a bike é hype e o especialista é feio

há mais de um mês – ou há quase dois meses – eu gravei uma matéria pro programa da ana maria braga. gravamos eu, verônica mambrini e willian cruz. foco da parte da verônica e do willian era o cycle-chic, que nada mais é do que pedalar com as roupas do dia a dia. verônica elegantérrima na sua fuji ladies de cestinha e tudo, e o willian de terno na mtb guerreira do asfalto. e eu fiz a parte mais técnica, de explicar o uso das bicicletas.

existe uma diferença danada entre o que se foi gravado e o que foi ao ar. de fato, muito pouco do que foi gravado comigo foi ao ar. as bicicletas que mostrei, o que era mais importante, praticamente não apareceram. a questão das marchas, do uso de bicicletas sem marchas em locais planos, da praticidade dobrando e desdobrando uma dobrável ou a explicação sobre o funcionamento de uma bicicleta elétrica – de assistência elétrica à pedalada e também aquelas que andam sozinhas, sem se pedalar, só usando o motor elétrico (e que são ciclomotores elétricos) – tudo isso não foi ao ar.

a matéria no final ficou superficial. a ênfase dada após a edição é aos ciclomotores elétricos.

aqui cabe a distinção. há bicicletas com assistência elétrica, mas que só funcionam se vc também pedalar. elas são extremamente adequadas a idosos – principalmente os que moram em regiões montanhosas – e a pessoas com dificuldades de mobilidade.

e há os ciclomotores elétricos, que andam sem que vc pedale, acionando apenas o motor elétrico, e normalmente atingindo até 25 ou 30 kms.

ora, ciclomotor é veiculo automotor. ele exige autorização para ser pilotado. simples, está no artigo 141 do CTB. ele necessita de licenciamento (artigo 129 do CTB) e utilizando-se capacete para o condutor (artigo 54 do CTB) e par ao carona (artigo 55 do CTB).

a matéria desinforma ao chamar de bicicleta esses ciclomotores.

a matéria está aqui:

http://maisvoce.globo.com/videos/v/ana-maria-testa-bicicleta-eletrica-e-sugere-alternativa-para-o-transporte/1580031/

90% do que gravei não aparece. aparece apenas o selim de uma bicicleta, duas outras bicicletas urbanas apenas enfatizando a cestinha e o protetor de corrente, e e meus cabelos despenteados e rebeldes. pareço um kelpie, mas isso passaria batido se o que fosse mostrado fosse de fato a bicicleta e seu uso, e não apenas o fator estético e a confusão entre bicicleta e ciclomotor, o que enfatiza o sedentarismo. enquanto isso as pessoas se interessam apenas por aqueles ciclomotores elétricos que poluem sim, pois há poluição na produção da energia elétrica que eles consomem e claro, as pessoas continuarão sedentárias, com todos os problemas de saúde (e tb estéticos) daí advindos.

não dá pra esquecer o fahrenheit 451, do f. truffaut. viva a imagem, nada de conteúdo.

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4 Respostas para “a bike é hype e o especialista é feio

  1. Mas foi legal msm assim. Podia ser melhor, mas ta valendo. O problema é que o pessoal topa pagar 3 mil numa bike elétrica e numa bike tradicional 300 mangos, de supermercado ainda por cima. Poxa, se eles soubessem como é fácil pedalar numa bike boa não cogitariam uma elétrica, moto, carro…

  2. Ah, televisão, essa máquina de moer gente…
    De fato desaponta ver esse pessoal tentando vender a ideia de que ciclomotor elétrico é a mesma coisa que bicicleta…. para mim, é uma moto menos barulhenta, apenas isso.
    De qualquer forma, mesmo que tenham truncado a tua aparição, a matéria teve um foco positivo que eu ainda não tinha visto na TV. Sério, acho que é a primeira vez que o glamour se sobrepôs ao perigo – que se não é suficiente para nos afastar, é intimidador para quem quer começar.
    Pela primeira vez vejo as bicicletas serem mostradas como mais transporte e menos esporte.
    A febre dos ciclomotores é previsível, vai conquistar os sedentários, mas existem ainda muitos que não encaram as ruas, para experimentar se mover por seus próprios meios, unicamente por medo e desconhecimento. Para esses, ver que é possível se deslocar com elegância é uma informação valiosa e que me faz acreditar que teremos mais pessoas ocupando as ruas.

  3. Eu gostei da matéria. Claro, para nós que encaramos subir numa bike e pedalar centenas de km, parece que ficou bobinha, mas para os não praticantes, que foi o foco, achei bastante positiva. A partir do momento que as pessoas perdem o medo das duas rodas (como o Tiago já comentou), e também percebem que velocidades de 20, 25km/h aliadas a um transporte leve e prático, são mais que suficientes para a maioria das tarefas do dia a dia, está aberta a porta para a adoção da bicicleta!
    Um motociclista que usa uma 125, quando vê do seu lado, por exemplo, uma 350, uma 500, uma 700, acha que essa é uma evolução do conceito de transporte que ele adotou. Pensa: “É mais potente! Mais veloz! Mais pesada!”. Ele passará a querer uma.
    Alguém que usar um ciclomotor, verá a bicicleta como a evolução. Pensará “É mais leve, cabe em qualquer lugar mesmo, nunca preciso ligar na tomada”. Claro, nem todos terão ânimo para fazer a transição, mas já é um avanço de mentalidade.

  4. Eu gostei da matéria e acredito que teve um impacto positivo. Estamos apenas no começo, mas em breve a solução bicicleta será aceita por uma boa parte da população urbana, que então perceberá quanto tempo perdeu enclausurada e estressada dentro de um carro.

    Para que a bicicleta seja aceita como solução de mobilidade urbana é necessário que as pessoas sintam-se seguras pedalando no trânsito. Acredito que essa sensação de segurança aumentará na medida em que mais pessoas optem pelo uso da bicicleta. Esse aumento vai gerar necessidade de investimento em infraestrutura urbana e consequentemente fazer com que toda a população aceite a bicicleta naturalmente.

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