300 não é 200 + 100

e então brevetamos os 300 kms. mas apenas nós sabemos o que sofremos para tanto.

na largada, segundo o elcio, esse é o mestre dos magos audaxiosos. baixinho é a mãe....

o trajeto foi de 306 kms, de extensão, com 2600 mts de altimetria acumulada. por si só não é grande coisa, menos de 1000 mts a cada 100 kms. mas grande parte dessa altimetria está acumulada em 150 kms apenas, entre o km 75 e o km 225 do total pedalado.

pq será que o apelido dele é poneis?

o trajeto foi o mesmo do audax 400 de são paulo do ano passado. sai-se de boituva, pela rodovia castelo branco, sobe-se a serra, vira-se à direita para pegar os cerca de 20 kms da castelinho que nos deixa em botucatu, e aí pegamos a rodovia marechal rondon em direção ao interior, até são manuel (no audax 400, até bauru).

eu conhecia o trajeto. sabia do vento contra que pegaríamos mas não imaginei sua intensidade. ano passado o audax 300 foi só pela castelo, pegamos vento contra mas em trechos mais planos. desta vez somou-se subidas e vento contra. rajadas laterais também. o rafael dias menezes achou esse audax equivalente, em grau de dificuldade, com o audax do carvão, no paraná. claro, os trajetos são diferentes. mas permite-se uma comparação.

no PC1, ao lado da mesa de controle o farto suprimento de gatorade, água, lanchinhos, frutas

o grupo no qual eu estava, a turma com mais ou  menos o mesmo nível de pedal, levou 6 horas para fazer os primeiros 150 kms, com vento a favor. e quase o dobro pra voltar! isso dá a medida da influência do vento. houve quem parou de pedalar na descida e a bicicleta parou. outro colega pela primeira vez teve que pedalar em pé numa descida….

acostamento com barro, em foto do rafael dias - note também as condições do tempo

esse detalhe do vento fez diminuir as médias de muita gente. aumentou o cansaço e, portanto, o perigo. mas devemos entender que foi um daqueles detalhes da natureza que são imponderáveis. no dia anterior não havia vento na região…. mudaram as condições climáticas no dia do brevet. mas, por outro lado, também não tivemos aquele sol escaldante.

o acostamento mostrou uma piora sensível em relação ao ano passado. continua muito bom, mas está muito mais sujo. mais cheio de pedriscos, arames, e principalmente terra, areia e pedras nos locais de acesso à estrada por parte de carros de povoações, sítios e etc. houve inclusive um tombo, a baíxissima velocidade, à noite, no qual o poneis acabou por cair e o shadow, atrás, caiu junto. era num local com areia e pedrinhas sobre o asfalto.

elcio, risada e marcelo descansando no pc3. notem o figurino de saci do risada.

houve um outro tombo perto do final, mais grave, no qual ciclistas saíram bem machucados (mas chegaram pedalando ao final). não presenciei, não sei dizer como aconteceu.

enquanto uns remendam uma câmara furada, a silvia dorme na beira da estrada

a organização, como sempre, irrepreensível. perfeita. não há o que se falar (água, gatorade, bananas, maçãs e lanchinhos nos PCs? é um luxo só. a organização nos mima…). o trajeto é lindo. a data escolhida coincidiu com a melhor lua dos últimos 20 anos. as estradas utilizadas são seguras. e altimetria, como sempre, desafiadora mas não impossível para quem se preparou: tem preparo físico, está usando a relação na bicicleta adequada para esse tipo de evento (nada de 56×42 com cassete 11-21!) , e soube administrar o ritmo de pedal. bom randonneur não é quem chega na frente, é quem vai mais longe.

maurício (có), márcia (ironwoman, com 5 ironmen completados), e eu, tomando café no PC3, depois de 225 kms pedalados

para muitos que fizeram os 300 pela primeira vez a emoção ao final foi muito forte. a silvia chorou… chorou… chorou…. não sei se de emoção ou pq ela pedalou com um monte de homem feio do lado…. hahaha

silvia encharcando a blusa do richard

eu cheguei  e fiquei na praça aguardando outros chegarem. vi muita gente chegar e é bonita a alegria, a sensação de realização estampada nos olhos alheios. chegamos em 3: eu, o shadow e o poneis. aliás, o poneis (abreviatura de “japonês”) chegou junto comigo no audax 400 ano passado. nos perdemos na entrada naquela vez. desta vez com o shadow junto não nos perdemos e chegamos à praça pelo lado certo….. é pq no cansaço muita gente dobra na rua errada para chegar à praça central de boituva.

quanto tempo levei? esqueci de marcar direitinho. cerca de pouco mais do que 18 horas. meu ciclo computador pegou chuva na sexta, não marcou nada direito.

se valeu à pena? sempre. cada pedal longo é único e rico em experiências. só quem fez para saber. não existe pedal impossível, não existe distância longa demais. é só manter o ritmo, e manter-se em movimento. é como a vida…

e que venham os 400!

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15 Respostas para “300 não é 200 + 100

  1. Nosso tempo foi de 18h21min, com 303km pedalados.

  2. eu me sinto orgulhosa de ter amigos que fazem essas coisas incríveis… parabéns!!

  3. “Planejar como se tudo fosse dar errado. Pedalar com a certeza que tudo vai dar certo.” El XuPaKaVrAz

  4. esse foi um dos pedais mais divertidos que já fiz.
    Nunca havia pedalado com vento lateral quase me derrubando e tendo que pedalar para alcançar os incríveis 20km/h nas descidas.
    Parabéns aos que completaram.

    Que venham os 400!

  5. Uma dúvida: qual foi a técnica empregada pelo Silas? Pelo tempo que ele pedalou, deve ter pegado vento a favor na ida e na volta. 🙂

  6. Ele deve ser bem mais aerodinâmico. 😉

    Aliás, creio que só consegui recuperar o tempo perdido graças ao drop bar. Fiquei deitado nele direto, contra o vento.

  7. oi Odir,
    parabens!
    podemos colocar o seu relato no blog do audaxbrasil?
    abraços e bom pedal,

  8. Bravo! Caramba, 300 deve ser lindo… 400 então…. Parabéns pelo rolê e pelo relato.

  9. Parabéns a todos que participaram , o vento contra realmente foi o fator que representou o maior desafio. Ainda bem que a previsão de chuva não se confirmou,nem tivemos o inferno na terra como foi Holambra 200.
    Lições a aprender:
    -depois de um furo ,gaste os minutinhos a mais verificando e colocando com cuidado a câmara nova,mesmo que faltem 30km para terminar(e que esteja escuro) , fiz a troca do primeiro furos na pressa e não rodei nem 10km ,pois a fita anti-furo(zefal é muito dura) mal colocada fez um estrago federal na câmara nova.
    -pensar 2x antes de colocar as garrafas de água no freezer e testar o conjunto suporte/garrafa antes , eu tinha 4 garrafas,perdi 2(as que estavam no suporte traseiro) e a maior das 2 que tinha na frente ,descobri estar rachada depois que começou a degelar…ainda bem que não fez o sol de Holambra …
    -hora de comprar um selim novo(Brooks?) pois no final dos 300 , as partes baixas estavam no limite do suportável.
    Boa sorte aos que vão fazer 400/600 , esse ano tenho dar um tempo e resolver meu problema de baixa imunidade.

  10. Hehe, o pratão de arroz, feijão, macarrão e pedaços de costela, junto com a coca, foi essencial para superar o vento contra.

  11. Parabéns Randonneurs, é muito legal ver esse espírito de companheirismo que é cultivado no Audax!

    Parabéns pelo relato!

    Até a próxima e boas pedaladas…

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