o peso da nação, o peso da eleição

você sabe a relação entre o tamanho da sua barriga e o seu carro? sabe a relação entre sua auto-estima baixa e aquele cheese-burger, ou o pastelzinho da feira?

tira os olhos! essa é a liz hatch, senhora casada e com filhos, que pedala pra dedéu! clique na foto e veja outras.

está acima do peso, e coloca a culpa em ossos largos, herança genética e etc?

ah, sim, acha que eu sou um magrelo tripudiando em cima de você. não sou magrinho não. também tenho ossos largos, herança genética e etc.  mas a questão não é nem de longe esta.

obesidade não é questão de beleza. é problema de saúde pública. e ao dizer isso, eu não estou expressando a minha opinião. há estudos e estudos afirmando isso, inclusive um documentário fantástico da HBO, somando quase 4 horas, que colo abaixo.

ao ver esse documentário inteiro você entenderá por que, do ponto de vista do seu peso e da sua saúde, seu código de endereçamento postal é mais importante que seu código genético. sim, é isso mesmo, não sou eu quem afirma isso. veja as quatro partes do documentário e entenda.

essa realidade americana não é distante da realidade brasileira nas grandes e em algumas cidades pequenas. obesidade não é um problema apenas relativo ao que se come, ou à própria (falta de) força de vontade. mas é principalmente um problema de distribuição de renda, de ocupação urbana, de incentivos fiscais à venda de carros, à produção de soja e cana-de-açúcar, outras coisas mais.

a má ocupação urbana é em grande parte responsável pela sua barriguinha. sim, é isso.

é nesse ponto que toda a discussão acerca da bicicleta nas grandes cidades, que vai além da questão da mobilidade e tem impacto na ocupação urbana, relaciona-se com a obesidade. e é aí que caímos nas eleições.

barriga de quem só anda de helicóptero

o gestor público preocupado apenas com a construção de grandes avenidas e loteamentos para moradia em locais distantes é um dos grandes responsáveis pela sua barriguinha. o ministro da fazenda determinando redução do ipi, o governador achando isso lindo pois a venda de carros gera altíssima arrecadação de icms, e de ipva, que possui uma parte que é renda para o prefeito gastar….

e depois de pensar bem no assunto, compre uma bicicleta e nunca mais vá à praça de alimentação de um shopping. você não virará o supra-sumo da beleza só por pedalar. mas garanto que fará mais bonito ao tirar a roupa. sim, ciclistas são mais sexys. cada um(a) ao seu modo. e sabe o porquê? por que quem pedala não interrompe o sexo por falta de ar… (pois é, você não sabia disso, mas seu/sua namorado/a sabe bem… hehehe….)

e não esqueça de pensar em tudo isso nas próximas eleições…

(bem que eu queira tacar umas fotos aqui das coxas musculosas das minhas amigas, mas namorados/as, maridos/as e filhos/as e até netos/as ficariam muito enciumados/as…).

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6 Respostas para “o peso da nação, o peso da eleição

  1. Existe quem interrompa sexo por falta de ar? Chegar nesse nível é preocupante!

  2. Eu já parei o sexo por falta de ar. É uma satisfação estar 10 anos mais velho e não passar mais por isso. O peso é o mesmo da época, mas agora é músculo no lugar da banha.

    Em tempo: alguém já teve o reflexo de mudar a marcha para enfrentar uma “subida”? hehehe!

  3. Ogro … serve umas fotos das suas pernas mesmo … rsrs

  4. O combate à obesidade nos EUA tem batido muito na tecla da alimentação, das comidas rápidas e gordurosas e no açúcar dos refrigerantes. Mas a inatividade física tem papel tão ou mais importante para este quadro. Aquele país desenvolveu um grau tão grande de dependência em relação ao automóvel que hoje está numa cilada, pois hoje, na imensa maioria das cidades (tirando Nova York São Francisco, Boston e mais umas duas ou três) simplesmente é impossível viver se a pessoa não tiver um carro. Em muitas cidades, o transporte público é virtualmente inexistente e é quase impossível ver um pedestre caminhando pelas ruas. O próprio documento de identidade principal na maioria dos estados é a carteira de motorista, e em quase todos eles se dirige a partir dos 16 e até 14 anos.

    Pois a fatura chegou, na forma de obesidade, diabetes infantil, infartos, AVCs e tantas outras morbidades. Enxergar esses problemas como “fatalidades” ou “consequências do progresso” é ignorância.

    • Na verdade mau uso do solo (leia-se, no caso americano, pouca densidade habitacional e pouca diversidade de multiplos usos) causa tanto o sedentarismo (as condições pedestres caem) quanto acesso a má alimentação (e de alto custo – os chamados desertos alimentares).

      No Brasil, modus in rebus, vale o mesmo: ainda que áreas relativamente pobres (penso no Largo Dois de Julho, Salvador), se houver densidade e diversidade de usos, o acesso a comida de boa qualidade, barata e o uso pedestre aumentam (entre os Barris e os Aflitos há pelo menos 3 bons restaurantes vegetarianos, com preços de 14 reais o buffet livre; três botequins clássicos; um dos mais tradicionais e sofisticados bistrôs do país, o Chez Bernard, cujo preço chega a ser 1/3 mais barato do que seus concorrentes em outros estados, como Fasano e Quadrifoglio; ao menos um café-teatro com prato-feito de 15 reais, num parque de 250 anos de idade, o Passeio Público).

      Por outro lado, uma área rica como o Itaigara era, até pouco tempo atrás, impossível de se alimentar, ou sair de noite para ter qualquer diversão de qualidade (a mudança crucial foi, como sempre, a abertura da SalaDeArte de Cinema, que em Salvador tem efeito similar ao de Estação do RJ: aumento exponencial dos usos pedestres em seu entorno, formação espontânea de plateia, etc.). Hoje mudou, mas o acesso a boa alimentação e diversão nessa área continua caro (e não porque é bairro nobre: Graça, Barra e Vitória também o são, mas são bem mais baratos porque centrais, densos, antigos), e com poucas opções sempre ficam insuportavelmente cheios.

      Mas enfim, o que quis dizer é que não há sedentarismo (aka: pouco uso pedestre como transporte) de um lado e má-alimentação do outro. Ambos são fruto de uma só e mesma coisa: mau uso do solo urbano (leia-se: pouca densidade residencial e pouca diversidade de usos comerciais).

      Jane Jacobs abides…!

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