trocadores de marchas

tulio campagnolo inventou o primeiro sistema eficiente pra troca de marchas : uma blocagem! nessa época, em que as bicicletas que corriam os tours ainda não possuíma roda livre, trocar de marcha era simplesmente virar a roda, que tinha um pinhão de cada lado. então, trocar de marcha rápido era uma questão de virar a roda rapidamente.

bicicleta com o sistema de oscar egg.

anos depois inventaram a roda livre. sim, já era possível parar de pedalar nas descidas…. e então começaram a pensar em colocar dois ou mais pinhões no mesmo lado direito da roda. mas daí já era mais difícil tensionar a corrente, e assim surgiu aquilo que viraria o primeiro câmbio descarrilhador: era apenas um esticador de corrente. havia o sistema de oscar egg, que estiva a corrente perto do pedivela. esses sistemas podem ser estranhos hoje, mas funcionavam bem à época. tem mais infos aqui.

mas esses sistemas era para poucas marchas. e se notarem o, os trocadores eram uma única alavanca junto ao seat tube. o ciclista abaixava bastante a mão para trocar de marcha.  e assim as bicicletas funcionaram até quase os anos 50.

mas quem inventou a sistemática de dois descarrilhadores (primeiro só o traseiro) com troca por uma alavanca remota, acionada por cabo de aço, posicionada no tubo inferior do quadro. o ano era 1938 (logo veio a II guerra, suspendendo o tour de france e outras provas)  e a partir de 1946, esse sistema se popularizou a ponto de hoje ser o padrão utilizado por quase todos – o outro padrão é o sistema de câmbios dentro dos cubos traseiros, que serão objeto de um outro post daqui a algum tempo).

inicialmente apenas o câmbio traseiro tinha uma alavanca remota,  o dianteiro continuava com uma alavanca com ação direta, e esses sistema era chamado de “suicide gears”:

André Darrigade (com Lucien Lauk) trocando de marchas, em 1952

pouco a pouco o sistema foi se refinando e chegou a um modelo ultra-hiper-mega confiável, ou seja, praticamente à prova de falhas, mesmo em caso de tombos, reunindo as duas alavancas no tubo inferior do quadro.

alavancas de quadro - cannondale sr500

esses sistema funcionou bem durante décadas. primeiro sem a indexação (sistema de fricção): o ciclista trocava de marcha de acordo com a sua sensibilidade, apertando a alavanca um pouco mais ou menos, e claro, quando não encaixava direito amarcha, o câmbio ficava fazendo um téc-téc-téc… daí talvez inclusive o termo “pica-pau” que se usa no sul do país pra designar aquele ciclista meio “grosso”, que erra na troca de marchas….

com o advento das moutain bikes, e com marchas, esses trocadores pularam para os guidões. e em algumas bikes dos anos 70, já apareciam montados em bosses instalados nas mesas – as caloi 10, monark 10 e peugeot 10 dos anos 70 aqui no brasil tinham esses trocadores nas mesas, aliás, regra na explosão das hoje chamadas “old ten” no mundo inteiro – bicicletas que pareciam ser de corrida, mas não eram, e destinadas ao público em geral.

muita gente andou de MTB com esses trocadores no guidão. em alguns casos, já eram indexados, ou seja, as alavancas faziam um certo “click” a cada troca de marchas, permitindo maior precisão nessas trocas. mas com a indexação, os trocadores passaram a ser específicos para o número de marchas possíveis pelo cassete.  mas boa parte dessas alavancas possuem uma alça lateral – como se vê na foto acima – que, girada, permite retirar a indexação funcionando por sistema de fricção. qual a vantagem disso? se vc der uma entortada na sua gancheira num tombo, o que vai fazer os sistema  indexado trocar as marchas errado, ou siplesmente não trocá-las, sem a indexação, com a sensibildiade dos dedos vc consegue fazer algumas trocas: e volta pra casa pedalando, em vez de chamar o resgate de algum parente mal-humorado por ter que sair do churrasco pra buscar o marmanjo e sua bike. e claro, se o seu cassete vai para o espaço numa viagem, e vc precisa usar outro com quantidades de marchas diferentes, vc pode desindexar a alavanca e usar tranquilamente.

essa característica faz com que esses trocadores permaneçam em produção, embora não sejam mais usados em competições, onde foram substituídos por sistemas que integram a troca de marchas aos manetes de freio – stis´da shimano  e ergos da campagnolo, por exemplo – mas sejam regra no mundo do cicloturismo, seja nessa versão montada nos quadros, seja em cima de bosses sobre os guidões (uma emprea a paul componets, tem uma linha especial para isso), ou mesmo utilizando-se numa versão modificada que é muito usada tmbém no triathlon e no contra-relógio, os trocadores de bar-end.

trocadores de bar-end numa bicicleta de contra-relógio

trocador de bar end nas pontas de um guidão, numa bicicleta de cicloturismo

e não se engane: não está o sistema superado. a shimano continua fabricando, na linha dura-ace, até hoje, pois há consumidores.  a versão atual, para 10 marchas atrás, e pedivela duplo, é a sl-7900.

depois num outro post falo dos sistemas integrados, uma outra maravilha da tecnologia atual das bicicletas.

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10 Respostas para “trocadores de marchas

  1. Tá foda!
    Muuuuuito bom tá o blog!

    Pra quem é prego que nem eu e conhece muito pouco da história das bikes e das “engenhocas” que foram se aperfeiçoando com o tempo, o blog é uma enciclopédia!

    Abraço!
    😉

  2. Nada a ver com minha pesquisa, eu queria saber como se troca a alvanca da marcha imbecil

    • desculpe, mas pq me chamou de imbecil? a função desse blog é esclarecer sobre coisas relacionadas à bicicleta. não sei que pesquisa vc fez para chegar aqui. não tenho culpa se neste blog não há as respostas que quer, mas por favor não ofenda quem quer apenas esclarecer dentro dos limites que sabe.

  3. Odir,

    Na minha Raleigh o câmbio é um Shimano 105 (já usava o mesmo nome que os de hoje em dia) de 6 x 2 velocidades com alavanca no quadro como o da foto. Possui as alças também, mas não é indexado. Ao gira-las, apenas se controla a pressão da alavanca.

    Sobre a Ester, creio que não quis ofender ninguém. A última palavra da mensagem deve ser apenas a assinatura dela.

    • olá mig! sabia que a shimano foi a primeira a fazer um câmbio que fizesse efetivamente a troca de 6 marchas? a campagnolo havia lançado um ano antes, mas só funcionava na base da reza… essas alavancas de pressão, de fricção, trocam qq quantidade de marchas, são fabricadas até hoje.

  4. PArabéns, excelente blog.

  5. O avanço definitivo ocorreu em 1986 a fabrica japonesa Shimano criou o sustema indexado que substitui o descarrilhamento continuo por pequenos saltos precisos.

  6. Oi odir,
    Estou somente um ano atrasado. Descobri o artigo somente agora.
    Uso estas alavancas, Dura Ace 7700, 9 marchas, ate hoje na famosa hibrida do Klaus Poloni. A precisão do indexado, não é somente boa mais perfeita. Também porque o cabo é mais curto e mais direto. Ainda acho ésta a melhor solução para provas longas onde não se precisa trocar marchas de segundo em segundo. Espero que continuem no mercado. Por precaução tenho um Dura Ace 7800, 10 marchas, guardadinho.
    Abraços e bom pedal,

    • olá richard! o que me preocupa é que, com o lançamento da série 9000 do grupo dura-ace, eu não vejo no catálogo alavancas para 11 marchas. acho que pararão de produzir. eu tenho que adquirir algumas para mim, estou sem, e mesmo a minha bicicleta de aro 26, uma surly lng haul trucker, permite que se instale essas alavancas.

  7. Pingback: Bicicletas e a Eficiência | 3epouco

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