a eleição e as bicicletas

hoje, halloween day, temos o segundo turno da eleição presidencial aqui no brasil. a eleição está interessante, mas irrelevante para o mundo ciclístico. explico.

1.a. enquanto transporte, a bicicleta permanece sendo ignorada. aqui em SP, por exemplo, só a secretaria do verde se importa com ciclovias (dentro de parques). a secretaria de transporte continua achando a bicicleta um estorvo. é só perguntar à CET se já foi aplicada alguma vez a multra prevista no artigo 201 do CTB. não, não foi, nem passa pela cabeça dos marronzinhos. se há algo se encaminhando é em razão da pressão de cicloativistas e da atvidade de sub-prefeituras. mas não é uma diretiva geral par ao município de são paulo. ciclofaixas aparecem apenas como medidas de lazer, mas não com finalidade de transporte. um plano de mudanças em moema se espera, mas ainda é muito pouco para o que a cidade precisa.

1. b. não há política nacional de utilização da bicicleta como transporte. não vemos verbas federais específicas, via ministério das cidades, para a construção de ciclovias. não que as ciclovias resolvam tudo, mas a ausência de verbas mostra a desimportância da bicicleta neste contexto.

1.c. embora o brasil tenha a terceira maior indústria ciclística do mundo, isso parece não ter importância para a economia do ponto de vista dos governos. não ouvimos falar em redução de IPI para essa indústria no auge da crise econômica. ouvimos falar em redução de IPI para os poluentes automóveis. são paulo ficou ainda pior.

1.d. a indústria automobilística cria um emprego a cada 1,5 milhão de dólares investido. e a indústria ciclística?  muito menos. isso sem falar na quantidade de empregos que pode-se gerar na rede de apoio, nas bicicletarias. o trabalho de montagem e alinhamento de rodas, por exemplo, não exige escolarização, mas qualificação que a própria bicicletaria fornece ao funcionário. e é sabido que ser empregado do comércio local aumenta a qualidade de vida: trabalhar perto de casa é menos estressante. existe um potencial gigantesco de empregos possíveis no amplo espectro da cadeia ciclística: do metalúrgico que solda os tubos do quadro ao mecânico da bicicletaria do bairro.

1.e. não há política no DNER relativa ao uso de bicicletas em estradas. concessionárias preferem limitar e proibir sempre que podem. isto tem um impacto grande no transporte entre pequenas comunidades, e também no cicloturismo e no esporte.

2. não há política de turismo conjugada com a bicicleta. a alemanha, que  é um país menor que o brasil, e com menos potencial turístico, movimenta mais dinheiro em torno do cicloturismo do que brasil em torno do turismo como um todo. o brasil tem um potencial cicloturístico gigantesco, podendo atrair turistas do mundo inteiro  e podendo gerar empregos espalhados por todo o território nacional, entre pousadas e campings, manutenção de rotas, bicicletarias em locais distantes e etc.

3.a. no esporte vivemos a indigência. característica do esporte nacional, fora o futebol.  como patrocinadores não aparecem na TV (percebe-se no basquete e no volley, onde a equipe da empresa X aparece como a equipe da cidade X), o patrocínio rareia. não há cobertura televisiva dos eventos, nem também a cobertura via streaming na internet, como vemos em provas estrangeiras. o apoio público é tímido, e o poder público, quando quer, tolhe iniciativas. o clube audax paraná encerrou suas atividades recentemente por conta disto.

3.b. a falta de incentivo ao ciclismo como um todo é de uma burrice fenomenal. o ciclismo é um dos poucos esportes que permitem o intercâmbio da atividade com outra do cotidiano do praticante. explicando: um adolescente não pode misturar a prática do judô ao transporte para a escola, não se transporta fazendo rolamentos. o adolescente pode ir pedalando para a escola na mesma bicicleta que no final de semana usa para participar de uma prova.

3.c. o único candidato à presidência que tinha alguma política para o esporte estruturada era plínio de arruda sampaio. os demais, nenhum.

4. por falar em candidatos, pq o silêncio de marina silva sobre o uso de bicicletas? de dilma roussef, nem uma palavra. quanto a josé serra, só se pode esperar um rolo compressor passando por cima das bicicletas, como fez ao tocar às pressas a expansão criminosa da marginal tietê, matando os espaços possíveis para a construção de ciclovias. que não se diga sobre kms previstos no parque linear do tietê. é preciso ciclovia passando por baixo da ponte das bandeiras. ciclovias no fim do mundo não resolvem nada. josé serra é, de longe, o pior candidato a presidente no que se refere à mudança de postura nacional em relação a bicicletas: suas práticas no município e no governo do estado confirmam isso.

5. as políticas de redistrituição de renda do governo lula aumentaram a venda de bicicletas no brasil, sem dúvida. mas qual bicicleta? a de péssima qualidade. a tributação em cima de componentes de qualidade continua muito alta, na base de 60%. nossa indústria de componentes resume-se a partes da bicicleta onde a tecnologia não é das mais avançadas e a fabricação é das mais simples: aros, raios. quadros de aço carbono (que poderiam ser em aço cromo-molibdênio, mas pagamos o preço pela estupidez e imbecilidade das escolhas da ditadura asinina militar). baixar as alíquotas de importação de componentes que não são fabricados aqui, como câmbios, trocadores e etc., urge para melhorar a qualidade da bicicleta vendida em torno dos 500 reais, ou de até 1.000 reais. é de se espantar que bicicletas montadas nos e.u.a., com peças da china (tal qual aqui) custe lá a metade (e o dado se torna mais espantoso diante do maior poder de compra dos americanos).

6. há muito o que se fazer pela bicicleta no brasil. se lembrarmos que trata-se de uma questão de melhorar o trânsito nas cidades, de reduzir a emissão de poluentes, de reduzir o sedentarismo, de reduzir as faltas no trabalho, e, a longo prazo, reduzir o gasto em estrutura rodoviária, percebe-se o quão cegos têm sido os governantes brasileiros. tarifa zero nos transportes públicos e infra-estrutura para a implantação do uso das bicicletas (incentivos fiscais, infra-estrutura simples barata como para-ciclos, ciclofaixas, e etc), podem alavancar a economia brasileira, tornando-se custo produtivo mais baixo e sua produção mais competitiva.

7. e é uma pena que nenhum governo tenha a coragem de restringir o crédito para a compra dos carros. é uma pena que governadores e prefeitos sejam burros ao extremo (senão simplesmente desonestos), ao investir em obras rodoviárias. é uma pena que a população seja cega à importância desse investimento. é uma pena que haja tantos protonazistas que querem empurrar ciclistas para calçadas, o simplesmente os atropelem. o grau de civilidade de um povo se percebe pelo tratamento dado aos ciclistas. urge investir nas bicicletas.

8, mas não somos o pior país do mundo. a itália tem berlusconi, os .e.u.a. veem a caravana dos protonazistas membros do tea party rodar o país, a china tá ficando lotada de carros.  estamso diminuindo as desigualdades sociais. mas não sejamos bobos de achar que se mantém o consumo atual da classe méRdia, no que tange aos carros, sem que desastres ambientais e sociais aconteçam. a bicicleta urge.

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