audax e a psicologia

não sou psicólogo. então, vou evitar usar termos técnico da psicologia. escrevo apena com base no que observo.

fazer um audax não é uma questão de força física. quem for estudar vai ver que nas primeiras horas se vai o estoque de glicogênio e se passa a queimar gordura. e tb toda aquela explosão, aquela força pra pedalar em pé numa subida longa, se esvai. depois de 5 ou 6 horas, descida é pra descansar a perna e pronto.

o sono é um inimigo e tanto, e não se deve recorrer às fórmulas químicas para afastá-lo. no máximo café.  todas essas bolinhas que se tomam por aí, “rebites” e outras drogas, podem te matar em cima de uma bike. então, o melhor é recorrer à “power snap”, dê uma cochiladinha de 15 ou 20 minutos que vc estará revigorado depois dela.

exercite sua tolerância ao caos. nos audaxes curtos, 200 e 300 kms, sono não é problema, mas pra alguns, pedalar à noite pode ser um grande desconforto. é o grau de sua resistência a esse desconforto que precisa ser exercitado. mas lembre: vc não deve contrariar sua natureza. se vc se sente muito desconfortável esticando o pedal, volte-se pras provas mais curtas. vc pode ser um grande ciclista, apenas não tem o perfil de longa distância. aliás, grande parte dos grandes campeões do ciclismo não tem.

longa distância é para os bem-humorados, não para os fanfarrões. é pra quem não perde o controle quando a casa tá pegando fogo. ficar estressado chutando a bike depois de um pneu furado só pq são 4 da matina e vc já tá pedalando há 22 horas não ajuda em nada. o mundo não é cruel, vc tá ali pq quis.

se tiver que desistir, desista. aquela frase do lance armstrong, “a dor é passageira, desistir dura pra sempre”, é bela, mas não se aplica aqui. a estrada não sumirá, ano que vem tem outro audax igual, vc pode fazer em outra data em outro estado. o que vc não pode é se lesionar. e vc não tem que prestar conta a patrocinadores. vc não tem que vencer a ninguém a não ser a si mesmo.

aproveite as desistências pra entender o que te faz parar. reanalise o equipamento, melhore-o. treine mais. aprenda e entender o ciclo do seu corpo, o seu metabolismo. audax é auto-conhecimento, cooperação, e não competição.

não é incomum que nos audaxes mais longos haja uma predominância de pessoas mais velhas. barbas embranquecidas são a regra. a desistência, já no 300 ou 400 é mais comum entre os mais novos, irritados com quebras nas bikes, com pneus rasgados, com a fraca iluminação, com o desgaste físico, com a falta de sono.

repito, a tolerância ao caos, às adversidades, é o maior recurso utilizado num audax longo. o resto é questão de planejamento e um pouquinho de sorte. e um bom selim.

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