um audax na chuva.

sábado próximo, 21 de janeiro, um dia depois do dia de são sebastião, temos um brevet 200 kms em holambra.

a essa hora, todo mundo sabe os equipos obrigatórios, e sobre o que mais levar também sabe-se tudo: se não souber, só usar o motor de busca deste blog pra achar vários posts que tratam disso.

mas e a chuva?

pois é. teremos chuva. como faremos? bom, tenho alguma experiência sobre isso. no meu primeiro brevet, em 2003, choveu o dia inteiro. aquele brevet não sei como terminei. fiz um monte de coisas erradas. viajei direto da faculdade onde dei aulas na sexta-feira anterior, um colega levou a bike até o local, cheguei de terno e gravata no local da prova, troquei de roupa (botei a calça de ciclismo de trás pra frente e só percebi 100 kms depois), meu café da manhã foram 2 litros de coca-cola. meu selim tava meio baixo e na primeira subida quase desisti do brevet, mas quem me salvou foi o fly, um antigo pró, que me chamando de sapo por pedalar de pernas abertas – por causa do selim baixo que eu não tinha percebido por ter trocado um selim mais alto por um mais baixo e não ter levantado o canote – me fez ajustar em 1 centímetro e meio a altura e de repente eu fique forte nas subidas… heheheheh

bike pesada, calça de trás pra frente, ray-ban pendurado e muita ansiedade, em 2003.

a bicicleta era pesada, toda em aço carbono, com alavancas de troca no quadro, e peças todas descasadas. mas era o que eu tinha. e chovia, chovia, chovia….

em vez de levar câmaras de reserva levei remendos… besta, fui bem burro ao fazer isso. e a bomba de ar não era tão boa… com 130 kms rodados o pneu dianteiro furou, e eu querendo remendar a câmara debaixo de chuva! colou direito o remendo? claro que não.

o farol ainda não era desses de leds, como os atuais, leves e fortes. a iluminação precária e a necessidade de a cada 10 kms parar e ficar enchendo o pneu me fizeram sofrer sozinho na estrada nos últimos 70 kms.

mas aprendi muito daquela vez. aprendi a trocar marchas decentemente e a usar as marchas certas nas subidas, em vez de dar uma de besta pedalar em pé como se fosse um pedal curto, quando era pra pedalar 200 kms. aprendi a usar as roupas certas pra chuva. por sorte eu estava preparado pra isso, com uma capinha de chuva dessas de plástico, de banca de jornal, e a calça de ciclismo e a camisa – a primeira camisa do clube audax brasil, o primeiro do brasil, no primeiro ou segundo audax feito aqui no brasil  – ambos em material sintético, evitaram que eu tivesse uma hipotermia como teve um outro participante, usando uma camiseta de algodão.

o fato de eu ter esquecido de levar meias de algodão me fez pedalar com as meias sociais, de material sintético, que secam logo, e meus pés não ficaram gelados. e os ray-bans imensos protegeram meus olhos da chuva e lama que voava da roda dianteira.

eu aprendi, naquele dia, pedalando mais de 100 kms ao lado de um ex pro e ficando sozinho no  período de maior dificuldade, muito mais do que em muitos milhares kms de pedal. daquela experiência tiro as dicas abaixo, para dias de chuva:

1. roupas sintéticas. elas secam mais rápido e não gelam o corpo, quando molhadas, e estamos ao vento. o importante não é estar seco, mas estar quente. hoje prefiro corta-ventos a capas de chuva plásticas. o corta-vento até deixa entrar água, mas seca mais rápido. com a capa de chuva a chuva não entra, mas o suor não sai.

2. nos pés, uma meia sintética em contato com a pele, mesmo que haja outra meia em cima. afasta umidade dos pés.

3. óculos são uma proteção muito mais necessária do que normalmente se imagina.

4. é preciso ter como resolver os problemas mecânicos debaixo de chuva intensa, seja qual problema for. é ótimo levar remendos, mas é melhor usá-los nos PCs. em furos no meio do caminho, é melhor e mais rápido só trocar a câmara.

5. boa bomba de ar, sempre.

6. bons faróis que funcionem bem debaixo de chuva são necessários. vale enrolar o farol que se tem em filme plástico tipo magipack, o mesmo para o ciclo-computador.

e claro, leve o que sempre leva, câmaras de reserva, jogos de ferramenta, as fitas tipo zip-tie (conhecidas como enforca-gato – e sempre necessárias se vc se chama daniel santini), farol dianteiro, pisca vermelho traseiro, capacete, colete refletivo, caramanholas com água e etc.

claro, nada disso se aplica se seu apelido é “a lenda“. mas se vc nasceu no planeta terra, tudo isso se aplica. e bom pedal, seja o brevet 200 kms, seja o passeio da primavera desafio 135 kms.

 

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12 Respostas para “um audax na chuva.

  1. mto bom esse seu post (somo smp!!) e mto boas as citações e dicas!
    bom audax a todos!

  2. PÔ, um bom par de para lamas é bem mais barato do que um Rai Ban!!!!!

    abraço

  3. poxa!
    Assim parece que eu sou completamente diferente de todos.
    =)

  4. Ogum777, você de uma certa forma está me incentivando a correr um AUDAX. Qualquer dia acredito que posso e vou mesmo. Abraços.

    • luciano, não sendo o audax 200 de campos do jordão, que tem uma subida insana, ou brevet randonné des alps, que é a coisa mais doida do mundo em matéria de subidas, qq um que consiga andar o dia inteiro faz um audax se estiver com a bike certa, a alimentação certa, a roupa certa. o mais suave aqui de sp foi o de boituva. campos eu não recomendo, pois tem uma altimetria muito pesada que cansa demais, e o segundo trecho é muito quente e árido.é comum as pessoas passarem mal lá, desistirem com 150 kms.

  5. Salve Ogum!
    Quero me iniciar no audax esse ano. Fiquei frustrado pelo fato de o clube de SP ter cancelado o brevet 200 km de Ubatuba. Pretendi iniciar por este. Como nunca pedalei 200 km e pelo que você escreveu acima, não me atreverei a começar pelo de Campos do Jordão. Sendo assim, resta o desafio de Holambra em junho.
    Acabei de montar uma hibrida, quadro KHS urban-xcape em cromoly. Misto de Deore e Alivio, com cubos tiagra. A relação está assim: 48-36-26 X 12-25.
    Queria saber se é uma boa combinação para audax.
    Tenho uma speed, mas só com duas coroas e certamente faltaria marcha em longas subidas.
    Grato.
    Abraço.

    PS: parabéns pelos textos, são muito instrutivos e motivadores!

    • ô vinicius, obrigado pela visita! realmente campos do jordão é muito cruel com quem nunca fez 200 kms. derruba mesmo que já chegou a audaxes mais longos, pois combina muita subida num período, com trecho srealmente um tanto cruéis, com um longo trecho de sol escaldante, vento contra- eventualmente contra na ida e na volta – e escassez de pontos intermediários de sombra e abastecimento de água. é comum que as pessoas abandonem com 150 kms pelas cãibras. quanto a duas coroas, eu faço os audaxes com duas coroas. mas tenho usado ultimamente 50,34, ou seja, pedivela compacta. embora campos eu tenha feito com pedivela de coroas grandes, 53,39. mas foi sofrido, é claro.

      • Valeu Ogum!
        Pois é, o mais prudente então é começar por um desafio e fazer o brevet de 200 Km no fim do ano ou no começo do ano que vem.
        Permita-me te perguntar outro coisa: esse lance de seguro de responsabilidade civil que consta nas regras, como funciona?
        A princípio, entendi que eu teria que fazer um seguro de vida, mas no pedal.com.br me disseram que no início da prova a organização te dá um termo para assinar, isentando-os de qualquer responsabilidade sobre acidentes e que é só isso.
        Em relação à bike, gostei muito de voltar a pedalar uma bike de cromoly e estou bastante inclinado a utilizá-la para os brevets. Também gosto muito da minha speed, mas é bem menos confortável e com uma relação mais pesada. Em compensação é mais leve.
        Abraço!

    • Desculpe a intromissão, mas eu recomendaria trocar o pinhão por 12-28 ou 11-32 (prefiro este último). Na minha opinião, é mais vantajoso ter marchas mais reduzidas para vencer o relevo e vento contra (principalmente no final, quando se está cansado) que ter marchas mais juntas. Bom, é somente minha opinião, fica para vc pensar a respeito se acha interessante ou não.

      • Valeu pela dica!
        Para a cidade este pinhão está me servindo muito bem, mas creio que você tenha razão em relação a uma relação mais ampla para os audaxes.
        Aproveito para corrigir uma bobagem que escrevi acima. Me confundi: o desafio de Ubatuba é organizado pelo Audax Brasil e não pelo Audax São Paulo. No site do audax Brasil consta que está confirmada esta prova para 26/06. Desculpem o equívoco.

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