um quadro confortável

algumas bicicletas que usamos parecem duras e pulam que nem cabritos. outras parecem rodar suaves….

ficamos discutindo então se devemos ou não usar um selim mais macio, ou pneus mais largos, ou um selim com suspensão…. mas nunca pensamos no quadro.

quadros de bicicleta possuem detalhes pequenos que influenciam muito no conforto. além da batida discussão sobre materiais (cromo-molibdênio, titânio e fibra de carbono geram quadros mais confortáveis que os feitos de alumínio), existe uma outra que não é muito levada em conta: a geometria.

olhem essa ilustração:

existem dois fatores primários para nós analisarmos o conforto. o comprimento da parte debaixo do triângulo traseiro (“chain stay” na ilustração acima)  e o ângulo do tubo do selim, o tubo vertical do quadro  (“seat tube”  na ilustração acima).

o comprimento do chain stay segue algumas regras: a mais óbvia é que o comprimento deve permitir que a roda se encaixe… o segundo é um equilíbrio de medidas entre o conforto e o rendimento. aqui cabe uma explicação melhor.

muitos quadros mais antigos, principalmente nos tamanhos grandes, torcem lateralmente ao se pedalar. isso gera perda de parte da força que aplicamos. claro, quanto mais longo um tubo, mais flexível ele é. isso explica por qual motivo quadros grandes torcem menos que os menores, e por que um chain stay longo gerará alguma torção.

por outro lado, um chain stay muito curto deixa  a bicicleta mais “dura”.  ela terá um desempenho melhor em subidas e sprints, com certeza. mas transmitirá mais os solavancos da estrada ao seu corpo. e é fácil de entender essa relação.

quando andamos num ônibus, percebemos claramente: quanto mais ao fundo do ônibus, mais ele parece balançar. por outro lado. os lugares que ficam exatamente nomeio dos eixos parecem ser os mais confortáveis, e de fato são. com as bicicletas é o mesmo:  quanto mais longo o chain stay, mais confortável ela será, pois mais “ao meio” estará o ciclista.

um outro fator é o ângulo do seat tube. um ângulo maior (por exemplo, 90 graus) fará o ciclista estar mais posicionado à frente, permitindo-o usar um guidão bem baixo sem pressionar o diafragma, assumindo uma posição mais aerdonâmica. por outro lado, estará usando mais a musculatura da frente da coxa, e não da coxa inteira, e a bicicleta passará mais os solavancos da estrada para o seu corpo.

bicicletas de triathlon costumam ter entre 78 e 80 graus de inclinação no seat tube. a intenção é permitir justamente isso: posição mais aerodinâmica,  e poupar músculos da perna que serão usados na corrida posterior ao trecho de ciclismo.

já um ângulo menor, em torno dos 70 graus, permite-se fazer muita força, ideal nas subidas.  bicicletas de estrada, as speeds, costumam ter 74 graus no ângulo do seat tube. isso permite uma posição relativamente aerodinâmica, mas com um bom uso de toda a musculatura da perna ao se pedalar. mountain bikes e bicicletas de cicloturismo costumam ter 72,5 ou 73 graus de seat tube, permitindo uma posição mais ereta e confortável, transmitindo menos solavancos, e podendo-se usar mais as pernas nas subidas. mas perde-se um pouco na aerodinâmica. mas a aerodinâmica terá pouco efeito se a intenção é ir mais lento, até por se estar mais pesado.

claro, todos esses detalhes podem não valer quando falamos em bicicletas de fibra de carbono. a fibra de carbono revolucionou a geometria das bicicletas, dada a sua plasticidade. é possível se fazer uma peça que seja mais rígida num certo ponto do quadro e muito mais flexível do que em outro ponto. em tese, isso já se conseguia, mas em muito menor escala, com os tubos de cromo de espessura variável. com a fibra de carbono a escala de plasticidade vfoi levada a níveis inimagináveis. é praticamente possível se fazer uma bicicleta com qualquer forma.

olhem essa bike:

giant tt - 2009

se prestarmos atenção no detalhe, veremos que os conduítes dos cabos são embutidos, que o seat tube é vertical em boa parte de sua extensão, enquanto em outra ele acompanha a curvatura da roda e melhora a aerodinâmica, evitando turbulência entre o seat tube e a roda….

então nos perguntamos: por qual  motivo a fibra de carbono não domina o mercado? bom, no setor de competição, ao menos nas competições de estrada, a fibra de carbono reina absoluta. mas é mais difícil se trabalhar com fibra de carbono, poi so material não é resistente a determinadas pressões em pontos específicos, sendo portanto mais sujeito a quebras em acidentes. para se aparafusar peças de carbono, é altamente recomendável o uso de torquímetros, para não fazer força a mais e criar um ponto com micro-fissuras.

como quebras em peças de carbono são comuns quando se faz o uso errado, existe até um blog especializado na publicação de peças de carbono quebradas, vale uma visitada: http://www.bustedcarbon.com/

por isso, se no mundo da competição a fibra de carbono reina absoluta, no mundo do cicloturismo permanece o reinado do antigo, resiliente, resistente, e macio aço cromo-molibdênio.

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3 Respostas para “um quadro confortável

  1. Parabéns,exelente matéria.Aprendi várias coisas.

  2. Muito bom este post! Seu blog é extraordinário, muito didático e oferece informações valiosíssimas aos amantes das bicicletas que pretendem se aprofundar no assunto. No meu caso, tô planejando uma viagem Alaska – Ushuaia para daqui a 3 ou 6 anos.

    Vc pode ver meu blog aqui: http://alaska-ushuaia.blogspot.com

    Abração!

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