volta a SP, ou “pedala, mané!”

bom, antes de postar um relato sobre minhas pedaladas em santa catarina, falo da volta.

uma cena cada vez mais comum em são paulo

ontem, 10/01, pouco antes da meia-noite, embarquei num ônibus rumo a são paulo, vindo de curitiba. às 6 horas alguns passageiros desceram em taboão, onde há uma parada. e claro, dadas as enchentes, consegui chegar ao terminal tietê apenas às 9:30 da manhã.

claro, de novo, ouço aquele blá-blá-blá de chuvas acima da média. pombas, se todo ano é a mesma coisa na mesma época, isso é a média, não é nada excepcional.

claro, a visão é de chorar: com a água baixando, o lixo espalhado… isso é um caso à parte: o recolhimento do lixo em são paulo é vergonhoso. enquanto vi no sul cidades que separam na coleta o lixo seco do molhado, vale dizer, o orgânico e o reciclável, em duas coletas separadas, aqui em sp, a maior metrópole do brasil, sequer conseguimos saber o horário em que o lixeiro passará… ano passado mudou tantas vezes na minha região que havia vizinhas que se organizaram para se revezar e marcar o horário da vinda dos lixeiros. claro, mudanças sem aviso prévio e sem notificação. o morador que adivinhasse em que horário o caminhão de lixo faria a coleta.

claro, com tanto lixo nas ruas, a ser recolhido ou simplesmente espalhado pela população descompromissada com o bem público, o que verifiquei foi um festival de entupimentos. aliás, a grade de uma empresa atingida pelas águas, após a descida das mesmas, estava lotada de lixo.

bom, mas eu montei a bike, tirada do mala-bike, ainda na rodoviária. com ela carregada, alforges de 75 litros mais coisas penduradas por fora (lembrem, não foi uma viagem de ciclo-turismo, foi viagem de final de ano na qual levei a bike…), tive dificuldades de subir na escada rolante de dentro da rodoviária do tietê, saindo da área de desembarque para a parte de cima. pois cada vez que eu conseguia quase conseguir espaço para encaixar eu e a bike na escada rolante algum engraçadinho de mala de rodinhas por fora cortava minha frente.  lei de gérson, né?

ainda na rodoviária, para descer para parte de fora, nem me arrisquei a pegar as escadas rolantes vigiadas pelos agentes do metrô. iam me fazer descer pelas escadas normais, carregando a bike e mais 20 kg. então dirigi-me aos elevadores que existem justamente para quem está com muita carga. mas a lei de gérson vigorou de novo. uma hora consegui embicar a roda dianteira na bike na porta aberta, e segurei a porta aberta para uma senhora entrar. logo atrás dela uma multidão entrou num empurra-empurra danado e claro, lotou o elevador antes que eu pudesse me mexer. e um cidadão ainda me deu uma bronca: “tira essa bicicleta daí que tá atrapalhando o elevador!”

tirei a roda, fechou-se a porta, o elevador desceu. um outro cidadão, viu tudo e ficou meio revoltado. falou que segurava a porta pra eu entrar com a bike. e dito e feito. na próxima, não apenas segurou a porta como deu uma rasteira num esperto que quis cortar minha entrada com uma mala de rodinhas. o esperto quase foi pro chão, o outro pediu desculpas como se fosse sem querer, e me deu um sorriso maroto.

consegui sair do terminal tietê.comecei minha pedalada com a bike ultra-carregada em direção aos confins da ZN, onde moro. pedalei lento, carregado, sem capacete, ou seja, na visão de muitos, “apenas” um entregador de mercadorias. claro que carros me fecharam. buzinaram pra eu sair da frente várias vezes. até um palhaço que, numa subida, me gritou um “pedala, mané!” bem no ouvido esquerdo. lembrando, respeito todo mundo merece, principalmente os entregadores que usam bicicletas, exercendo importante atividade econômica sem poluir.

e assim voltei à selvageria do trânsito paulistano. hoje à tarde, pedalzinho até a agência bancária no pacaembu e outros encantos: fechadas e finas. e claro, nem sinalizando um mané deixou de quase passar com o carro por cima de mim, buzinando. sinalizei que iria reto e ele quis entrar à direita, em vez de diminuir, apenas buzinou, e muito, e passou raspando pela roda dianteira da bicicleta.

é, a renata falzoni tem razão. o ciclista em SP é um excluído. no seu discurso na câmara, no dia 07 de dezembro, ela relembrou que pedalou em mais de 20 países e o único no qual ela se sente uma pessoa excluída é no brasil. mas é aqui em SP, principalmente. no sul, em cidades diversas, praianas, industriais, serranas, vi ciclo-faixas, para-ciclos nos mais diversos estabelecimentos, e muitas, muitas bicicletas nas ruas. mas isso é matéria para um outro post.

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3 Respostas para “volta a SP, ou “pedala, mané!”

  1. Eita! Vendo o título e foto, já pensei que você tinha pedalado com a água no joelho.
    Cheguei na Alemanha, onde chove mansinho e faz frio pra carai. Oposto de Porto Velho.

  2. putz. é foda. morar em são paulo é desanimador. acho que umas das coisas que me faz suportar morar aqui é que existem outras pessoas que, assim como eu, sonham (e vivem) uma cidade diferente. keep riding. e bem vindo de volta.

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