conforto nas speeds

muita gente compra uma speed, roda um tempo, e larga, vende, alegando inadaptação. na prática, inadaptação significa desconforto.

bianchi full suspension. paris-roubaix 1994.

é fato: pneus muito finos, com altas pressões, geometrias muito agressivas com chain stays em média em torno dos 40 cms ou menos, utilização de tubos de alumínio no quadro, isso sim é uma bela receita para pedalar numa bike que transfere muuuuuuito dos impactos aos ísquios do ciclista.

e claro, some-se a isso um selim muito fino e leve e pronto, temos uma receita muito boa até para problemas de coluna, afora aquele monte de escaras que podem aparecer nos ísquios.

há quem pense que speeds são assim mesmo. é o preço a se pagar…. mas é mentira.

trek soft-tail usada por hincapie na paris-roubaix de 2005.

o fato é que uma bike pode ser confortável mesmo sendo uma speed. claro, muita gente tem lá sua caloi strada, bicicletinha de entrada muito boa pra se brincar nos audaxes, mas sofre no asfalto. daí torra todo o 13º num quadro de fibra de carbono. até apela para os quadros xing-lings vendidos no mercado livre, sem marca, fabricados “pela mesma fábrica que faz os quadros das grandes marcas”, e monta uma “xinarello”… e um dia percebe no meio da estrada que tá como selim baixo, resolve reajustá-lo e, por falta de um torquímetro que é um troço que ninguém carrega no bolso da camisa vc aperta mais forte a chave e voilà! temos um quadro rachado!

não precisa nada disso! não entre na neura do up-grade desnecessário. não, meu amigo, vc que pesa 95 kg, tem seus 30 anos, não vai virar profissional do ciclismo e sua meta é fazer pedais longos, participar de audaxes, andar com a sua turma, ir pedalando por aquela estradona paulista de bom asfalto até o sítio daquele colega, vc não precisa de um quadro de fibra de carbono.  se já torrou a grana num, ótimo, curta-o. se não tem e sempre gostou da sua cannondale caad alguma coisa (viram a caad 10?) que é bem rígida e sobe morro que é uma beleza, não há nada de errado em aumentar um pouco do conforto aumentado um tiquinho o peso.

se levarmos em conta a soma ciclista + bicicleta, quanta diferença no total fará 400 gramas a mais? exemplo: eu peso 85 kg, minha bike, 9kg. dá 94 kg (isso sem água, sem a bolsa de selim com ferramentas e câmaras, sem o capacete, a roupa, as sapatilhas, os faróis, as barrinhas energéticas….). se eu aumentar 400 gramas nesse peso, de quanto é a variação? 0,43%. quanto isso vai me afetar no desempenho? vai me fazer chegar uns 10 segundos mais tarde num trajeto de 50 kms? faz alguma diferença se eu não sou competidor de ponta? se não estou competindo? se a minha praia são os audaxes?

brooks flyer

agora, o desconforto pode determinar se eu chego até o final ou não.  quem já passou mais de 12 horas em cima de uma bike sabe do que estou falando. algumas dores são a diferença entre terminar aprova e abandonar no meio. ou sentir um desconforto generalizado.

se a sua bike tá como bike-fit perfeitinho, vc não terá dores no pescoço ou nos punhos. eventualmente, troque o garfo duro de alumínio por um de fibra de carbono ou mesmo de aço, o velho aço cromo-molibdênio. duas fitas de guidão, uma sobre a outra e boas luvas, e sempre mudar a posição da mão sobre o guidão evita muitas dores.

quanto ao dérrière, existem diversas formas de deixar seu quadro mais confortável:

– use um selim de molas. um bom selim de couro, amaciado, com molas, é um sofazão. escolha um brooks. acha-se o flyer, aqui no brasil, a pouco mais de 300 reais, por importação oficial. gasta-se menos de 10% do preço de um quadro de fibra de carbono. não é exatamente leve, mas lembre-se que uma diferença de 300 ou 400 gramas é quase irrelevante. tem no mocó do canna, aliás, agora www.ciclourbano.com.br.

– use um canote de fibra de carbono. a fibra de carbono dispersa vibrações melhor que o alumínio, e vc sentirá um pouco menos as irregularidades.

canote thudbuster

– use um canote com suspensão decente. não estou falando desses canotes com suspensão que se encontram por aí, pesando mais de 1 kg. cito o thudbuster, com sistema de paralelogramo deformável. recomendado em artigo no site da ultra marathon cycling association americana.

ah, claro, pode ser que vc aguente gozação de algum leão de treino. leão de treino é o nome que se dá ao mané que no treino é um leãozão, mantém médias de 40 por hora! mas não vai a prova nenhuma. é o primeiro a cair fora quando vc propõe um pedalzinho de 300 kms com a cara no vento. (p.s. não confunda leão de treino com competidor especialista em provas curtas e médias, de até 200 kms – é uma outra forma de ciclismo).

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3 Respostas para “conforto nas speeds

  1. Leão de treino, kkk essa você desenterrou hein… mas esse canote aí acho que até a nona ia tirar um sarro.
    O canote de carbono eu já vi quebrar 2 vezes… uma vez um amigo teve que voltar se canote e selim até em casa da zona norte (uns 30km pedalando direto em pé e depois disseo nunca mais usou nada de carbono) – e nao era genérico não, o canote era de marca topo de linha. a real é que depois de 1 ano de uso intenso você tem que já ficar esperto aos sinais, independente do material, mas principalmente a “fibra de carbono”.
    Comprar qualquer coisa usada em fibra de carbono NEM PENSAR! Só se for um caiaque para a sua sogra!

    • pois é, denis, tem a questão do peso da pessoa tb. eu não tenho ainda peças de fibra de carbono nas minhas bikes. o canote com suspa já vi muuuuuuitos comentários de quem roda muito, cicloturistas e audaxiosos gringos. pavés… lembra de quanto a moçada reclamou daquele trechinho do audax 300 esse ano? aqui tá todo mundo mal acostumado…
      o q preciso agora são de rodas mais leves….
      ah, com aquele canote com suspa, faço o paris-roubaix de khs aeroturbo! hahahaha

      e tem um cannondale caad 9 tamanho 52 sobrando pra emprestar?

  2. saudades da minha cannondale silkroad…cada buraco era uma bica, a bike tremia toda, mas subia morros que é uma beleza, nunca vi nada igual.

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