shimergo!

“shimergo” é um neologismo juntando as palavras shimano  e ergo. shimano é a conhecida marca de peças para bicicletas. ergo é o nome do trocador de marchas integrado da campagnolo.

câmbio shimano com rota alternativa de cabo. clique na imagem.

mas pq misturar? bom, a pergunta a ser feita é: pq não misturar? o consumidor deve ter o direito à escolha. pois grupos completos normalmente podem reunir peças excelentes com outras não tanto: câmbio traseiro ótimo e pedivela sofrível, por exemplo.

os fabricantes, por sua vez, preferem vender pacotes completos. houve época em que não faziam isso pois nem sequer os produziam completos. durante décadas as bicicletas usadas no tour de france usavam relação campagnolo e freios mafac. ou outras misturas. tudo funcionava bem.

mas a partir dos anos 70 e 80 surge a noção de grupo de peças, e pacotes completos passam a ser vendidos. foi a morte da mafac, por exemplo, que era especializada em freios.

há empresas que sobrevivem produzindo peças específicas, e não grupos completos. exemplos: tektro (fabricante de excelentes freios), miche (fabricante de diversas peças de estrada compatíveis com os grupos campagnolo), entre tantas outras.

mas grupos completos viraram padrão. mas há horas em que simplesmente precisamos misturar! mesmo que não queiramos!

um bom exemplo se dá quando se quer montar uma bicicleta de cicloturismo, usando guidão drop, de speed, com trocadores integrados às alavancas de freio, e relação bem mais leve (para carregar peso), típica das moutain bikes.

em tese, bastaria usar peças do mesmo fabricante, não é? mas a campagnolo há tempos desistiu de fabricar peças para mountain-bikes. e a shimano, que padronizou até recentemente o padrão de puxada de cabo dos câmbios traseiros (mas recomeça agora a “despadronizar” com a linha dyna-sys), o que permite usar STIs com câmbios traseiros de MTB, com braço longo e capacidade para pinhões grandes típicos de cassetes grandes de MTB (11-34, por exemplo), por sua vez não padronizou os câmbios dianteiros. e para piorar, mantém os câmbios dianteiros de estrada apenas com puxada de cabo por baixo!

então o cidadão que possui uma trek antelope 830 ou 850, e quer transformá-la numa touring, enfrenta problemas: esses quadros têm a passagem de cabos dos câmbios por cima (problema nenhum com câmbios traseiros, mas com câmbios dianteiros sim), forçando se usar câmbios dianteiros de MTB, incompatíveis com os STIs…

e isto também pq a shimano indexou os trocadores esquerdos, usados para trocar marchas pelo câmbio dianteiro. enquanto se usavam alavancas de quadro, câmbios dianteiros nunca foram problema: alavancas de quadro – e também trocadores de bar-end – nunca foram indexados para fazer a corrente pular de uma corôa à outra.

ergo campagnolo athena

pois bem, como cicloturistas resolveram isso? ora, instalaram ergos, da campagnolo, em bicicletas com relação shimano. ergos não são realmente indexados no lado esquerdo – compatíveis portanto com câmbios dianteiros da shimano para mountain bikes, mas são relativamente incompatíveis com câmbios traseiros da shimano, e seus cassetes… eu disse relativamente.

pq relativamente? pq a turma cicloturista estrangeira já descobriu como burlar essa incompatibilidade. existe uma série de formas de fazer os ergos funcionarem com câmbios traseiros da shimano e seus cassetes. nem sempre na mesma quantidade de marchas (por exemplo, usando um ergo de 10 velocidades  funcionando com um cassete shimano de 8 ou 9 velocidades).

e de quebra há uma vantagem para o cicloturista que faz essa mistura: os ergos têm o cabeamento embutido debaixo da fita, não apenas para os conduítes dos cabos de freio, mas também para os conduítes dos cabos dos câmbios. coisa que a shimano só disponibiliza na linha 105 (5700) e, como citei acima, incompatível com câmbios dianteiros de mountain bike.

mas há outros que querem fazer a mistura por outros motivos. muitas vezes é virtualmente impossível ou muito caro achar cassetes do padrão campagnolo. ou é impossível achar cassetes na medida em que se quer, ou fica-se à mercê da oferta. e dependendo das pernas e do trajeto que se faz, essa oferta é inadequada: é preferível fazer os audaxes aqui de são paulo usando apenas 8 marchas, mas com uma amplitude no cassete de 12 a 28 do que ter 10 marchas usando um cassete 11-23. pior do que ter buracos na relação é não ter marcha usável nas subidas.

assim, misturar acaba sendo uma necessidade. e misturando se descobre cada coisa…..

como citei aqui, já tive uma bike-salada: cubo traseiro shimano. cassete sram 12-30 8v. câmbio traseiro campagnolo athena (93 ou 94), câmbio dianteiro shimano, pedivela dotek, alavancas de quadro sachs, freios dia-compe, manetes tektro… e funcionava que nem um relógio.

hoje os fabricantes esforçam-se para vender os grupos completos. inventam até incompatibilidades ente peças próprias. por exemplo, a linha shimano de câmbios atraseiros a aprtir de 7 ou 8 velocidades está com puxada de câmbio padronizada – com exceção do recém lançado padrão dyna-sys. mas houve quem pulou de sistemas de 24 marchas pra 27 marchas, e trocou desnecessariamente o câmbio traseiro, por desconhecimento.

a rigor, todos os sistemas mecânicos de câmbio (excluem-se os grupos eletrônicos, por enquanto apenas dura-ace di e di2), inclusive os câmbios internos aos cubos são compatíveis. é tudo uma única questão de acertar a taxa de puxada de cabo. tanto que alavancas não-indexadas funcionam com qq coisa. nos câmbios indexados, a questão é acertar a taxa de puxada de cabo a cada clique, que permita usar um determinado cassete. pois cassetes de velocidades diferentes a partir de 8 velocidades têm espaços entre os pinhões diferenciados. cassetes de 7 e 8 velocidades têm espaços iguais (e por isso uma roda originalmente montada com um cassete de 7v. precisa de outro núcleo, mais largo para ser montada com cassete de 8v), e portanto o cassete de 8v. é basicament eum cassete de 7v. com um pinhão a mais. mas ao pularem pra 9 marchas, os sistemas não ampliaram a largura dos núcleos – o que exigiria quadros com espaço maior atrás, para eixos mais longos), e estreitaram o espaço entre pinhões – e tb a corrente – para caber mais pinhões no mesmo espaço.

mas ora, se a questão é apenas uma taxa de puxada de cabo, alterando essa taxa estaremos tirando as incomaptibilidades? sim! esse é o segredo da coisa.

primeiro os ciclistas experimentaram misturar peças diferentes e descobriram algumas compatibilidades não imaginadas. por exemplo, um trocador de 10 velocidades da campagnolo operando um câmbio campagnolo pré-2001 (que usa uma outra taxa de deslocamento diferente da taxa atual da campagnolo) permite usar cassetes 10v. da shimano!

depois passaram os ciclistas alquimistas a prender os cabos nos câmbios de forma diferente. na verdade, quem primeiro fez isso foi a própria shimano. a linha dura-ace era incompatível com o resto da linha shimano – tinha outra taxa de puxada de cabo. quando tornaram o grupo dura-ace compatível como resto da linha, os câmbios traseiros dura-ace passaram a permitir o encaixe do cabo de duas formas. numa das formas ele é compatível com os trocadores atuais. na outra forma ele é compatível com a antiga linha dura-ace.

depois a hubbub custom bicycles descobriu que predendo o cabo por fora da guia, no câmbio traseiro, tb alterava-se a taxa de puxada e isso permitia a compatibilização de uma série de sistemas.

e mais para frente ainda alguém montou trocadores campagnolo e ficou testando compatibilidades… e acertou algumas.

assim, por exemplo, pensando nas variações possíveis, quem tem um trocador campagnolo de 10 velocidades pode usar:

– com câmbio campagnolo novo: cassete campagnolo de 10 v.

-com câmbio campagnolo antigo: cassete shimano de 10 v.

– com câmbio shimano, montagem normal: cassete shimano de 8v.

– com câmbio shimano, montagem dura-ace antiga: catracas antigas de 5 ou 6 velocidades.

– com câmbio shimano, montagem hubbub: cassete shimano de 9v.

assim, vemos que são muitas as possibilidades, e isso sem utilizarmos peças para adaptação. mas se quisermos acrescentar uns 12 gramas de peso, podemos utilizar um multiplicador/desmultiplicador de puxada de cabo, um conversor. há um fabricante: jtek, que tem diversos conversores, chamados de shiftmate. inclusive há modelos para compatbilizar câmbios dianteiros e trocadores dianteiros.

se quiser ler mais a respeito das misturas de peças, clique aqui. nesse artigo, há tabelas e tabelas de compatibilidades, entre câmbios e trocadores shimano, campagnolo e sram. divirta-se.

e claro, se quer nunca, nunca mesmo, ter problemas de compatibilidade na troca de marchas, vá de alavancas de quadro não-indexadas.  há modelos baratos por aí. e tb há modelos mais refinados e caros, como os silver shifters da rivendell.

silver shifters

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5 Respostas para “shimergo!

  1. germano marcos de orequio

    preciso falar com alguem do site, onde esta o endereço?

  2. germano marcos de orequio

    mande endereço para o meu e-mail, por favor.
    Obrigado.

  3. EXCELENTE ARTIGO ESPERO ENCONTRAR MAIS SOBRE BIKES.SENSACIONAL.
    FRANCISCO JOSÉ – RIO DE JANEIRO

  4. Essas alavancas da Rivandell são cópias bem feitas das antigas alavancas da Suntour, que são imbativeis até hoje.

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