bike rage

aconteceu ontem, aconteceu hoje, talvez aconteça amanhã e tantas outras vezes que não ousarei estimar.

esta é a cidade onde vivo, onde a pele das pessoas está mais verde que as árvores

sair de um lugar enraivecido. estressado, mal-humorado, de mal com a vida. talvez seja a rotina do paulistano. o mal-estar existencial aos milhões. mas comigo tem sido diferente. se o início é esse,  posso até subir na bike de mau-humor.

mas chego do outro lado da jornada com um sorriso no rosto. não sei. o pedalar parece lavar a alma. não apenas o pedalar  mais longo no final de semana, cuja conta conta-se na casa das centenas de quilômetros, que serve de plena catarse, mas o pedal curto, coisa de apenas 10 ou 15 kms. dentro da cidade, com a perna da calça arregaçada para não pegar na corrente da velha trek de cromo, a bolsa à tiracolo (uma messenger!) com a alça encurtada para ficar presa ao corpo, a caramanhola sempre com água para a secura e sobretudo a poluição inclemente de são paulo.

e apesar de tudo, da buraqueira da cidade mal administrada, da tensão ao cruzar as pontes da marginal, a rotatória da praça campo de bagatelle brindo espaço à unha entre os carros, mas mesmo com tudo isso eu chego na outra ponta de bom-humor.

pode ser a endorfina, artigo em falta no corpo do paulistano mas em sobra no meu, pode ser o efeito místico do poder de estar desprotegido e ao mesmo tempo seguro entre as máquinas de aço, pode ser um misto de doideira e autismo, pode ser tanta coisa…. mas chego bem na outra ponta, com o sorriso de volta ao rosto.

pedalar salva. pedalar nos resguarda da nossa miséria existencial, nos faz ver da vida o lado B e o lado A.

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