tomando cafézinho com david byrne

gostaram do título? pois é, fiquei carudo. depois que o mikael colville-andersen foi lá me visitar no meu bate-papo na mão na roda, e então fui convidar o david byrne pra tomar um café aqui em casa e falar de bikes….

claro que isso é gozação. as coisas não são assim. fui ao debate que o david byrne, ex-talking heads, tem promovido, a partir da questão da mobilidade nas cidades. é claro que ele tornou-se um crítico do modelo urbano americano, pois passou a andar de bicicleta por aí…. é fato, a bike nos faz olhar as cidades com outros olhos. a bicicleta é um poderoso instrumento de leitura de mundo.

aquilo tava lotado de gente, e eu conhecia muitos. é fato, o mundo das bikes aqui em são paulo congrega muita gente inteligente, a troca de idéias de qualidade é brutalmente rica. é uma intelligentzia que difere-se de outras por estar movida também por um princípio hedonista. é fato, trocar o carro pela bicicleta não é apenas ecologicamente e urbanisticamente correto, é também muito divertido. andar de bike é do caralho!

o ser humano é animal gregário, vale dizer que é da riqueza e variedade do grupo que surge a preservação do mesmo. diversidade é necessário. por exemplo, nosso ciclo circadiano, aquele relativo aos horários em que temos necessidades, é de cerca de 28 horas, e não 24. se fosse de 24 horas seria o caos, pois todos nós dormiríamos, acordaríamos, comeríamos, beberíamos nos mesmos horários. o congestionamento seria brutal, do trânsito à porta dos banheiros. por ser de 28 hs o ciclo médio humano, as rotinas não batem: uns almoçam mais tarde, outros mais cedo, e o restaurante pode atender a todos, pois não são todos ao mesmo tempo.

e mais, alguns poucos, uns 10%, têm ciclos ainda maiores, de até 32 horas. são os que adoram dormir tarde, e acordar mais tarde ainda. os noturnos por excelência, os que adora pedalar à noite. outros 10% da população têm ciclos de 24 horas, são aquelas pessoas que bocejam às 21 horas e acordam irritantemente felizes às 5 ou 6 da manhã. são um paradoxo, pois parecem ser felizes acordando cedo, quando não há felicidade possível em acordar nesse horário… hehehe

essa diversidade de horários entre os humanos permite nossa riqueza e variedade de comportamentos. riqueza essa que a sociedade industrial, com seus turnos de trabalho de horários espartanos, tentou apagar a todo custo. acrescente-se a isso a criação de mercados para a indústria – quem compra carros são os assalariados – criou-se a falácia das cidades sem ruas, sem esquinas, só com avenidas, vias expressas, autobahns….

mas o modelo esgotou-se. cidades morrem quando deixam de ser cidades para pessoas. cidades existe para serem apenas isso: cidades, amontoados de pessoas que convivem.

quer saber mais? vá ler o livro do david byrne. não fala nada de ciclo circadiano, mas fala de cidades. sem as desculpas do marcelo branco. o livro é legal. não é um mumford lewis, mas é bom. vale à pena.

e se não conhece david byrne, vale à pena o clip abaixo, de 1978, quando seus cabelos ainda não estavam todos brancos. a música, claro, é cantada do ponto de vista de um motorista paulistano típico. “you are late, you are blind….”

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