style meets speed

quando a verônica escreveu no twitter ou no facebook (não lembro em qual dos dois ela escreveu) que deus estaria em são paulo nesse sábado eu juro que pensei: úia, eddy merckx no brasil!

mikael colville-andersen falando de bernard riis - e eu me divertindo!

mas não, ela referia-se a mikael colville-andersen, o papa do conceito de cycle-chic. o copenhage cycle-chic foi considerado um dos 10 melhores blogs de moda do mundo, o sartorialist sobre duas rodas.

verônica é minha amiga, mas isso não impede que eu chame sua fuji de “cecizona” só por diversão e ela me dê uns tabefes de vez em quando.

verônica e a fuji

mas o fato é que o gringo veio pra são paulo para um debate com o william cruz e o eduardo jorge. isso ocorreu no sábado à tarde, e esvaziou um pouco a assistência dos filminhos que estávamos passando à tarde.

atrasei um pouco o começo da palestrinha sobre o tour de france pra esperar a turma que estava lá no debate, chegaram, comecei a falar – e eu falo pouco – e uns 40 minutos depois me avisam que o figura estava lá.

claro, veio ao microfone, perguntou sobre a etapa de sábado do tour de france e fez questão de citar que o tour de france mais importante de todos os tempos foi o de 1996, quando foi vencido por bernard riis, dinamarquês como ele…

taíza e a bianchi, na av. paulista

é, mr. cycle-chic gosta de corridas de bike. e eu tenho uma relação conflituosa com a moda – nem sempre gosto das roupas, mas quase sempre gosto muito das modelos…faz parte, né?

mas é fato que bicicletas e moda tiveram sempre uma ligação forte, assim como a equitação e moda também o tiveram ao seu tempo. da equitação vieram calças de montaria que abriram caminho ao uso de calças pelas mulheres, e, por sua vez, tal qual cavalgar, pedalar também não se faz com absolutamente qualquer roupa. ok, vestido de noiva não serve de exemplo, pois a priscila pedalou usando um.

talita, adoro esse sorriso

mas um pretenso conflito entre a turma do spandex e os fashionistas é recente, e artificial. ele decorre de uma certa explosão do ciclismo de fora de estrada nos anos 80. até os anos 70, pouquíssima gente usava “roupa de ciclista” pra pedalar. bermudas e camisas de ciclismo, e sobretudo os bonés, era coisa de poucos, o mercado era restrito a competidores.

com a explosão do mountain-biking as pessoas passaram a pedalar no mato. isso tirou a bicicleta das cidades, no imaginário de muita gente. lembro de uma vez, há uns 10 anos, na qual um motorista me xingou, na avenida consolação, e me mandou pedalar no mato….

aline na estrada

o mountain biking teve um efeito positivo sobre o uso da bicicleta. mostrou que andar de bicicleta poderia ser para adultos também. até então víamos bicicletas de criança, as barra-fortes da vida (bicicletas pesadas e fortes voltadas para um público de baixa renda) e as old-ten (aqui no brasil caloi 10, monark 10 e peugeot 10) dos anos 70. eram essas as 3 opções de bicicleta no brasil…

com as mountain bikes, os adultos aprenderam que poderiam usar bicicletas para divertir-se, ou competir….

carina e a fixa

mas como iam para o campo, e num uso muito mais esportivo, as roupinhas de ciclismo viraram hit, impuseram-se. num segundo momento, os night bikers da renata falzoni disseminaram a idéia dos passeios noturnos de bicicleta. mas tinha gente demais de mountain bikes e claro, iniciou-se o reinado do spandex em ambiente urbano.

ainda tem gente que acha que só dá pra pedalar usando spandex: bermudinhas de lycra, blusas justas de material sintético, luvinhas, capacete e óculos de proteção. muitos também de sapatilhas…

roupas de ciclismo são confortáveis para pedalar, afinal, como dizem os caboclos, sapo não pula por boniteza, mas por precisão.

sabrina e a fixa, na gringolândia

mas nem sempre são confortáveis na cidade. as bermudas não tem bolsos. ok, uma ou outra tem um bolsinho lateral… mas gente como eu, que não sabe o que fazer com as mãos, adora bolsos. roupas muitas justas atraem olhares, comentários, às vezes xingamentos…

mas pq não pedalar nas cidades com roupas normais? é aí que entra o cycle-chic. o cycle-chic recuperou o uso das roupas urbanas na bicicleta.

militância esperta

tudo isso parece uma coisa marginal, do gueto das bikes, certo? não, não é. se assim fosse, o blog de m. colville-andersen não teria sido citado como influente pela jornal inglês the guardian. e mais ainda, a indústria da moda já percebeu esse movimento que vem literalmente das ruas. como prova, veja o comercial abaixo:

sim, é armani. e bicicletas fixas. esse comercial já tem 3 anos.

o cycle-chic está fazendo muita gente pedalar, usar a bicicleta no cotidiano. a visão da moça elegante numa bicicleta feminina com cestinha à frente seduz muitas meninas a adotarem a bicicleta. claro, algumas depois abandonam esse modelo. a menina deixa num blog cycle-chic um recado encantada com a ideia, e 2 ou 3 anos depois coloca num blog de fixas a foto do rosto arranhado num tombo que tomou usando uma fixa.. sem freios! sim, passou da bela dobrável para uma bicicleta feminina maior, depois monta uma fixa com um quadro de mtb e por fim monta a sua fixa personalizada… arranca os freios… a transição do recado doce ao pedal ogro em 2 ou 3 anos….

e ela não parou de pedalar não, pq a gente nunca desiste! yeah!

na verdade, as pessoas não se fixam em estereótipos. ora se pedala em roupas chiquérrimas (eu confesso que não gosto de pedalar de gravata, embora o daniel santini já tenha me flagrado assim), ora com a nossa modinha hipster, ora com a fantasia de ciclista. afinal, roupas são roupas, nada além disso.

mas aqui no brasil penamos pela falta de visão da indústria da confecção. lá fora já temos calças jeans, por exemplo, extremamente confortáveis para pedalar, e aqui elas inexistem. espero que algum fabricante saia na frente, eu serei um comprador de calças jeans que não tenham nos fundos aquela costura f.d.p. e sejam reforçadas, pois estou cansado de remendar as minhas.

gabi, longboard não é seguro...

o fato é que segmentações no mundo do ciclismo são artificiais. elas alimentam alguns negócios, mas são artificiais. pois não existe o ciclista cycle-chic e o moutain-biker. existe o ciclista. e ponto. indo a um casório, de bicicicleta, estará chiquérrimo, indo pedalar numa trilha, o spandex aparecerá.

e nada contra alguém montar na lemond tourmalet com seus scarpins. muito antes pelo contrário, que os scarpins não sejam desculpa para a lemond acelerar na av. paulista. pois pra verônica não são.

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16 Respostas para “style meets speed

  1. São sapatos oxford, não escarpins. 😉
    Amei esse texto.

  2. E parafraseando o Mikael, eu diria mais: não existem ciclistas. Existem pessoas que andam de bicicleta. Ora você é pedestre, ora você está de bike, ora passageiro num ônibus, ora em casa vendo filme.

    Afora isso, o CCC foi o blog fundamental para eu começar a pedalar! As pessoas precisam de referências. A palestra foi muito legal (a sua também, Odir!).

    • je, ele está parafraseando deleuze tb…. “post scriptum sobre as sociedades de controle”, do deleuze, demonstra essa nossa caracterização moderna do ser e não ser estudante, do ser ou não ser pedestre, ou melhor, do estar ciclista, estar pedestre, estar motorista….

  3. lindo o post! e essas meninas mudaram bastante minha forma de enxergar algumas coisas.
    afinal, a verdade mesmo é que PENSAR é sexy 😉

  4. Belo post. O Mikael é gente finíssima. Deixou seu rastro por aqui. E a palestra dele trouxe inspiração para a que eu vou fazer na terça que vem, na Casa das Rosas. Nessa do SESC fui pego um pouco de surpresa, falei de improviso e, sinceramente, minha participação poderia ter sido melhor. Mas chego lá. 😉

  5. O hábito não faz o monge, a bicicleta é que nos faz ciclistas.

    Post brilhante.

  6. Pingback: style meets speed (nas bicicletas) | na bicicleta

  7. Excelente! E vale lembrar que amanhã tem o lançamento do Rio de Janeiro Cycle Chic com direito a palestra de mikael colville-andersen, Passei Completo noturno e Festa com lista amiga pra quem for de bike…

  8. descobri que sou SUPER chic!!! to no blog do odir
    =)

  9. eu tb sou chic!!!!!

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