e deu M. no audax 600

estava assim, íamos bem, eu e silas.

na volta da segunda perna, tendo rodado uns 190 kms, numa subida quente pra kct, debaixo de um sol abrasador, ouço um “pum” e a bike começa a tremer a cada pedalada. ora, um grande calombo no pneu dianteiro!

por dentro, a lona rompida do pneu

rodei os 70 kms restantes até o PC4 com esse calombo chacoalhando a bike, cujo guidão precisava ser segurado com força pra manter a trajetória…. e o titio aqui tem problemas na mão direita. trocado o pneu, continuei. fiz metade da segunda perna, completando 320 kms. mas a dorzinha foi se instalando e uns 4 kms antes do PC5 foi o pneu do silas, um gatorskin 28mm que apresentou um rasgo lateral. era 23:00. gastamos mais de meia hora com essa roda, montada 3 vezes, no escuro, afastando os carros que paravam (alguém viu a gente no acostamento, achou que era motociclista acidentado, chamou a polícia e tivemos que afastar carro de polícia, de resgate, de remoção… um susto a cada 5 minutos – o silas acabou perdendo os óculos ali). corpo frio, a dor aumenta.

por fora, parte da lona saindo. o corte em cima foi produzido pelo arrastar do pneu no freio.

e no PC5, quando o silas olhou pra mim com cara de desconsolo e falou que iria parar, eu só pude dizer: graças a deus!

última foto de mr. silas com os óculos de diretor de cinema italiano.

no hotel, na volta, anti-inflamatório pesado e 3 dias de medicação e está tudo ok.

mas é injusto reclamar desse audax, que mesmo tendo sido abortado pela metade, me deu momentos maravilhosos.

controlando o tempo do rafael

saímos no sábado às 4 da manhã, em ponto, após um longo café damanhã que teve de suco de laranja e café a macarrão à bolonhesa e pãozinho com manteiga e geléia.

pedalamos quase 3 horas no escuro, ainda mais ou menos compactados, e depois nos esgarçamos. éramos apenas 16 pessoas, tendo pelo menos um veterano de Paris-Brest-Paris entre nós, e um tri-campeão brasileiro de ciclismo aposentado.

chegando a holambra, montamos as bikes na beira da estrada. eu de costas, rafael, mr. meindo super randonneur segurando minha bike.

senti-me num pedal de gente grande desta vez. a experiência da turma intimida. osvaldo tem mais de 10.00 kms em audaxes, e como terminou o 600 no tempo, e foi o segundo 600 esse ano, claro que pegou a medalhinha de super-randonneur. dupla!

o milton della giustina, com seu currículo de ciclista profissional mostrou que quem nasce pra rei nunca perde a majestade. fez o melhor tempo, pedalou dum jeito que deixa nós, pobres mortais, muito no chinelo. 600 kms com a cara no vento.

o richard, com sua bike sob medida, seu conhecimento imenso, sua experiência do PBP nos fez lembrar que há uma diferença entre coragem e responsabilidade. como muitos outros, sofreu muito com o calor na primeira perna e abandonou.

os primeiros 250 kms, de holambra a porto ferreira e de volta por holambra tem uma altimetria pesada. e o sol, inclemente, nos fez sofrer. um momento engraçado foi pelo menos uns 6 ciclistas parados num dos postos de apoio da rodovia, debaixo de uma mangueira, molhando o corpo inteiro de roupa e tudo, dando risada…. aquela cena de um monte de marmanjos barbados – alguns de barba branca – tomando água como se tomasse o néctar dos deuses foi engraçada…

ou, num outro momento, eu e o silas achando uma ferramenta no meio do acostamento. o silas é famoso pq certa vez, quando a gancheira de uma bike sua quebrou, ele improvisou outra gancheira com zip-ties e uma chave de boca nº 11. tempos depois, a haste de sustentação de um bagageiro quebrou e como o silas improvisou um conserto? com uma chave. 11. e a chave que achamos era… uma chave 11!

na primeira parte da segunda perna, já pedalando no escuro, num pedágio paramos pra ver um mapa e apareceu uma funcionária do pedágio, uma linda morena de olhos verdes, oferecendo água.

o rafael, por sua vez, já foi “causando” antes mesmo de embarcarmos pra holambra,no ônibus, na sexta. um funcionário da empresa de ônibus perguntou como ele pedalava com aquele garfo quebrado, faltando uma parte. na verdade é uma suspensão da cannondale, a lefty, que só tem um braço mesmo.

mas podemos dizer que estava dura a coisa. talvez tenha sido o audax 600 mais duro do brasil. de 16, 7 concluíram. nove abandonaram. é, quem se propõe a 600 kms em40horas já passou pelo menos uma vez pelos 400.e desta vez fiquei com saudades do meu audax 400 em boituva desse ano, tava muito mais sossegado, apesar a altimetria “desumana”, segundo alguém.

faz parte. não terminar um audax só me bota mais pilha pra terminar outros. e logo virão. as estradas continuam lá.

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11 Respostas para “e deu M. no audax 600

  1. não entendi, vocês não levavam o pneu extra ? deixavam nos PCs ?

    ahh, e responde seus fãs…hehehehe…

    abraço

    Márcio Campos

    • eu deixei no PC, levei um manchão. mas não era caso de uso de manchão.

      em mais de 30 anos andando com pneu de mais de 90 libras e menos de 1,1 polegadas, nunca tinha passado por isso.

      a bike já tá com um hutchinson, e vai ganhar outro logo. já cheguei a fazer audax com pneu 18, medida famosa pelos problemas, e nunca tive problema algum….

      agora, só com pneu reserva.

      e claro, provavelmente calombou pelo calor. já tava com 110 libras, temp. ambiente de 42 graus, vai se saber que temperatura tava o asfalto…

  2. eu respondo… não, Zapella, o detonator tem a faixa azul mais estreita e o desenho na banda de rodagem são só risquinhos, não essa “folhinha”.

    abraço

    Márcio Campos

  3. opa, valeu márcio.

    perguntei se o pneu era um maxxis detonator

  4. Parabéns, mesmo tendo que parar. Guerreiros.

    Mas a história da morena de olhos verdes me pareceu contada pela metade. 🙂

    Abraço!

  5. Uma pena que esse audax deu tantos problemas, mas no próximo vcs “brevetam” com um pé nas costas, aposto 🙂

    Vc e o Silas são uns fofos! ^^

    Bjo,
    Dri

  6. Parabéns Ogum

    Não terminar faz parte da experiência. Eu aprendi muito tendo de abandonar os 300k por um calombo semelhante no pneu.
    E também, aprendi. sem pneu reserva nunca mais.

    Abração

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