uma roda traseira mais resistente?

e então vc virou cicloturista pesado. carrega bastante peso. a essa altura já percebeu que aros 700c ou 29 pol entortam e perdem raios adoidado quando carregam muito peso. vide o que passou o pasqualini com sua aro 29. veja a solução encontrada pra reforçar a roda traseira aqui.

e daí vc pula para as bikes aro 26. percebeu que a thorn produz sua touring mais pesada  só com aro 26″. a surly disponibiliza a long haul trucker com aro 26 para tamanhos menores de quadro, e para tamanhos maiores, como opcional. roberts, koga-miyata e outros tantos fazem o mesmo: as world travellers com aro 26.

mas claro, com grana faltando pra importar uma bike dessas, recorre à velha e sempre válida opção de pegar uma antiga MTB de cromo-molibdênio, do final dos anos 80, começo dos anos 90, que dá uma touring excelente. atualiza a bicicleta, taca 27 marchas nela, roda boa, 32 raios…. e claro, eles quebram com o peso.

como fazer pra que isso não aconteça? qual a roda mais forte?

primeiro, use rodas de 36 raios atrás, se a intenção é carregar peso.

marcada em verde a distância entre o eixo da montagem da roda e a flange direita do cubo – essa distância é maior nas rodas de 7 velocidades

segundo, use rodas montadas para 7 velocidades. sim, vc andará com apenas 21 marchas, e não 24, 27, 30 marchas…. não se trata de colocar um cassete de 7 velocidades e um espaçador. mas de uma roda montada para 7 velocidades: usando o núcleo um pouco mais curto.

essa roda será montada com o cubo mais centralizado. ou seja, os raios do lado direito da roda estarão mais inclinados do que uma roda para 8/9/10 velocidades. essa diferença de poucos milímetros altera substancialmente a tensão dos raios.

se olhar a ilustração acima, dá pra ver que os raios do lado esquerdo estão substancialmente inclinados para fora. os do lado direito da roda, em razão deste lado comportar o cassete, estão menos inclinados. quanto maior é o espaço lateral ocupado pelo cassete (na verdade, pelo seu núcleo), mais ele terminará “para dentro” da roda, portanto exigindo uma montagem com raios mais verticais, em posição mais vertical.

esse é um dos motivos pelos quais aquele tipo de acidente horroroso que odiamos, quando o câmbio traseiro entra na roda, é puxado para trás e entorta a gancheira da roda, passou a ser mais frequente em bicicletas de 24 ou mais marchas. pois quando a indústria acrescentou o oitavo pinhão ao cassete, apenas alargou o núcleo. mas manteve esse tamanho de núcleo quando criou os sistemas de 9 velocidades e 10 velocidades, apenas fazendo caber 9 ou 10 pinhões onde havia 8: espremendo-os. veja que a corrente usada para 7 ou 8 velocidades é a mesma, e trocador de 8 velocidades também troca 7 velocidades, pois o espaço entre os pinhões é o mesmo.

a partir do surgimento das 8 velocidades no cassete , passou-se a montar a roda com os raios do lado direito mais para dentro, e os acidentes comcâmbios mal regulados, funcinando muito rentes aos raios, multiplicaram-se. como também tornou-se mais freqüente o alinhamento e a quebra de raios.

tenhouma bike com 21 marchas e as demais com 24/16 marchas. é gritante a resistência maior da roda de 7 velocidades. atualmente essa bicicleta com 21 marchas roda por ano mais de 5.000 kms. ela tem 18 anos de uso. teve o primeiro raio quebrado na roda traseira no começo desse ano. 18 anos para se trocar um raio é um bom prazo, não é?

claro que é melhor ter mais marchas. e claro que não estou afirmando que rodas para 8/9/10 marchas atrás sejam muito frágeis. há rodas extremamente fortes atualmente no mercado.  mas as rodas de 7v, as de boa qualidade, ainda são mais resistentes. então, pra quem quer dar a volta ao mundo e só tem grana pra comprar aquela velha specialized hardrock, ou uma trek antelope, ou uma gt timberline….. mantenha esse aspecto da bike original. troque o cassete por um com maiores pinhões – e portanto marchas mais curtas – equipe sua bike e caia no mundo. antonio olinto de a volta ao mundo com uma bicicleta de 21 marchas.  sobrevive-se com 1 (ou 2, ou 3) pinhão a menos, e com espaços maiores entre as marchas.

20 Respostas para “uma roda traseira mais resistente?

  1. Olá. Achei interessantíssima a explicação. Se eu soubesse disso há mais tempo… Obrigado. Abraços

    • enrico, infelizmente falta na nossa “biciclultura” esse tipo de informação básica…. o livro que o herr dünner citou no comentário abaixo é bíblia, mas está em inglês e boa parte dos brasileiros não entendem. às vezes nem mecânico de bicicleta sabe o pq que uma roda de 7 velocidades, mesmo com 32 raios, pode dar menos manutenção que uma roda de 8/9/10 com 36 raios. ainda nos falta mais cultura sobre o assunto.

  2. Odir,

    Minha roda de treino na speed também tem 36 raios, o que é raro. Em 5 anos de uso nunca quebrou raio, nunca desalinhou. A desvantagem é o maior peso. Mas acaba sendo positivo, porque faço um pouco mais de força no treino e quando coloco a roda leve para uma competição dá aquela sensação de “Oba, hoje estou em um dia bom!”

    • MIG, com o seu tamanho…. hehehehe, mas quantos speedeiros teriam chiliques se subissem numa bicicleta com roda de 36 raios? tem gente que tem que andar com a bicicleta de ponta pronta pra competição até pra dar uma voltinha no parque….heheheheheh

  3. bom dia Odir,
    como sempre reduzir o número de raios reduz o peso, mas que reduzir de 36 para 32 raios representa um aumento de 13 % de pressão por raio ninguem menciona. tenho o maior problema para achar cubos e aros de 36 furos, por isto eu tenho um pequeno estoque. o que também ninguem menciona, é que para uma pessoa acima dos 85 kgs nenhuma dessas chamadas rodas de sistema, com 16, 20,24, etc. raios aguenta a medio prazo. parece que ninguem leu o livro do Jobst Brandt.
    abs,

    • herr dünner! eu ando estudando… hehehe, mas veja, eu souum privilegiado, pois tenho acesso ao livro e leio em inglês. na nossa “bicicultura” falta conhecimento. mecânicos de bicicletas muitas vezes são pessoas simples que até sabem que 36 raios deixa a roda mais resistente, ma snão atentou a esse detalhe para a construção do “chapéu” (ou dish, como dizem em inglês, embora “dish” seja prato), que também altera a resistência. o fato é que a obsessão pelo peso baixo nas bicicletas está gerando o consumo de produtos muito frágeis….

  4. Oi Odir, tem alguns detalhes sobre a minha roda aro 700. Primeiro eu faço viagens apenas com aro 700 desde 2004 e sempre com muito peso. Problemas com raios tive na mesma proporção que eu tinha quando usava as aros 26. Cheguei a realizar várias viagens de bike com aro 700 e não tive um raio quebrado sequer.

    Nessa viagem, tive problemas com raios a partir de Cuiabá, depois de mais de 2 mil kms, mas creio que o problema que eu tive aí, primeiro foi por defeito do aro, vejam essa foto.

    https://picasaweb.google.com/109474896888609919622/ProjetoBiomasMatoGrosso#5588810702370196002

    Depois de Cuiabá eu coloquei um aro novo, mas a partir de então vários raios começaram a quebrar na sua cabeça. Só em Palmas, depois de outros 2 mil kms, descobri o motivo. Quem montou a roda fui eu (avancem as outras fotos), mas na hora da montagem eu deveria ter seguido o sentido dos raios antigos, mas fiz exatamente o oposto.

    Quando a roda já está assentada, as cabeças dos raios promovem um desgaste no cubo, formando uma espécie de encaixe. Quando coloquei os raios em outro sentido, esse desgaste gerou uma folga, o que fazia os raios arrebentarem, no asfalto, no plano.

    Em Brasília a Caloi mandou essa roda com raios trançados e reforçados.

    https://picasaweb.google.com/109474896888609919622/ProjetoBiomasBrasilia#5590327936898040834

    Depois disso, fiz os 1000 kms restantes sem maiores problemas. A roda empenou um pouco, mas como tinha freios a disco, isso não foi problema.

    Outro detalhe, a roda dianteira, toda original, só foi ter um raio quebrado depois de mais de 5 mil kms de viagem e ela também carregou muito peso, sem contar todo o impacto que ela recebia, principalmente nas descidas em terra. Portanto podemos dizer que os aros 700 até que resistiram bem.

    Mas se o cicloturista quiser investir para não ter problemas, colocando um aro mais resistente e raios mais grossos, terá muito menos problemas que eu.

    Outra coisa, não troco minhas 27 marchas por nada nesse mundo. Já fiz cicloviagens com 21 marchas e no cicloturismo, não existe nada melhor do que sempre conseguir achar a marcha ideal, algo que raramente eu conseguia quando minha bike só tinha 21 velocidades.

    Esse é um bom post e a questão é muito importante, mas acho que a gente tem que realizar mais testes e o meu objetivo, com minhas próximas cicloviagens, é realizar esses testes para que os demais ciclistas não tenham que passar pelos mesmos contratempos que eu tive.

    []s

    André Pasqualini

    • andré, vc está numa outra categoria. vc é um cara que testa produtos. vc tem milhares de kms nas costas, tem uma noção absurda da cadência ao pedalar, vc teve suporte da caloi. é um outro patamar.

      agora imagine a estudante de 18 ou 19 anos, 2 meses de bicicletada, com 350 ou 400 reais pra gastar numa bicicleta que ela quer – e precisa ser assim – que sirva pra tudo: pra ir à faculdade, ao trabalho e pra viagens que ela está começando a fazer. ela tem duas opções: uma specialized de quase 20 anos, roda de 36 raios, 21 marchas, e quadro de cromo, ou uma bicicleta X, nova, que tá vindo com 24 marchas, 32 raios atrás, quadro “de ferro”, do supermercado . qual dessas duas bicicletas vc recomendaria a essa moça, e pq? pois é, são essas situações que se apresentam. a gente tem uma tendência danada a subestimar o nosso nível de pedal, que é alto.

      claro, pra essa menina, mais importante do que ter 24 ou 27 marchas agora é ter um produto confiável. a única coisa que ela sabia há seis meses é que ter 24 marchas é melhor que ter 21 marchas. mas entre uma caloi snake com 27 marchas e uma 29er com 21, vc ficaria com a snake?

      as marchas são um detalhe de um conjunto maior. pra se colocar mais marchas se sacrifica algo: resistência da roda. podemos retomar essa resistência com o que vc falou: raios mais grossos, outros aros, outra montagem de roda. mas este custo eu ou vc suportamos, o cicloturista iniciante que tem menos de 20 anos não suporta, nem sequer entende. e se ele se levar pelo fetiche das 27 ou 30 marchas (no nível de pedal dele isso é fetiche mesmo, é como a gente, com nosso nível de direção, querer pilotar um f1 ou um stock car), ele pode fazer escolhas erradas.

      esse iniciante precisa saber que a bikezinha de 21 marchas antiga não é impedimento pra ele cair na estrada (muito antes pelo contrário, ela é um incentivo). ela tem condições de ser um bom instrumento, confiável, resistente, praquela primeira viagem de todo mundo, carregando uma barraca de 7 kg, um fogareiro de 5 kg, q é o que todo mundo faz no início, né? hehehe

      e claro, as leis da física não mudam. até o ano de 2000, desde os anos 80, o único tamanho de roda que eu usava era aro 27. eu chamava aro 700c de rodinha. hj tenho até bike aro 16, e te garanto, aro 16 é a roda mais resistente que já conheci, que já usei. isso é física. mas como é desconfortável, sô! é só por isso que não dou a volta ao mundo usando uma dahon curve… hehehehe

      em tempo, aro 29 é o futuro pra muita gente, mas não pra todos, é inviável pra quem tem 1,60 de altura, e pra quem tem 1,70 o tamanho está ali no limite….

  5. oi andré,
    para as suas viagens acho, que a melhor solução seria um Rohloff, cubo com 14 marchas. ai o guardachuva, isto é a geometria da sua roda traseira, vai ficar perfeito. com o rohloff, somente precisa de um volante e um pinhão, raios cruzados por 2, porque o cubo e muito grande e obrigatoriamente o aro tem que ter 32 furos. as marchas foram dimensionadas para MTB, assim pode subir com peso ate parede.
    pode dar uma olhada no no link projet29http://projeto29brasil.blogspot.com/search?q=klaus+poloni
    a roda traseira usa um aro velocity dyad, 700c, 32 furos, de 24 mm de largura, que somente pesa 480 gr. este aro também é usado para tandem. é um tanque de guerra. pode usar o pneu que quiser, cyclo-cross, speed mínimo 28 mm, ou MTB 2,2 pol., acha em USA por USD 60 a 65.
    cai 3 vezes em um buraco a noite treinando, furei os pneus por mordida, e o aro ficou deformado na parte do freio.
    não trincou e continua andando depois de dar uma centrada.
    abs,

  6. Quem tiver interessado no livro do Jobst Brandt, pode baixá-lo aqui:

    http://tinyurl.com/43v8ptm

    Abraços,
    Antônio Celso
    Florianópolis – SC

  7. Banana sua dica. Montei meu aro kin lin com raios duplos de inox na traseira, uso pneus 1,5 com 60 psi, já bati forte em quinas de guias (ao sair da rua subir na calçada em velocidade onde não há guia rebaixada) e o aro não entorta, cheguei a pesar 98 kg e nunca quebrei nenhum.

  8. oi adriano,
    também tenho uma aro kinlin. feliz é aquele que tem o que para ele funciona. existem regras de física. tem que comparar igual com igual, depende do tipo de uso. seja feliz.

  9. Tem de enviar esse artigo lá para o pessoal da Revista Bicicleta.
    Eles começaram com o lance de popularizar o uso das bikes.
    Só que hoje deu para abordar provas e testes. E testes com bikes que o nosso minguado salário não compra. Lá se torce o nariz pra 21 marchas. A minha bike, orgulhosamente, roda com coroas 42-34-24 e cassete 12-32 (7vel). E sou feliz.

  10. Eis que retorno com duas novidades. A primeira é que batizei minha companheira de pedal com o singelo nome de Luiza – sim, nome de modelo.
    E foi pelo fato dela ter ficado, digamos, um pouco mais “slim”. E isso ocorreu em virtude da segunda novidade: pneus 1,9 slick, pedivela com coroas 44-32-22 e cassete 11-28(7 vel, é claro). A Luiza está, ouso dizer, perfeita.

  11. caramba ogum, sou um fraco mesmo, tenho 2 bikes com 22/32/44 e k7 11/32 (9V) e nunca consigo usar a combinação 44/11, nem 44/12, o maximo q chego é 44/14, mas em geral pedalo na 44/16….tenho outra 22/32/42 e os mesmo 11/32 (8V), nessa chego no 42/13 suando, todas essas marcas na reta, sem vento e com pneus lisos, um pirelli corsa pro 1.5 ou um continental 1.75 townride, mas nenhum deles suporta 65psi…abraço!

  12. E, qual o modelo que aguenta mais peso? Uma pessoa pesada, que também tem direito a poder andar de bike, precisa de uma mais resistente. Vc indica alguma?

  13. Uma das coisas que já observei nas relações de 27v é que o conjunto cassete+corrente duram menos que os de 24/21 marchas.

    Outra experiência que pude realizar foi a troca de rodas de 32 para 36 raios, sou pesado (~95kg) e vinha tendo muitos problemas com rodas. Da minha MTB, em menos de um ano, já tinha feito a troca de todos os raios (começaram a quebrar em “série”, indicando uma provável fadiga dos mesmos), após a mudança para 36 raios, ganhei uma roda mais resistente, que estão aguentando bem os trancos que recebem!

    Outra tive com uma estradeira, porém ligada também ao aro: Usava o VZAN Team Flyer – toda semana tinha que apertar raios que ficavam frouxos, e estranhamente achava a bicicleta muito confortável, troquei os aros pelos VZAN Spin – de uma hora pra outra a bike começou a ler o terreno, passei a sentir o piso e seus pequenos detalhes como faixas, pequenos objetos e imperfeições, porém não tinha mais raios frouxos em uma semana!

  14. Aprendendo mais com todos vocês. Obrigado. Meu projeto é uma speed como a Calói 10 no estilo do site bikerman: 650B guidelines, que é a experiência de um cicloturista que teve sucesso em várias trocas do aro 700c por 27,5, troca dos freios por mais longos e colocação de paralamas. A tabela de diâmetro das rodas confere o mesmo tamanho 211.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s