bicicleta é pra quem pode, não pra quem quer

ir de bicicleta de trabalho é pra quem pode, não pra quem quer. não é uma questão de poder de compra, mas de qualidade de vida.

qualidade de vida não se mede pelo poder de compra. se mede pelo grau de transtornos pra se viver o cotidiano. quanto menos transtornos, maior a qualidade de vida.

grace kelly: não ia do morumbi à paulista para trabalhar

no caso da bicicleta, você precisa morar não longe demais de onde trabalha. isso é privilégio de não muitos nessa cidade onde a ocupação urbana seguiu a lógica da iniciativa privada e não de um urbanismo mais racional. assim a classe média ascendente e a classe baixa foram mandados cada vez mais para longe, onde surgiam os novos empreendimentos, uma vez que a região central já estava ocupada. e ficaram morando cada vez mais longe de onde trabalhavam.

claro, o exemplo não é absoluto. uns não precisaram mudar, e outros trabalham nos mesmos bairros periféricos onde moram. então, nesses dois casos, temos qualidade de vida em matéria de transportes.

são pessoas que vão à pé para o trabalho, ou vão de bicicleta, fazendo distâncias menores que 10 kms: vão em menos de meia hora, nem chegam a suar no caminho.

claro, são menos estressados que que aqueles que precisam pegar o carro, jogar-se no trânsito da marginal…. se você precisa pegar o carro pra tudo – caso de muitos moradores do morumbi – sorry, você não tem qualidade de vida. é até perceptível a mudança corporal dos estressados. o cortisol, o hormônio do stress, também facilita muito o acúmulo de gordura no abdômen….

qualidade de vida é ausência de stress. olhe no mapa, hoje com o google maps fica tudo muito fácil. se você mora a menos de 5 kms de onde trabalha, e não consegue ir ao trabalho a pé ou de bicicleta (não por dificuldades físicas, claro, se você possui uma deficiência de locomoção ou uma doença pode depender de veículos), você deve morar num dos lados do muro que divide israelenses e palestinos, e claro, aí a dificuldade de passar é grande.

agora, se você mora no ABC paulista e trabalha em santana, ou mora em interlagos e trabalha em guarulhos, é bom repensar sua relação trabalho-moradia. pois você está participando do imenso just-in-time de gente: acorda a tempo de ir ao trabalho e para de trabalhar a tempo de ir dormir. fiz isso nos anos 90. no ano de 2001 deixei de fazer isso. passou a sobrar tempo pra fazer tanta coisa….

 

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9 Respostas para “bicicleta é pra quem pode, não pra quem quer

  1. gostei da matéria
    vou mandar o link para o qualidade de vida da
    secretaria de estado da educação
    valew odir

  2. Sempre fui morador de Santos-Sp onde tudo dá para fazer de bicicleta. Mudei para São Paulo pois queria estudar mais e ganhar mais, o problema é que não sabia como a vida dos paulistanos era caótica
    Voltei para Santos e minha vida melhorou 1 milhão de vezes, não tem comparação. Acredito que São Paulo pode ser remodelado, mas do jeito que está a cidade vai parar. Tudo mundo perde com a vida estressante, empregador e empregado !

    • veja, rafael, sua escolha foi baseada na qualidade de vida. hoje, santos, é uma cidade com alta qualidade de vida. oque falta aí pra sua vida q só tenha em são paulo? nada. e se faltar, é só dar um pulo em são paulo e resolver. as pessoas demoram a perceber isso….

  3. Excelente texto! Um abordagem inteligente sobre a bicicleta como meio de transporte. Sou advogada, trabalho em caso, vou pra academia de bicicleta, compro pão a pé, vou ao correio, banco, farmácia tudo a pé. Quando preciso atravessar a cidadde tenho o metrô à diposição a 10 minutos a pé de casa. Para isso, no entanto, deixei de lado um “emprego estável” de carteira assinada numa excelente empresa e virei chefe de mim mesma. Tem ônus? Claro! Mas os bônus compensam… No fim das contas, é tudo questão de escolha!

  4. Oi!

    Sou a Marcela, repórter do site da Trip, tudo bem?
    Estou escrevendo para compartilhar com você a edição da Trip Especial Bicicleta, que acabou de sair.
    Tem entrevista direto de NY com David Byrne, matérias em Copenhague e na Ilha do Marajó e muitas outras para discutir soluções e possibilidades para usar as bicicletas na cidade.

    A edição já está inteirinha no site: http://revistatrip.uol.com.br/revista/201

    e abaixo listo algumas matérias:

    http://revistatrip.uol.com.br/revista/201/paginas-negras/david-byrne.html

    http://revistatrip.uol.com.br/revista/201/reportagens/engarrafamento-a-escandinava.html
    Se quiser alguma foto para colocar no blog ou se tiver alguma dúvida é só falar!

    Um beijo

    Marcela (assinaltura)
    @revista_trip

  5. Não tem a ver com este post em específico, mas já que sempre rola alguma coisa sobre provas aqui…
    http://photoblog.msnbc.msn.com/_news/2011/07/26/7172868-cycling-fan-gets-a-little-to-close-to-the-action
    Mianossassenhora.

  6. Curto muito andar de bike e trabalho à 4km da minha casa, mas prá trabalhar não rola ir de bike. Entro às 06:00 da manhã, então quando saio de casa ainda está escuro, tenho que pegar uma estrada esburada, sem iluminação, sem acostamento e com um monte de loucos motorizados que parecem que vão tirar o pai da forca. isso em Taubaté, onde o transito de bicicletas é grande, principalmente como meio de transporte, mas a prefeitura não tá nem ai, só sabem instalar lombadas e fazer rotatórias ridículas onde duas pistas se tornam uma. Mas nem tudo é ruim, amanhã é domingo e vou pedalar na estrada sentido Campos do Jordão e ai é só alegria!

  7. um salve pra galera do pedal!

    Pois é… Finalmente, carro é coisa do passado.

    Adeus congestionamentos, postos de gasolina, borracheiros, auto-elétrico e oficinas mecânicas! Andar de bike é o que há de melhor no deslocamento pela capital.

    Descobri uma nova “velha cidade”. Redescobri minha Sampa através do guidão da minha magrela. Caminhos antes percorridos de carro, nunca reparei em detalhes tão explícitos da arquitetura urbana.

    Pedalar me fez mais magro. Mais disposto, menos estressado, mais humano… Pedalar me trouxe amigos (e alguns inimigos mautoristas). Me trouxe alguns trocados a mais na conta também…

    Infelizes são aqueles que ainda pensam que bicicleta é brinquedo. E se for? Brinque e seja feliz!

    Ótimo pedal a todos!

    Feliz dia mundial sem carros!

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