um dia, o sol, a serra

e foi assim: de contrabando eu desci com os voluntários do ciclo-br, mais uma vez, a serra do mar.

fizemos de novo a rota márcia prado. desta vez sem apoio da polícia rodoviária, sem aquele número gigante de pessoas. um grupo não muito grande, todos com experiência no trajeto de uma forma ou outra, todos já com muitos kms de pedal nas costas. coincidentemente, apesar das dificuldades no trajeto, nenhum pneu furado. nenhum tombo – salvo uma escorregada minha, nenhum machucado, nenhum problema com a polícia rodoviária, mas muitas, muitas, muitas risadas.

mas eu fiz uma coisa errada: saí tarde de casa. saí às 7 horas da manhã, no horário em que eu deveria estar na estação vila olímpia, ponto de encontro, início da ciclovia da marginal pinheiros. então, saí pedalando que nem um doido. no meio do caminho liguei pro aragonez pra saber onde estavam, estavam ainda na ciclovia do rio pinheiros, avisei que os alcançava. e fui pedalando que nem um doido mesmo, inclusive errando o caminho pra estação vila olímpia. alcancei-os logo no final da ciclovia. fiz esses 40 kms em 1:40 hs, tempo não dos melhores, mas eu tava de mtb com pneus de cravo, bem largos: um verdadeiro jipe. e voei baixo na ciclovia, passando 4 speedeiros e sem ser passado por ninguém, mas passando por doido….

o pessoal no final da ciclovia do rio pinheiros.

do ponto em que os encontrei em diante seguimos a rota. desta vez, ao contrário do que aconteceu em dezembro, quando eu, dudu, aleba e cabelo nos perdemos no grajaú, o trajeto foi mais tranquilo. daquela vez, pegamos umas ladeiras insanas, desnecessariamente.

um detalhe: o grajaú parece não ter tido o arruamento seguindo curvas de nível ou coisa parecida. quando o relevo é mais dobrado, mandam as regras urbanísticas evitar inclinações acentuadas, recorrendo a caminhos mais curvos. nada disso foi respeitado numa série de locais aqui na cidade de são paulo. no meu bairro, as ruas centenárias são de aclive e declive suaves, mas as mais recentes são horrorosas….

da esquerda pra direita: gianluca, piá guerreiro que pedalou na frente o tempo todo, nemax, o speedeiro, e paulo, o fornecedor de nozes.

mas fomos pedalando. subindo, descendo, subindo, descendo até que chegamos à primeira balsa. já estávamos na apa bororé. é incrível como a paisagem muda. não parecemos mais estar em são paulo. a região é de casas muuuuuuito esparsas. há mata, é meio rural, meio ambiente a ser preservado. cruzamos com uma família inteira andando a cavalo.

esse trecho é tranquilíssimo. asfaltado, algumas subidinhas, mas nada demais.

na primeira balsa. dá pra acreditar que a nataly é mãe do garotão ali?

quando passamos adiante da segunda balsa é que a coisa pega. ali já estamos sob a jurisdição de são bernardo do campo. e a prefeitura de lá não asfaltou a estrada. assim, para evitar virar um lamaçal, simplesmente vão jogando brita. isso mesmo: pedras, pedras, pedras. pedalando 300 metros chegamos à padoca comunitária que tem ali, com preços irreais de tão baixos, perto daqueles cobrados em são paulo.  um pão com manteiga e mais um pingado gerou-me a cobrança de um real apenas. o local é obrigatório para lancharmos.

descansando na sombra. a estrada seca, e as pedras soltas. aí até que tinha poucas pedras...

quando passamos lá em dezembro, não havia tantas pedras e estava mais úmido, portanto o solo estava mais compactado. desta vez, tava tudo solto. era perigoso pedalar atrás de alguém, de tanta pedra que voava. em muitos momentos as bikes perdiam aderência. e isso aconteceu até comigo, que estava usando pneus 1,9 com cravos imensos. mas mesmo assim em diversos locais não davam aderência.

o nemax, o único que havia ido de speed, logo que viu os pedriscos voltou até onde a estrada velha de itaquaquecetuba (a que percorríamos) cruzava com o rodoanel e seguiu por ele e depois pela imigrantes e nos esperou no lugar onde chegaríamos nela. pois chegou antes de nós. perdemos um tempo danado nesse trecho, de 12 kms, pois a velocidade média ali estava em torno de 8 kms. um pequeno trecho de uns 20 metros acho que só eu passei pedalando. era uma subidinha, tudo solto, mas eu estava clipado, não tinha como desclipar sem cair, arrisquei continuar pedalando até onde desse antes de cair pro lado. acabei passando. mas quem estava com pneus mistos teve muitos problemas de aderência. diversos trechos todos empurramos. em uma descida, o bocó aqui resolveu descer em cima da bike, e claro, perdi a aderência da roda dianteira. tomei um daqueles tombinhos bestas que vc nem toca direito o chão e fica com a bike enganchada nas pernas.

ali nesse trecho ainda constava a sinalização feita em dezembro pelos voluntários da rota.

a bicicleta do marcio e uma das sinalizações.

ninguém se perdeu. peraí, o gallo, que tava com uma daquelas bicicletas de dois andares (sim, ele fez tudo com aquela bicicleta de dois andares!) passou reto debaixo da imigrantes, mas logo voltou. pois no trecho que a estrada de terra passa por debaixo da imigrantes é que se tem o acesso à ela: uma trilhinha pra se passar empurrando a bicicleta.

chegamos naquele ponto onde em dezembro a polícia rodoviária montava os bondes. desta vez, sem polícia, claro. estávamos em poucos. pegamos a imigrantes, entramos no acesso à interligação, atravessamos para o outro lado para seguir a imigrantes em sentido litoral, mas na contra-mão: tudo sossegado, estávamos no acostamento, é claro. paramos no rancho da pamonha, comemos algo e seguimos, até o acesso à esquerda ao início da estrada de manutenção. nesse aspecto o trajeto foi diverso daquele seguido em dezembro, pois daquela vez acessamos a estrada de manutenção pela via que desce.

na beira da imigrantes

inicia-se a estrada de manutenção no barro, mas logo chegamos ao asfalto. e desta vez, ao contrário de dezembro, a estrada não estava um sabão. estava sequinha, a aderência era muito boa. mas eu desci tranquilo, sem embalar demais, batendo papo, conversando…. paramos num local onde a água de uma queda d´água é desviada por um tubo largo, e cria-se uma cachoerinha artificial. mergulhar naquela água fresca estando o dia tão quente foi delicioso.

no rancho da pamonha. bem ao centro, a bike do gallo.

este local fica ao lado de um túnel que liga a estrada de manutenção ao primeiro túnel da descida da imigrantes. quem passa pelos túneis nem imagina que ali fora há uma queda de água, há natureza. há coisas que só vemos de bicicleta. de carro, nunca.

a estrada de manutenção passando por baixo de um dos viadutos da imigrantes.

ali tiraram-se fotos impagáveis, que logo aparecerão por aqui. por ora não as tenho. as que tenho acesso agora são mais comportadas…

esfriando a cachola!

continuamos a descida. havia muita gente na cachoeira seguinte.  muitos carros, mais do que havia no primeiro local onde paramos. assim, na segunda não paramos. que circula por ali é o pessoal da comunidade do pé da serra.

descemos, mas mesmo na descida há subidas. e são pesadinhas. a estrada serpenteia na encosta da serra. mas o dia estava maravilhoso. quente, é claro, mas havia sombra em diversos locais.

descemos, descemos, descemos até a portaria ali no fim da estrada. ali arguadamos os retardatários enquanto 4 de nós iam à sede do parque resolver algumas pendências referentes ao evento em dezembro. ficamos cerca de uma hora parados ali. havia água gelada, os lanchinhos circulavam: castanhas, nozes, barrinhas e etc. o paulo foi com um saco de nozes e outro de damascos secos, tudo muito apreciado pela turma.

bom, depois continuamos pelo trajeto normal. passamos acomunidade, desta vez sem muita lama. dois moleques locais de bicicleta quase me derrubaram. é aquela coisa de criança mesmo: sai pedalando junto, entra no meio, quer participar, mas uma hora pára ou vira pro lado de repente.

um dos guris perguntou pra mim pq o gallo usava uma bicicleta tão alta. e eu respondi:

– pq onde ele mora tem muita enchente….

ah, o piá saiu contando pra todo mundo, gritava pros passantes que a bicicleta alta era pq o dono morava num local com muitas enchentes…

saímos da comunidade, chegamos a cubatão, atravessamos cubatão, e seguimos até santos. esse trecho é longo, mas é plano, sem maiores problemas, e logo em santos chegamos à ciclovia. no plano, cada um segue mais ou menos o seu próprio ritmo, e ficamos mais esparsos. eu parei ali na rodoviária, como outros. outros foram até a beira da praia.

um lanchinho rápido na rodoviária mesmo, e às 19:30 eu embarquei de volta a são paulo, mas minha jornada ainda não terminara.

esse é o marcio rissardi, que tirou todas essas fotos que eu furtei.

do terminal jabaquara fui até o campo belo onde ocorria a festa de aniversário da minha amiga verônica, também ciclista, portanto já tinha deixado um chuveiro à minha disposição. eu, planejadamente levei uma muda de roupas. tomei um banho e então fui festar. 90% dos presentes eram ciclistas, e que foram pedalando. não fui o único a estar de sapatilha na festa….

o fato é que lá pelas 4 da manhã eu achei uma rede do lado da piscina e dormi nela até as 7 da matina, quando levantei e pedalei de volta pra casa. eram 9 da manhã quando cheguei.

de fato, foi um passeio lindo. perfeito. sem senões, até me deu um pouco de gosto pelo barro, eu que tenho mountain bikes (antigas) pq são boas tourers, mas nunca me vi me divertindo na terra. não tenho a técnica, o mountain biking é outro bicho.

não é de se esperar outra coisa que não o estranhamento dos mountain bikers com o ciclismo de estrada, e vice-versa. mas pode ser divertido…. e realmente, cicloturismo com MTBs nos permite ter acesso a locais mais inóspitos, menos visitados. só assim para se ver as rodovias que descem a serra do mar de outros ângulos, ver os viadutos por baixo, visitar as cachoeiras, ver o que há além dos limites do guard-rail.

realmente a bicicleta é um instrumento fantástico: de cima dela, se vê o mundo com outros olhos.

a rota dever ser percorrida sempre. não só no evento anual promovido pelo ciclo-br, mas em qualquer época. é assim que a consolidaremos. é uma conquista. e iremos mais além. pois de bicicleta se percorre o mundo, se vai ao futuro.

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4 Respostas para “um dia, o sol, a serra

  1. muito legal!
    Pena que não pude ir…
    Como sempre, posts fantásticos abordando com paixão o mundo da bibicleta.
    No final, será que vi um leve carinho pelo MTB?

  2. Fiz a mesma jornada que o Odir, só passei em casa antes da festa – ah, e só voltei pra casa às 23:00 do dia seguinte 😀

    Matei a saudade (sim, saudade, Rafa :)) da estrada de terra, e mais uma vez a Olivia aguentou bravamente (exceto nos trechos que o Odir já mencionou, onde todos empurramos). Talvez só me falte nela uma relação mais leve.

  3. Um dia muito especial com amigos duplamente amigos!!! Todos, cada um com seu jeitinho de ser, cada um especial com suas caracteristicas e trejeitos. Tudo muito bom!!! Salve Odinn Ogum, as fotos são nossas, sempre e que mais delas saltite por aí!!!

    Mandião Suave

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