a bike é hype, pedalar é sexy!

sejamos claros, pedalar é sexy. queiramos ou não.

liz hatch

ontem, no intervalo da aula, as alunas tiveram coragem de vir me perguntar sobre minhas pernas. dou aulas engravatado (uso calças largas), mas vou de bicicleta à faculdade, o que sempre gera muitos comentários. saí de lado da conversa, depois “ancorei-me” numa aluna mais velha (uns 70 anos de idade), que depois me contou:

– mas claro, professor, que as meninas estão ouriçadas! nesse mundo de gente barriguda de perna fina, quem tem pernão é rei!

e começou a reclamar de como estão as pessoas hoje em dia, que antes as pessoas eram enérgicas, fortes, vigorosas!  olhinhos brilhando em direção a mim.

até liz hatch cai de vez em quando...

claro, saí lindo e gostoso da situação. e claro, sou um tipo tão bonito, alto e garboso que um dos meus apelidos é… danny devitto!

pára, gente! pra um ogrinho que nem eu fazer sucesso, só no campo da fantasia desse povo de mente desocupada. mas dá a medida do como muitas vezes os ciclistas são vistos.  é fato que o ser humano, com a crescente sedentarização da vida contemporânea, ficou amolecido, flácido. escadas rolantes, controles remotos, elevadores…. não importa  se gordas ou magras, as pessoas estão amolecidas. arfam ao subir uma escada, enquanto o ciclista a sobe de dois em dois degraus sem fazer força. as pessoas escorregam e caem, e o ciclista escorrega e recupera o equilíbrio. o ciclista urbano passa a imagem de poder, de ser muito corajoso ao enfrentar o trânsito, muito seguro, muito firme, num mundo de pessoas assustadiças com coelhinhos…

joseph gordon-levitt, no harlem

é fato, impera o medo na sociedade, as cercas elétricas, carros blindados e outros estão aí para provar. e, no entanto, nós temos a “coragem” de pedalar de noite, na madrugada, pelo centro de são paulo….. eu sei que deixo as pessoas (não-ciclistas, obviamente) meio assustadas quando descrevo como se passa em rotatórias como a da praça campo de bagatelle, ou como pedalar em grandes avenidas: apenas pedale rápido… faça força, acelere quando tiver que ser. conhecemos o mundo “lá de fora”, e nos sentimos bem nele.

eu não pedalo diferente dos demais ciclistas. não sou especial, sou apenas um humano que pedala, e como qualquer outro ciclista, o meu corpo funciona.

não há nada de surpreendente em pedalar 300 ou 400 kms direto. de fato, nós somos o único mamífero adaptado ao exercício de longa duração: por isso suamos às bicas, somos de longe o mamífero mais fedido (que precisa de banho diário, aliás). cavalos não são capazes de galopar o dia inteiro, mas humanos são capazes de pedalar ou correr por 24 horas ou até mais. basta ter um certo preparo, o equipamento certo, a alimentação certa.  por isso vemos pessoas de idade avançada temirnando a modalidade mais extenuante de triathlon: o ironman. seus tempos podem não ser os melhores, mas eles chegam ao final.

mexer-se é da nossa natureza. e, portanto, é belo, pois o belo e atraente é o que a natureza nos ensinou a procurar e amar: o saudável. não necessariamente jovem, não necessariamente apolíneo, mas saudável.

bike messengers fotografados por Andreas Stückl

é fato, o ciclista é sexy: a pele de boa qualidade malgrado a poluição, o corpo ereto, o andar desenvolto e rijo, o humor muito melhor (irrigado pela endorfina), o raciocínio rápido em razão da farta irrigação sangüínea no cérebro….

não há ciclista, homem ou mulher, que não tenha sido nunca assediado no trânsito. assédios muitas vezes agressivos, extremamente agressivos. as meninas conhecem muito bem essa realidade (ser chamada de gostosa no meio da avenida é a menos grave das situações…), e os homens muitas vezes passam por outras semelhantes. buzinadinhas de mulheres motoristas, mão boba de coleguinhas de trabalho no elevador (como elas batem com as mãos sem querer nas nossas coxas? incrível, né?) .

claro, toda essa soma de fatores (o corpo saudável, o saber viver, o olhar diferente sobre a cidade e o mundo), nos transforma em objeto de fascínio. não importa  a idade, o sexo, se gordo ou magro,  se homem ou mulher, se adolescente ou adulto, se jovem ou velho, querendo ou não, o ciclista é sempre objeto de desejo de alguém. é fato, é dado objetivo. e motivo de muita inveja também. muuuuita inveja….

e aí, garota, prefere o poluidor ou o ecológico?

ainda mais inveja ao saberem que a gente não pára no meio do sexo depois de 3 minutos por falta de ar… pra descansar…. hehehehe, e nem precisamos comprar um carro caro pra “catar” alguém… e que a vida tem outro gosto, muito mais colorido, do lado de cá.

pedalar é sexy. acostumemos com isso. noblesse oblige.

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7 Respostas para “a bike é hype, pedalar é sexy!

  1. ótimo post, mas faltou um publicar ou divulgar no twitter ou gostei ou compartilhar no facebook ….rs

    já ia jogar no meu perfil do face…rs

    abraços

  2. Que que isso. Faltou é colocar a fotos das pernocas para saciar a curiosidade das preciosas aluninhas!!! Maldade sô!!!! Vou ali!!!

  3. Pingback: Pedalar é sexy |

  4. A cultura da bicicleta vai, aos poucos, se sobrepor à indústria cultural do medo…

  5. uma vez, na Avenida Sabino Silva, Chame-Chame, voltando daquela que é por muita gente melhor que eu considerada a Melhor Praia Urbana Deste Planeta (o Porto da Barra, claro), São Salvador, passa por mim um mauricinho num gol preto.

    Eu, só de sungão, numa Dahon Curve, e óculos escuro. Inicio de verão. E claro, final de manhã de sábado, paquerei horrores naquele trecho de mar que Glauber Rocha dizia que era “o mais civilizado e plural do país”.

    Apressado, mesmo eu dando toda passagem do mundo, ele brada:

    – Tá se achando sexy?!

    pensei em responder: “mais do que você nesse rabecão de enterro, certamente”. Mas fiz melhor:

    – Olha, nem estava, mas agora que até você achou…

    e eis que mais um viado bahiano involuntariamente saiu do armário – na verdade, arremessado fora dele por mim. Quem manda morar na Barra Avenida e não saber das coisas…?

  6. artigo maneiro e interessante pra que todos possam repensar sua postura como motoristas e passarem a ser ciclistas

  7. Muito bom seu comentário. realmente é isso mesmo que acontece na vida real.

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