trocadores de marchas II

prometi, estou cumprindo. e então a shimano inventou o manete de freio integrado com o trocador de marchas. em 1989 lançou os “rapid fire” para as MTBs, aqueles trocadores de gatilho que viraram padrão no mercado, com suas variações. em 1990 revolucionaram o ciclismo de estrada lançando os STIs (shimano total integration), sistema no qual os manetes de freio, movidos lateralmente, trocam marchas (e há atrás uma alavanquinha, para fazer a troca inversa), enquanto que pressionados do modo normal, freiam (nas linhas mais básicas, atualmente  2300 e  sora, o manete de freio faz uma troca e uma alavanquinha lateral faz outra).

sti shimano dura-ace 7900

a campagnolo só conseguiu responder à altura em 1992, lançando os ergo power, também trocadores integrados, mas o manete de freio apenas freia. atrás há uma alavanca pressionada lateralmente que troca a marcha, e na lateral do manete outra alavanca que troca no sentido inverso.

ergos super record - notem as alavanquinhas laterais, as "orelhinhas"

os dois sistemas diferem não apenas no modo como são acionados, mas também como são montados dentro dos manetes. o sistema da campagnolo está basicamente no corpo do manete, e o da shimano mais à ponta. tanto que os STIs parecem mais “cabeçudos” que os ergos. eles têm ergonomia diferente, tem a “pegada” diferente. os STIs parecem mais largos. andei pouco com ergos, não posso dar um parecer final, mas meus STIs me pareceram mais confortáveis. mas isso é questão muito pessoal. muito pessoal mesmo. eu tenho um problema na mão direita em razão de um acidente, tanto que quando pedalo por muitas horas  (pedais longos acima de 12 horas) sinto dores. uma pegada mais larga me ajuda.

sistemas integrados como esses revolucionaram o pedalar. agora é possível trocar de marchas pedalando em pé, por exemplo. sprinters puderam acertar as marchas mais rapidamente do que antes, com uma mão na alavanca de quadro.

eddy merckx trocando marchas com a mão direita

há um outro dado interessante. enquanto no sistema utilizado pela campagnolo os cabos passam todos por debaixo da fita de guidão, no sistema da shimano, apenas os cabos de freio passam por baixo das fitas de guidão, ficando os cabos de câmbio expostos à frente (a exceção é o recém lançado grupo 105 5700). essa característica fez com que muitos cicloturistas europeus, que gostam de usar bolsas de guidão, preferissem os ergos. mas é difícil usar os trocadores de uma marca com peças da outra. os sistemas são incompatíveis. mas claro que logo surgiram soluções. há quem use adaptadores, há quem tenha pesquisado combinações. e um dos fators que influenciaram essa busca de combinações entre o que não era para se combinar se deve a um erro da própria shimano. se os câmbios de MTB da shimano são todos compatíveis com os STIs (pode-se usar um câmbio traseiro XTR, por exemplo, com STIs), por outro lado os câmbios dianteiros não são compatíveis: nenhum câmbio dianteiro de MTB da shimano é compatível com STIs. como há alguns ergos em que trocador do câmbio dianteiro não é indexado, esses são os preferidos por aqueles que montam bikes de cicloturismo, com guidões drop típicos das speeds e relações mais curtas das MTBs, para poder pedalar carregando peso sem sofrer nas subidas.

ter os trocadores de marcha no guidão é uma cois amuito boa. como disse o sheldon brown, vc não quer voltar aos trocadores de quadro depois de usar trocadores no guidão. o pesssoal do MTB sabe disso, há horas em que não há como tirar as mãos do guidão.

no caso das speeds – termo que a gente usa aqui no brasil pra se referir às road bikes, as estradeiras – antes o trocador de quadro era o único possível pela sua absurda confiabilidade. de fato, ainda não se inventou algo tão confiável e versátil para se trocar marchas do que as alavancas no quadro. mas o mundo do ciclismo evoluiu, e hoje temos um zilhão de marchas para trocar. antes não. nos anos 60 e 70 não se tinha mais do que 10 ou 12 marchas numa bicicleta de competição top. ou seja, 5 ou 6 pinhões na catraca na roda traseira – não se tinha inventado o sistema de cassete ainda. e a toca de marchas também era muito menos frequente.

hoje os profissionais usam cassetes com 10 ou 11 velocidades atrás. com marchas muitas vezes muito próximas, sem “degraus”, o que lhes permite manter a cadência constante com trocas suaves de marchas de acordo com o relevo.

um dos cassetes de 10 velocidades disponibilizados pela shimano é o chamado “11-21”, com os seguintes pinhões: 11-12-13-14-15-16-17-18-19-21. como se percebe, há um salto de dois dentes apenas entre o pinhão 19 e o pinhão 21.

com um cassetes desse num trecho relativamente plano, o ciclsita tem várias opções para manter a cadência ideal. por outro lado, trocará de marchas inúmeras vezes. pois quem pedala sabe que trechos longos nunca são exatamente planos. e também há o efeito do vento, mesmo quando pedalamos num circuito bem plano, por exemplo, uma pista de aeroporto. num sentido haverá vento a favor, noutro vento contra. pra se manter a cadência será necessário trocar as marchas…

então, cada trocador tem suas vantagens e desvantagens, usos e desusos. são muitas as opções hoje em dia, cabe ao nosso bolso e necessidade determinar quais devemos exercer. para quem não está competindo nem está debaixo de algum regulamento rígido como o da UCI, a gama de escolhas são amplas. o negócio é pesquisar, pesquisar, pesquisar.

alguns links:

http://jtekengineering.com/

http://www.problemsolversbike.com/

essas empresas fabrica madaptadores que nos permitem montar praticamente qq trocador com qq câmbio e qq freio.

http://www.ctc.org.uk/desktopdefault.aspx?tabid=3946

esse texto explica um zilhão de combinações possíveis, incluindo-se os trocadores da sram, dos quais não falei aqui.

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