uma rua, um córrego

eu cansei de falar de enchentes, e da desestrutura de são paulo. essa semana saiu no noticiário sobre a corrupção no metrô de são paulo. sobre a estrutura deficicente, todos sabemos, basta ver nos horários de pico as pessoas prensadas umas contra as outras. o problema da corrupção é que ela encarece as obras. afinal, pensemos, pq uma empresa pagaria oito milhões de propina se não fosse de alguma forma lucrar com isso?

a um dado momento, é a corrupção que orienta a feitura das obras.  e claro, problemas não podem ser solucionados pois assim se justificam obras eternas, e portanto se mantém um propinoduto. isso vem de décadas.

não sejamos inocentes. sim, são paulo fez uma opção pelo carro justamente para que problemas sempre existissem.  se tivesse optado por outras formas de mobilidade a cidade não teria os problemas que tem, mas tendo carros pra tudo quanto é lado se justifica a construção de ruas, avenidas, viadutos, vias expressas, túneis, e etc.  não é de agora, faz tempo.

e claro, brinca-se com a natureza. canalizam-se rios e córregos, faz-se de conta que toda chuva forte é surpreendente e inédita, como se não tivesse acontecido já antes, outra vez, como se não fosse uma ocorrência comum.

não é assim. há coisas que são básicas. rios não se canalizam. é preciso deixá-los livres. no tietê fizeram uma calha subprojetada. o rio carrega muita areia, o desassoreamento tem que ser permanente. aquelas dragas que vemos só de vez em quando retirando areia do fundo deveriam fazer parte da paisagem permanente. não pode parar esse serviço.  mas esse é um gasto que não dá votos…

há uma política perversa de administração na cidade de são paulo. constrói-se o novo sempre, nunca se mantém o já existente. nunca. never.

assim, não é de estranhar as enchentes em razão de chuvas. a água sobe rapidamente, causa estragos, e poucas horas depois já baixou. isso ocorre em qq bairro. nos mais pobres, nos mais ricos, nos bairros de classe média.

na vila madalena havia um córrego. o córrego verde. a vila madalena é um bairro de classe média. até alguns anos, subvalorizada. no começo dos anos 70, ocupada pelos alunos da usp, recém instalada na cidade universitária, ali perto, mas do outro lado do rio.

hoje tem uma vida noturna forte. o que é bom pra alguns ruim pra moradores mais antigos. tem morros, muitos morros.

o córrego verde de vez em quando reaparece.

foto: homem do dedo. c. 2005

não, as chuvas não são supreendentes, pois são recorrentes. todo ano cai esse monte de água em são paulo, desde que o mundo é mundo desde antes de o padre anchieta colocar os pés por aqui. nada é novidade. até a cara-de-pau dos governantes da cidade e do estado ao se manifestarem é de se esperar. é sempre a mesma coisa.

foto: homem do dedo, 2011

cansa. tem vezes que dá um cansaço em ser paulistano, em morar nessa cidade onde a política da precariedade é permanente, onde a cara de pau dos governantes é constante, onde o asfalto é ardente, onde o trânsito é irritante.

foto: homem do dedo. 2011

é… isso é que é uma cidade historicamente mal administrada. avenidas, vias expressas, túneis, canalizações de rios, avenidas em cima. e pra ajudar uma classe méRdia carrólatra que recoloca a cada eleição esses administradores que gastam milhões pra ampliar uma via como a marginal e não ampliam o metrô.

é dura a vida do paulistano.

mais fotos aqui.

 

 

 

 

 

http://www.flickr.com/photos/fingermann/5451177381/in/set-72157625943773635/

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4 Respostas para “uma rua, um córrego

  1. Odir,
    Concordo com quase todo seu texto.
    Esse é um tema que chega a ser irritante. Conversando com um amigo que trabalha no mercado segurador, fiquei sabendo que há mtas ações de ressarcimento por culpa do poder público causado pela omissão nas enchentes em SP. Ou seja, as seguradoras vão receber, devidamente, um gordo pé-de-meia através de precatórios. São os custos que pagamos pela escolha errada dos governantes.
    Para mim, não há mais argumentos para a cidade de SP. O exemplo a ser dado é silencioso e que transita sem motor

    • guilherme, olhe com olhos de foucault. existe toda uma “economia” em torno em torno disto. o fato de a máquina não funcionar faz parte do seu funcionamento “normal”. veja que não há intervenção programada no asfalto: a prefeitura asfalta e alguma concessionária logo em seguida quebr ao asfalto novo. e remenda. e abrirá na próxima chuva. e precisará ser tampado. é o que o cabelo comentou aqui mesmo: a “obsolescência programada de buracos”. agora pense nas licitações pra empresas que tampam buraco. no custo. entendeu?

  2. Viu esse aqui?

    http://igualvoce.wordpress.com/2011/02/14/quem-paga-a-conta/

    O texto matou a pau e as fotos então, nem se fala…

    Abração aí!
    😉

  3. Concordo com a indústria da licitação, com a indústria do asfalto etc.

    Temos, de certo modo, os governantes que nos representam. Somos tolos. Nós, falo enquanto maioria, pensamos que fugir do ônibus é comprar um carro. Isso é um erro!
    A indústria automobilística ainda banca mtas candidaturas (financiamento público de campanhas resolveria?). Ainda vivemos na era em que pensar no progresso econômico é pensar em produzir mais e não em consumir (aquela analise de Dominico de Masi/Betrand Russel)…
    Qdo digo que a mudança é silenciosa, digo que ela vem de dentro. As pessoas vão mudando aos poucos. Isso não é tarefa nem para minha geração… mas as coisas vão evoluindo. Me cansa as vezes ver textos e mais textos sobre o mais do mesmo (por favor, isso não é critica! você sabe que ADORO seus textos)…
    No fundo, me parece que fica uma postura dicotômica (bikes x carros). E não vejo assim. O erro de escolha é mais governamental.

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