trocadores de quadro – alavancas!

alavancas campagnolo record de 8v.

depois que foram inventados trocadores remotos, o sitema mais longevo é, sem dúvida, aquele onde existem alavancas instaladas no quadro da bicicleta.

até os anos 40 ou 50 havia outros sistemas, baseados basicamente em grandes alavancas ligadas diretamente aos câmbios. assim, trocar marchas atrás era esticar a mão pra trás da perna e mexer uma alavanca. trocar machas no pedivela tb consistia em esticar a mão até embaixo, evitando embaralhá-la com a perna….

mas algum gênio teve a idéia de se fazer um câmbio acionadopor cabo. quem lançou a novidade foi a simplex, em 1938. ora, se a ação do câmbio era operada por cabo, podia-se colocar um trocador bem longe do câmbio, mais próximo do guidão, das mãos… assim nasceu o sistema de fricção, onde uma alvanca gira puxando ou soltando cabo, e assim acionando o câmbio.

gios vecchio. nota-se a alavanca no quadro e a argolinha que permite alternar entre a indexação ou a fricção.

até 1984 o sistema funcionava a fricção, sem indexação. ou seja, dependia da senbilidade do ciclista em empurrar a alavanca um pouquinho mais pra cima ou pra baixo pra marcha encaixar direito. mas também qualquer alavanca funcionava com qualquer número de marchas que se tinha lá atrás. se eram 3, 4 ou 5, não importava, era uma questão de empurrar a alavanca um pouco mais ou um pouco menos.

alavancas suntour, presas por braçadeira.

mas em 1984 a shimano, na linha dura ace, lançou o sistema S.I.S (shimano indexing system) , no qual a alvanca movia-se por “degraus” assim, não se dependia mais da sensibilidade do ciclista na hora da troca de marchas. era só girar até o próximo “click”. se o câmbio estava bem regulado, era uma maravilha. se não estava, bastava girar uma argolinha na lateral e a alavanca passava a funcionar em sistema de fricção.

pois bem, pra ser instalado, o sistema requeria apenas dois pivots, um pra cada alavanca. esses pivots poderiam ser soldados ao quadro, nos mais diversos locais. quase sempre no tubo inferior do quadro (por isso são chamados em inglês de “downtube shifters”), mas também poderia ser em braçadeiras presas à mesa (como nas caloi 10 antigas e nas atuais também), ou mesmo separados, em braçadeiras separadas, sobre o guidão. assim eram os thumbshifters que equiparam as primeiras mountain bikes.

pois bem, esse não é um sistema superado. reinou soberano até o surgimento em 1991 do STI´s, lançados também pela shimano, também na linha dura ace. mas é mantido em produção.

alavancas dura ace 7900, para 10 velocidades atrás

claro, ter a troca das marchas à mão, sem tirá-las do guidão é uma maravilha. rodei muito com alavancas de quadro, de mesa… e adoro os STI´s da minha speed e também os trocadores de gatilho das minhas mtb, e mesmo o grip da minha dobrável. mas nenhum destes sistemas de troca de marchas possui a imensa confiabilidade, simplicidade e leveza do sistema de alavancas. e mais, o sistema de alavancas é o único que permite, numa emergência (desregulagem do câmbio, quebra parcial por tombo, desalinhamento da gancheira por tombo, ou mesmo a necessidade de usar um cassete com outro número de marchas, de velocidades), que retire a a indexação e funcione na fricção, apenas girando uma argolinha.

bar-end shifters em guidão aero.

essa característica mantém os trocadores de quadro em fabricação e uso. seja na versão tradicional, seja montados em suportes nas pontas dos guidões, no caso dos trocadores de bar end, tão utilizados pelos triatletas e contra-relogistas, e também cicloturistas.

bar-end shifters em bicicleta de cicloturismo.

aliás, cicloturistas, os usuários mais preocupados com a confiabilidade das peças, são o principal mercado desses trocadores. quem sai para dar a volta ao mundo sem poder contar com a manutenção fornecida por aquela loja e oficina de bicicletas que temos perto de casa, com certeza está mais preocupado com durabilidade e precisão do que em rapidez na troca de marchas.

e há quem tenha aliado a confiabilidade dos trocadores de quadro com a praticidade dos trocadores no guidão, usando alguns suportes especiais, fabricados por alguns inventivos fornecedores de peças, como a paul components.

alavanca campagnolo montada sobre thumbie da paul components, em guidão de mountain bike.

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5 Respostas para “trocadores de quadro – alavancas!

  1. Gino Bartali simplesmente trocando a marcha:

  2. Fala Ogum, na paz?

    Meu, mandou bem demais nessa postagem. Meus parabéns!
    Toda a história do negocio que eu nem conhecia.

    Sou adepto dos trocadores de alavanca não indexados (fricção) e te digo que não largo mais. É simples, confiável, barato e está sempre regulado.

    Não é tão fácil como os indexados, mas é questão de pegar o jeito, é perceber que vai ter uma subida alguns metros a frente, fazer a troca de marcha um pouco antes para dar aquela estabilizada, basicamente isso…

    Valeu Ogum
    Abraço

    • blz! eu cresci usando esse tipo de trocador, com fricção. depois passei a usar indexado tb, mais fácil ainda, e tb não perde a regulagem. estou esperando um quadro de um amigo pra remontar uma relação que tenho, que sempre funcionou que nem um relógio, apesar de misturar peças campagnolo, sram, sachs, e shimano.

      STIs tb são interessantes, mas daí o uso é outro. aqui no trânsito doido de sp a gente acaba gostandomais dos STI´s pq se troca demais de marchas. muito relevo e muito trânsito, imprevistos e etc. mas não inviabiliza as alavancas de quadro não.

  3. Pingback: Dicas para montar uma bike de Cicloturismo !!! – Ciclo Movimento

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