TDF: contra-relógio, ou lutando contra o tempo.

hoje realizou-se uma das etapas mais belas do tour de france. o contra-relógio por equipes, normalmente abreviado em português como CRE.

thor hushovd, com a camisa de bolas vermelha, puxando o trenzinho da garmin cervélo para a vitória

nos contra-relógios, não se formam pelotões. no contra-relógio individual (CRI) ninguém pode pegar o vácuo de ninguém. no CRE, a equipe anda em linha, revezando-se os ciclistas na frente, um pegando vácuo de outro. as velocidades são impressionantes, podem passar de 70 kms por hora.

as bicicletas são especiais, diferentes. aqui tem mais informações. a dirgibilidade é muito diferente, são bem menos ágeis. é mais difícil fazer curvas com elas. mas a aerodinâmica é fenomenal. só perdem nesse quesito para as bicicletas reclinadas e as beam-bikes, ambas banidas das competições geridas pelas regras da UCI.

em verde, cadel evans puxa a equipe bmc

os passistas, ciclistas que mantêm muito bem o passo, são os reis do contra-relógio. sofrem os magros montanhistas, sofrem os explosivos sprintistas. mas e no contra-relógio por equipes?

a coisa muda um pouco. primeiro que vale o tempo da equipe para todos que chegam juntos, acontado o tempo do quinto ciclista a passar a linha de chegada. assim, pelo menos 5 precisa chegar juntos. as equipes têm 9 ciclistas, nem todos bons no CR, é comum que fiquem para trás no decorrer da prova – chegando mais tarde e computando seu tempo real.

no CRE os candidatos a líderes dependem dos demais membros da equipe para defender suas posições, para avançar… ou não. as saídas, a cada 7 minutos num contra relógio como o de hoje, para evitar que uma equipe alcance outra e haja situações com muitos ciclistas agrupados, o que pode gerar tombos num contra-relógio.

no CRE de hoje, a equipe vencedora foi a garmin-cervélo, percorrendo os 23 kms do trajeto em 29 min e 39 seg. calculem a média…. isso catapultou seu líder, thor hushovd, à liderança geral, e este passa a usar a camisa amarela. o segundo lugar, david millar, é seu companheiro de equipe. o segundo lugar da equipe bmc, chegando apenas um segundo atrás da garmin-cervélo, deixou seu capitão apenas um segundo atrás de thor hushovd, na classificação geral. melhor impossível.

cadel evans fica a apenas 1 segundo do líder mas sua equipe fica liberada de defender a camisa amarela. ou seja, pode participar das próximas etapas sem pressão. andy schleck está em 10º lugar, 4 segundos atrás do líder. mas quem continua vivendo um inferno é alberto contador.

contador agora está a 1 min e 47 seg. do líder. diferença boa para tirar nas próximas etapas. questiona-se se ele poderá guardar forças para as etapas de montanha, se não terá que atacar os líderes ainda antes, para diminuir essa desvantagem. o CRI ocorrerá apenas na penúltima etapa. contador é muito bom em contra-relógios, mas não poderá deixar de procurar muito antes desta etapa de 42 kms de atacar os líderes. agora precisa como nunca diminuir as diferenças, para mostrar que ainda está na disputa pela vitória na classificação geral. hoje seu favoritismo é amplamente questionado. de favorito a azarão, em apenas dois dias. esse é seu drama.

o que nos espera amanhã? uma etapa plana de 198 kms entre duas cidades costeiras, de olonne-sur-mer a redon, com apenas 2 metros de variação altimétrica no último km. uma etapa sob medida para sprintistas brilharem.

como alberto contador pode tirar tempo numa etapa como essa? depende muito da sua equipe. amanhã não é um dia para estranharmos se na fuga houver ciclistas da saxobank, a equipe de alberto contador. quanto mais rápido andar a fuga, mais rápido terá que andar o o pelotão, mais cansados chegarão ao final os sprintistas de cada equipe, portanto menos tempo abrirão em relação ao pelotão. mais ainda, veremos a saxobank  levando alberto contador próximo à frente do pelotão, para evitar que um outro tombo que quebre o pelotão diminua ainda mais suas chances.

essa semana será decisiva para alberto contador, para que possa chegar às etapas de montanha sem a obrigação de abrir diferenças absurdas em relação aos demais. enquanto isso, veremos os sprintistas brilharem, antes que sofram nas montanhas, ou mesmo até abandonem, batidos pelas subidas intermináveis.

thor hushovd e a camisa amarela

é, nunca um tour de france teve um início tão emocionante. antes esperávamos uma semana sonolenta até que começassem as etapas de montanha. agora não, o pau tá comendo desde o início. melhor para nós, os espectadores de um dos maiores espetáculos da terra.

amanhã, a partir de 9:30 da manhã na tv5 francesa e 10:30 na espn em português. e em diversos links na internet. coloque o som baixo no escritório, e deixe a janela minimizada num cantinho. ou, se você trabalha em alguma das empresas que patrocinam as equipes, diga que está prestigiando seu patrão. mas não  perca o show da vida equilibrado sobre duas finas rodas, com cerca de 200 libras de pressão em cada pneu.

Anúncios

4 Respostas para “TDF: contra-relógio, ou lutando contra o tempo.

  1. O louco que até hoje, era o Andy que tentava fuga e o Contador só marcava pois geralmente estava na frente. A única vez que um ficou pra trás foi porque o Andy deu aquela cabaçada no ano passado.

    Agora quero ver como vai ser o Contador puxando um morro com o Andy na cola, será que ele vai seguir o Contador como ele fazia nos outros anos?

    Realmente agora o troço está ficando divertido.

    • pois é, e tem o cadel evans no meio. acho q nenhum tour de france reuniu tantas circusntâncias favoráveis ao cadel evans. sem falar que ele reúne melhores condições que o andy schleck pra ganhar…

  2. Os posts estão esclarecedores e estimulantes.
    O tempo correto de cobertura do percurso de 23 km não seria 24min48seg? Isso dá 55,6 km/h de média. Nos 29:39 a média seria de 46,5 km/h.

    • olá noe!
      obrigado pelos elogios. o tempo é esse mesmo, divulgado pela organização. o trajeto reduziu a média pela grande quantidade de curvas, naturalmente bem mais lentas nos CRE do que nos CRI em razão da quantidade de ciclistas agrupados. mas mesmo esse cuidado não impediu que um compnente da equipe HTC fosse ao chão logo no início, na terceira curva. em linha reta, num percurso sem curvas, a média teria ultrapassado em muito os 50 kms por hora. mesmo 46,5 kms é uma média bem alta para um grupo de menos de 9 ciclistas. costuma ser a média de pelotões de mais de 100 ciclistas. nas retas foram registradas médias acima dos 60 por hora. os resultados estão divulgados no site da organizadora do tour. e obrigado pela visita.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s