bike de contra-relógio

ok, vc já viu algumas cenas de algumas etapas do tour de france, ou do giro d´italia, e viu os ciclistas pedalando sozinhos, ou em equipe, numas bikes diferentes, com uns guidões pontudos. os ciclistas projetados pra frente, encolhidos…. os ombros dobrados….

fabian cancellara, campeão mundial de contra-relógio em 2006, 2007, 2009 e 2010

falaram pra vc que aquilo é um contra-relógio, e vc ficou interessado.

nas provas de contra relógio, o ciclista (ou a equipe) larga sozinha. não há vácuo  (a não ser no c.r. por equipes, onde os ciclistas da equipe vão agrupados para pegarem o vácuo um dos outros). a disputa é por tempo. comparam-se os tempos feitos em um determinado trajeto.

a bike que garantiu a greg lemond o tour de france de 1989

ora, a inexistência de vácuo muda tudo. num pelotão grande, quem tá encaixadinho lá atrás pode vir a fazer até 60 ou 70% menos esforço do que quem está lá na frente. por isso que os sprinters contam com todo um trabalho de equipe para lançá-los à frente, e só se expõem ao vento na cara nos metros finais.

pois no contra-relógio, o vento na cara é a regra. e assim, a aerodinâmica passa a ser algo extremamente estudado, aos limites, dentro das regras restritivas da UCI.

houve época em que as regras eram amis elásticas. até os anos 70, ninguém percebia muito esses detalhes, mas teve gente que passou a desenvolver bicicletas diferentes. por exemplo, com a roda da frente menor que a traseira, tanto pra permitir que o ciclista pedalasse mais inclinado pra frente, quanto pra melhorar a aerodinâmica da própria roda: rodas menores possuem menor arrasto aerodinâmico.

uma bike moderna da giant

as regras eram bem mais abertas. mas até aparecer greg lemond no cenário profissional, ninguém ligava muito para os guidões. lemond foi um inovador. um ciclista extremamente cuidadoso com seu equipamento, e sem medo de inovar. usou formatos muito distindos de guidões, que hoje parecem esquisitos, mas já apontavam para as linhas seguidas atualmente pelas bicicletas de contra-relógio.

pois bem, o tour de france de 1989 foi o marco divisor no contra-relógio. existe o antes e o depois de 1989. esse tour, ao contrário do que costma ser, terminou numa etapa de contra-relógio. laurent fignon estava a 50 segundos à frente de greg lemond, na somatória dos tempos. como pode-se ver no vídeo abaixo, fignon era o típico ciclista da velha escola, não ligando pra capacetes. correu com seu rabo de cavalo, seus óculos, sua bicicleta de padrão comum à época nos contra relógios (as duas rodas fechadas, a roda da frente menor), mas sem grandes novidades.

mas claro, greg lemond não inventou tudo sozinho. anos 80 e 90 são os anos de forte influência do triathlon no contra-relógio. no triathlon não havia grandes restrições, e se levarmos em conta que no ironman pedala-se 180 kms com a cara no vento, sem vácuo, não é de se estranhar que os triatletas estivessem muito, mas muito interessados em melhorar a aerodinâmica.

uma bike de c.r. de francesco mozer, notem as alavancas de marchas no quadro e as rodas de tamanho diferente

nesse período praticamente todas as bikes de triathlon estavam vindo com rodas 650c (571mm), e usando geometrias muito, mas muito agressivas, com ângulos de seat stay de 78 a 80 graus, tendo sido tentado até o ângulo 90 graus, ou seja, ângulo reto! valia tudo pra jogar o corpo do ciclista pra frente sem fechar demais o ângulo entre o peito e o movimento das coxas. lembrando que se inclinamos demais pra frente em bikes normais, o que percebemos é a dificuldade de respirar: pressiona-se o diafragma.

conforme o max explica soberbamente em seu blog, os projetistas de bikes de triathlon colocaram o ciclista mais pra frente mas tinham o problema do entre-eixos da bike, que ficava muito longo. portanto, diminuiram o tamanho da roda pra diminuir o entre-eixos.

bike usada por b. hinault nos anos 80

assim se criou a bike de triathlon clássica que estamos acostumados a ver, na era do cromo-molibdênio e do alumínio.

mas a indústria rapidamente procurou padronizar a oferta. além disso, a UCI passou a impor a regra dos dois triângulos: olhando-se a bike de lado, é preciso ver dos dois triângulos: o triângulo principal do quadro e o triângulo traseiro. isso limitou as geometrias tidas como exóticas aos triathlons que não estejam sujeitos às regras da UCI. foi a morte de empresas como a softride,  que possuíam modelos em o seat tube, mantendo o ciclista suspenso: uma bicicleta de estrada com suspensão traseira, e mais aerodinâmica, e com geometria variável: a possibilidade de deslizar o selim para frente e para trás permite que se monte a bicicleta com ângulos que podem variar de 71 ou 72  graus até quase 90 graus.

uma softride preparada para triathlon

mas logo se percebeu um limite na utilização das bicicletas de triathlon para o contra-relógio, e não foi o limite das regras da UCI. explico melhor. com um ângulo de 78 graus de seat tube, o ciclista usa muito mais os músculos frontais da coxa para pedalar, poupando bastante os músculos da parte de trás da coxa, muito utilizados na corrida. ora, prum triatleta, ainda mais pra quem vai correr uma maratona depois de pedalar 180 kms, isso é ótimo. mas para um contra-relogista não é nem um pouco bom….

a frente de uma giant. a mesa projeta-se à frente da caixa de direção, e o freio dianteiro está trás do garfo. o guidão é uma lâmina...

o contra-relogista não vai correr depois de pedalar.  aliás, se ele tiver forças pra descer da bicicleta e deitar no chão, tá otimo… ele quer e precisa usar todo o potencial da perna na pedalada. além do mais, as provas de contra-relógio são curtas, raramente chegando a algumas dezenas de quilômetros. logo, ela não precisa ser muito confortável, podendo privilegiar de sobremaneira a aerodinâmica em dentrimento do conforto, chegando este ao mínimo que permita a boa pedalada. assim, os selins não precisam de revestimento se se vai pedalar por menos de 20 minutos, a posição pode ser bem agressiva à frente também.

com a chegada da fibra de carbono ao mundo da produção dos quadros de bicicleta, dada a imensa plasticidade deste material, as restrições ao desenho das bikes limita-se hoje única  e exclusivamente ao cumprimento das regras. de vez em quando vemos alguma bike que esbarrou nas regras: um tubo ligeiramente mais largo do que poderia ser, ou o selim ligeiramente mais à frente de onde poderia estar.

fabian cancellara numa specialized depois banida

mas essas bicicletas hoje chegam aos limites da perfeição aerodinâmica. desenvolvidas em túneis de vento, possuem produção praticamente sob medida para os competidores de ponta. e claro, se muitos querem ter a bike do lance armstrong, eu não: ela foi feita para ele, eu quero uma feita para mim… hehehehe. mas eu queria mesmo é andar no ritmo do fabian cancellara, como no vídeo abaixo.

Anúncios

6 Respostas para “bike de contra-relógio

  1. Pingback: Futuro « FIXA SAMPA

  2. essa meteria esta ótima, muito legal

  3. caramba eu com uma desa estavo feliz

  4. esa dai e foda toda preparada

  5. eu sei pq e foda pq meu pai tem uma dakela amarela

  6. Pingback: giro d’italia, última etapa, contra-relógio, pra entender e acompanhar! | as bicicletas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s