a forma e a função

no ciclismo, a forma segue a função.  cada vez que se inverte a norma, temos um desastre.

na bicicleta, tudo tem que ter um porquê. é um veículo que conta com um motor muito fraco (os melhores humanos conseguem no máximo desenvolver 0,4 cavalo-vapor, e um carro popular, cerca de 70cv), e, portanto, têm que ser o mais eficiente possível. assim, tudo tem que ser pensado diante do equilíbrio entre o rendimento máximo e o conforto mínimo para se pedalar. cada vez que se privilegia o conforto se perde em desempenho: se faz mais força pra pedalar mais devagar.

por exemplo, tomemos essas bicicletas urbanas de quadro rebaixado no meio, cestinhas à frente, com posição pra pedalar extremamente eretas.   podem parecer funcionais, mas são pesadas. fazer um quadro rígido com aquele rebaixado no meio para que as mulheres usem saias longas faz com que se use muito mais material, tubos mais largos, portanto, mais pesados. tenho observado minhas amigas ciclistas abandonarem esse tipo de quadro à medida que o seu pedal evolui: começam nas cecizonas e vão para as estradeiras  (verônica, joana, e logo a jeanne) ou para as fixas (laura, aline). poucas nascem feitas como a talita (santa talita da vila mariana, protegei-me da ira das pedalinas após essa afirmação!).

a geometria diamante, do quadro em forma de trângulo, é das mais duráveis na história do design de bicicletas pois é das mais eficientes: rígida o suficiente usando a menor quantidade de material possível. claro, há outras formas de se desenhar o quadro também usando pouco material, como graeme obree fez com a old faithful, mas isso pressupõe também o uso de tubos em outros formatos, e uma certa perda da resistência que o quadro triangular proporciona.

quanto aos pneus, quanto mais finos e com maior pressão, mais eficientes. claro, no barro, usar pneus grandes de mais de 1,5 polegada de largura e com pressões muito baixas, abaixo de 60 libras, é necessário sob pena de se perder a aderência. mas o mesmo não ocorre no asfalto. a regra é usar o pneu mais fino e com maior pressão sem perder a aderência mínima que o tipo de piso onde mais se circula exige. não há pq usar menos do que 65 libras em pneus urbanos. e quem não está carregando carga excessiva não precisa, no asfalto, pneus com mais 1,5 polegada ou 40 mms de largura, se a bicicleta usa rodas aro 26. se usa rodas maiores, pode até usar pneus ainda mais finos, pois o tamanho da roda garante maior conforto. uma roda aro 700c com pneus de 48 mm é um chumbo nas subidas.

o mesmo serve também para se estabelecer a altura do selim. ao contrário do que se diz por aí, a altura correta do selim não é a do ossinho da bacia ou a ue permita que se coloque o pé no chão sem descer do selim. a altura correta do selim é, no mínimo, a distância do cavalo, do entre pernas até o chão, também medido do selim ao eixo do pedal na posição mais baixa. nessa altura, ninguém consegue estar sentado no selim e colocar o pé no chão.

abaixo dessa altura, há perda no pedalar, e mesmo aumenta exponencialmente a possibilidade de lesão no joelho. mas usar o selim na altura certa implica em saber parar e começar pedalar, operação que sempre se faz fora do selim.  ou seja, quem não tem segurança para usar o selim na altura mínima correta não se pode dizer que saiba pedalar. assim como dirigir um carro implica em saber fazê-lo iniciar o andar e também pará-lo, o mesmo ocorre com a bicicleta.

observe a perna esquerda da moça. com esa altura de selim a pedalada é eficiente, mas não se coloca o pé no chão sem sair do selim. isso é chic. - foto de Mikael Colville

o selim baixo pode gerar lesões sérias no joelho. de desgaste prematuro das cartilagens a inflamações doloridíssimas. isso sem falar que o desempenho cai horrores, e qualquer subida é uma longa tortura.

pé no chão, só se sair do selim. foto de Mikael Colville

quanto ao conforto, lembre-se que suspensões não são necessárias para se andar na cidade. um bom garfo de cromo-molibdênio absorve muito bem os impactos. e, se o quadro não for também de aço, que se coloque um selim com molas, o que é muito mais barato e leve do que usar uma bike com suspensão traseira. isso sem falar que as suspensões traseiras roubam consideravelmente a força ao pedalar.

selim brooks b67. à venda no http://www.ciclourbano.com.br

se vc estiver usando um quadro adequado ao seu tamanho, não há porquê usar o guidão mais alto que o selim. na mesma altura ou um pouco mais baixo será confortável o suficiente para pedalar durante horas. e a posição do corpo não oferecerá muita resistência ao vento.

note no vídeo acima, que madonna está com o selim na altura certa e guidão ligeiramente mais baixo. o coleguinha dela não. ela não precisa pedalar em nenhum momento em pé. ele sim. ela tem o controle total da bicicleta, o seu pedalar simplesmente flui. aliás, madonna é conhecida por pedalar por aí. sai disfarçada em diversas cidades. e não usa a bicicleta apenas como veículo urbano, mas também gosta de um pedal mais esportivo.

madonna, malibu, 1989. olhem as coxas da diva.

lembre-se, na bicicleta, a forma segue a função. bonito é o que funciona, o que é confiável, rende, é confortável. o resto é balela.

"isso" é brega.

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2 Respostas para “a forma e a função

  1. to achando que a madonna brigou com o cara do carro preto que não para de seguir ela, na certa ela falou: ae my friend don´t you know about the article 201??? get off!!

    hahaha to com um livro aqui de fazer inveja a vcs, bike snob… muito hilário, o Diego Bruno me emprestou… depois conto pra vcs umas coisas que li ahhaha

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