afinal, se a maioria das viagens de bicicleta forem feitas em bairros isolados ou com poucos carros, o quão bem essa estatística poderia representar a cidade como um todo?), mas considerando que sim. Por que motivo então se deveria melhorar a condição para as bicicletas transitarem na cidade? Se é mais saudável, mais barato e mais seguro do que as outras opções já atualmente? Não seria natural que todo mundo substituísse seu carro por uma bicicleta com o tempo?

    Mas aí a gente tem um cara aqui que gosta de andar de bicicleta mas não se sente seguro pra fazê-lo. E talvez esse seja o ponto.
    O trânsito é hostil com o ciclista. A bicicleta não tem espaço e é difícil se mesclar ao trânsito de carros e motocicletas – e não tem jeito de não ser, sem que ela tenha um espaço próprio pra circular. Dizer que a pessoa que tem medo de andar de bicicleta no trânsito está sendo irracional é tentar ignorar isso, de certa forma.

    A bicicleta tem algumas vantagens que já seriam o suficiente pra que fossem feitas políticas para facilitar o seu uso – menos poluição, boa alternativa pra cobrir pequenas distâncias, também funcionar como um bom exercício físico. No fundo, é principalmente para que pessoas como o Eduardo consigam usar a bicicleta como meio de transporte que vocês estão lutando. Dizer que um dos grupos de pessoas mais interessado na questão fica sentado no conforto com ar-condicionado matando as pessoas de problemas respiratórios enquanto faz inalação nas filhas me parece uma idéia pra lá de contra-producente, no mínimo.

    • Concordo com a Camila, tbm acho que a discussão cambaleou para um lado contraproducente. Acho o ponto de vista do Eduardo parcialmente válido, só exagerando quando rotula os ciclistas de “sem juízo”. Minha impressão simplesmente é que se locomover de bicicleta em São Paulo é suficientemente seguro, mesmo para alguém com obrigações (família), mas ainda é menos seguro que o desejável e possível. É natural que existam pessoas que não tenham essa mesma impressão, e tudo que eu pediria é que respeitem minha opção e não tentem provar que estão certas fazendo previsão auto-realizada (tirar finas e ameaçar os ciclistas para provar seu ponto de vista, o que pode acabar na tragédia prevista).
      Citar exemplos individuais é outra coisa inútil. Podemos passar o resto do ano postando nomes de pessoas que morreram de bicicleta, e outras que morreram de carro, outras que morreram de moto, outras que morreram em acidentes de ônibus e ainda que sucumbiram à pé e não chegaremos a lugar nenhum. Todos sabemos que qualquer meio de transporte implica riscos. Só temos que lutar para que eles sejam reduzidos ao mínimo possível, e não sejam devidos à brutalidade ou conflitos artificiais.
      E ao Eduardo: acredito que todos queremos a mesma coisa, menos trânsito, ar mais puro, vida mais saudável. Quando você ver um ciclista na rua, por mais que o considere louco e sem juízo, seja cordial, afinal ele está fazendo algo que gosta e lhe ajudando (poderia ser um carro lá, soltando gases que prejudicam seus filhos e ocupando espaço). Quanto mais pessoas usarem bicicleta, ou transporte público, melhor. Espero que um dia você se sinta seguro para pedalar também, e até lá concordo que tem todo o direito de usar seu carro.

  15. MARIO SIMABUKURO FILHO

    Eduardo, a cidade já foi mais perigosa de se pedalar, quem faz o transito somos nós. a cada dia que passa torna-se melhor para se pedalar e cada vez mais pessoas estão se convencendo que o melhor é procurar novas e melhores alternativas do que o carro. agora o que vc tem que reconhecer é que quem optou por este meio de transporte que é a bike, tem condições de fazer isso , agora se vc não tem condições e não quer admitir sinto muito. que se pague para se locomover afinal o seu dinheiro paga tudo..hehehehe

  16. Das várias pérolas que li nos argumentos do Eduardo, esta foi uma das mais marcantes: ” meu jeito de contribuir é trabalhando muito para que não exista mais um pobre na cidade, EU!”
    Poxa vida, se todos os pobres pensassem assim, não teríamos mais pobreza, desigualdade social e miséria. Por que ninguém pensou nisso antes?

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