campagnolo vs shimano

existe entre os adeptos das bicicletas de estrada sempre uma discussão: o que é melhor, equipar a bike com peças campagnolo ou shimano?

a discussão raramente fica do lado das escolhas racionais.  normalmente o que se discute são pontos de vista puramente pessoais: “campagnolo tem alma”, “shimano ter ar de futuro”, “campagnolo já era”, “shimano é bonitinho mas ordinário, não dura…”.

sempre afirmações falsas, sem fundamentação. vamos começar a destruir alguns mitos.

– “alma”. desculpem, a única parte da bicicleta que tem alma é o quadro, e se for de aço. e por um motivo simples: o aço trabalha muito bem, reage aos impactos de uma forma particular de modo que parece vivo. não é a mesma forma como os quadros de fibra de carbono absorvem os impactos. os quadros de fibra de carbono podem até serem muito mais confortáveis na medida em que seu movimentos podem ser projetados, dada a plasticidade da fibra de carbono. mas os quadros de aço parecem ter identidade própria. não dá pra estender isso a componentes.

– tradição. ao contrário do que se pensa, a shimano (1921) é mais antiga que a campagnolo (1933). sim, campagnolo tem mais história nas pistas de competição, até pelo fato de ser européia e basicamente até os anos 70 europeus e americanos não importavam peças da ásia. mas a ásia tinha seu pólo próprio de ciclismo, a ponto de criar até uma prova própria pro ciclismo de pista, o keirin, com regras muito específicas.

– história. ao contrário do que se pensa, a história dos componentes não se restringe a campagnolo e shimano, pois nas décadas anteriores temos outros fabricantes muito importantes: huret, simplex, sachs, mafac. aliás, há poucas décadas pe que surgiu esse conceito de “grupo de peças”. até os anos 70 se usavam câmbios campagnolo com freios mafac, por exemplo.

– durabilidade. boas peças duram. mas devemos lembrar que a durabilidade das peças não agrada aos fabricantes, interessados em vender novas peças.  há épocas em que fabricantes fazem peças de altíssima qualidade, mas em outras épocas ocorre o contrário, como mesmo fabricante. shimano, nos anos 70, era sinônimo de coisa barata e mal-feita, dentre os fabricantes asiáticos a melhor era  a sun tour. mas nos anos 90 a shimano produziu peças de altíssima qualidade, ultra duráveis. não dá pra coparar as peças com o nome “altus” dos anos 90 com as atuais, as antigas são de uma qualidade excepcional. por outro lado, campagnolo sempre teve fama de produzir peças muito duráveis. embora com a adoção da fibra de carbono nas peças haja nos fóruns gringos alguns já questionando essa durabilidade.

– disponibilidade. nesse quesito a shimano ganha. responsável por cerca de 50% do mercado mundial de componentes atualmente, sua rede de distribuição é muito grande. a campagnolo tem se tornado um produtor menor, e peca pela falta de boa distribuição de peças, não apenas aqui no brasil. uma colega, a taíza, pena pra dedéu por conta da falta depeças pra sua bike que usa campagnolo, mas em sistema de pedivela triplo. não acha câmbio, por exemplo.

– consertos. no caso da campagnolo, praticamente tudo pode ser consertado (desde que se ache as peças, né?). no caso da shimano, o miolo dos STIs não permitem conserto. de resto, tudo está disponível, de alguma forma. aliás, inclusive com atualizações: embora tenha lançado no mercado os STIs em 1990, até hoje a linha dura-ace, mecânica, tem oferta de alavancas de quadro.

– tecnologia. até pouco tempo atrás todo mundo afirmaria que a campagnolo estaria na frente: grupo top mais leve, uma marcha a mais, uso disseminado da fira de carbono…. mas a shimano revolucionou o mercado apresentando um sistema eletrônico, operado por pequenos motores elétricos, alimentados por uma bateria. quem já andou com um troço desses instalado na bike não quer outra coisa. a precisão é muito grande.

então, o que escolher? vai de gosto, como se diz. cada um tem suas preferências, não muito racionais. o importante é estar satisfeito.

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13 Respostas para “campagnolo vs shimano

  1. odirzera, apesar de você ter tentado fazer um texto imparcial, ele apresenta claras inclinações pró-shimanísticas heheh. mas tudo bem, é difícil deixar nossa preferência de lado.

    a campagnolo não trabalha só com carbono, certo?

    qual a sua opinião sobre os sram? ouço falar muito bem deles. mas pelo que eu vi até hoje, parece que só trabalham com linhas de alta performance.

  2. oi odir e paulo,
    no meu caso, quando començei a pedalar mais seriamente, em 1972, a opção mais barata era shimano, comprei um conjunto que tenho ate hoje, na casa dos meus pais, com certeza fez uns 15,000 km, e continua funcionando impecavelmente. campagnolo sempre foi, e continua sendo na europa, símbolo de qualidade e durabilidade. hoje, tem os 3 grandes concorrentes shimano, campagnolo e sram. shimano tem hoje uma identidade propria e tem a maior rede e sortimento (speed e MTB) dos tres, com quase todas as opções de nível e preço. campagnolo está concentrada no speed e cyclo-cross com preços mais para cima. sram o último a entrar na concorrencia tem peças de boa qualidade, mas ainda peca em confiabilidade, a durabilidade dos cassettes, cambios e correntes são bem menores que as dos outros dois concorrentes. acho que é uma questão de tempo de sram alcançar os outros. mas de momento ainda não é o caso. aqui no brasil shimano está obviamente na frente dos outros dois em termos de sortimento e distribuição. espero ter ajudado.

  3. opa, valeu richard.

    eu entrei agora pro mundo da campagnolo, acho incrível a precisão do câmbio. mas tenho certeza de que um shimano equivalente faz o mesmo serviço.

    o problema é que a shimano vai desde o mais básico (ou vagabundo) até o mais top. na verdade não é um problema, é exatamente por isso que eles dominam o mercado. eu sempre fiquei nos mais básicos, então acho que não posso julgar a marca por eles. na fuji eu tinha um sora, que já quebrou no meio durante uma viagem (vejam a foto: http://tinypic.com/view.php?pic=qyzrkp&s=7 ).

  4. oi paulo
    a pergunta é, porque quebrou, e como quebrou (batida, mal ajuste, gancheira, falta de lubrificação e manutenção, etc.). para todo existem regras. por exemplo, o cubo shimano 105 é fundido, e o cubo ultegra é forjado. isto significa, ate 3500 km por ano, usa 105, acima de 3500 km por ano usa ultegra. somente, que a maioria dos vendedores, nem sabe disto. assim, poderiamos continuar com interminaveis exemplos e como cada marca tem as suas caraterísticas, também os seus pontos fortes e fracos. moral da historia, importante e saber para que uso a peça está planejada. abraços e bom pedal

  5. ótima essa discussão de vcs! richard, vc acrescentou de forma sintética o que eu transformaria num post de 20 páginas.
    zapella, não é preferência. tanto que na frente do meu computador eu mantenho um câmbio campagnolo (é um provável record) do início dos anos 90 que eu usei no meu primeiro audax.
    o que me irrita na indústria como um todo é mania de não usar padrões. assim campagnolo, shimano e sram tem padrões de puxadas de cabo diferentes e shimano/sram e campagnolo usam sistemas diferentes de encaixes para os cassetes. a shimano até agora manteve um padrão único de copatibilidade para todos os câmbiso traseiros, o que nos ajuda muito usar trocador de speed, STI, com câmbio de MTB e cassetes grandes, como 11-32. mas essa mesma shimano acaboude lançar outro padrão pra linha de mtb, no quesito puxada de cabo, o dyna-sys, e vai acabar com essa compatibilidade.
    vc não pode comparar sora com campagnolo. na minha bike meu câmbio é dura-ace e o trocador, non-series, é r500. a precisão é excelente. assim como vc se encantou com um grupo campagnolo de qualidade melhor, conheço gente que pulou de campagnolo xenon pra shimano ultegra e encantou-se com shimano. eu não tenho esse encanto, eu só me preocupo com disponibilidade de peças, durabilidade, e preços. mas minha bike ideal usa câmbio shimano XTR atrás, cassete 11-32 de 9 velocidades e trocador campagnolo ergo de 10 velocidades. ah, e pedivela triplo. coo copatibiliza? eu sei….. eu sei fazer isso… heheheheh

  6. pois é, é por isso que eu disse que não posso julgar shimano. tenho certeza de que as linhas mais tops com certeza são fudidas!

  7. Só como relato de experiências, comprei minha speed usada com câmbio Shimano DuraAce de 9 velocidades. Alguns dizem que é o mais durável que a Shimano já produziu. Não sei quantos km ele já tinha, mas o volantão já estava gasto, e troquei no ato da compra.

    Depois disso já rodei 15.000km com ele, só trocando correntes e rodiziando cassetes (nas rodas de treino e competição). Nunca falhou uma marcha, nunca deu o menor problema, precisão total mesmo. Até já tomei dois tombos feios, um deles entortou a gancheira e o câmbio nem sentiu, só fez um risquinho.

  8. O complicado da campagnolo é que ela é uma empresa de nicho, mesmo lá fora não é a coisa mais fácil do mundo conseguir peças dela. Estava querendo um cassete 9v com final 28, mas com pinhão 11 ou 12 também, mas parece que isso não existe na linha da campagnolo, só se eu desmontasse outro cassete para aproveitar os pinhões e colocasse no meu atual. Não sei se ia ficar bom.

    Já tive problemas com a mola do freio da minha bike, começou com uma pequena trinca que foi aumentando até quebrar de vez e o freio não funcionava mais. Era um campagnolo veloce, é da linha intermediária da campagnolo, em uma bike pouco rodada, mas aconteceu. O lado bom é que tem uns sites que vendem todo tipo de peças de reposição, desde molas de ergopowers até parafusos de fixação dos freios. 1 mês depois e R$30 gastos, uma nova mola chegou pelos correios. Coloquei a mola no lugar e está rodando denovo.

    Mas em relação às trocas de marcha é mais uma questão de “personalidade” do que de precisão. Shimano troca mais macio, campagnolo e sram são mais firmes.

  9. Bah, se é para espalhar no ventilador, eu uso ergos, câmbios traseitro e dianteiro e pedivela campy; enquanto cassete e corrente são Shimano.

    Isso p/ que os dois últimos componentes são os que mais se desgastam e cuja variedade e disponibilidade são muito boas na linha shimano – além de mais baratas.

    a única desvantagem é a limitação de compatibilidade até as 9 velocidades. Mas, sinceramente, não sinto a menor falta de marchas na minha bici!!! posso viver até com umas 7 velocidades!!!

    abraços

    • tulio, tem gringo fazendo campy e shimano funcionar em conjunto até 10 velocidades. tem truques. um deles: ergo de 10, câmbio campgnolo antigo de 8v, cassete shimano de 10. o câmbio eu já tenho…hehehehehe

  10. Concordo que os Shimanos são mais macios e os Campagnolos são mais “precisos” , nota se principalmente num sprint, que os Campanholos passam uma sensação de segurança ao mudar de marcha, não sei se esta relacionado a “dureza” das molas.
    O custo beneficio para que anda com a grana curta a Shimano ganha pois a compatibilidade e a disponibilidade de peças dessa marca no Brasil é muito grande em relação a sua concorrente ai a reposição de peças fica bem mais fácil .
    Agora a durabilidade das marcas foram realmente mudando na história das duas marcas, notei isso principalmente nos cubos pois cubo antigos rodam macio até hoje enquanto os mais novos o desgaste de bacias e cones é mais evidente, mas não sei explicar tecnicamente por que.

    • luciano, infelizmente há um troço chamado “obsolescência programada” atingindo o mundo das bicicletas desde os anos 90. é visível nos grupos de MTB. ando simplesmente impressionado com o grupo altus a20 de 21 marchas (1993: shimano com 14 grupos aplicáveis às MTBS, dos quais pelo menos 4 chamavam altus, e na época o a20 equivaleria a algo como o de0re xt de agora), que equipa uma trek antelope que uso diariamente, aguentando todo tipo de abuso. é absurda a precisão, a durabilidade. só pede o básico: alguma limpeza e alguma regulagem após uns 1000 kms de buraqueira aqui em são paulo.
      tenho outras bikes, com peças até “melhores”, mas mais recentes, e não há essa durabilidade. vc percebeu nos cones e esferas, em fóruns gringos percebem em roldanas dos câmbios, movimentos internos dos trocadores e etc. as peças gastam-se mais rápido.

  11. Outra coisa que deve ser observado também é nos câmbios com hastes de carbono, que o simples atrito da corrente um pouco suja com essas partes , cria um desgaste da peça ao ponto de enfraquecer e quebrar.

    Meu mecânico colou um adesivo para proteger preventivamente esse desgaste.

    Consegui um adesivo especial que cobre rolos de máquinas engomadeira para reparar esses quando a parte de teflon estraga ….

    E por ai vai …

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