marchas!

pra que servem marchas nas bicicletas? oras, pra andarmos mais rápido ou mais devagar, multiplicando a relação, mais ou menos, de acordo com o relevo e a velocidade que se quer….

no início as bicicletas não tinham marchas. aliás, não tinham correntes, eram as penny farthings:

quanto maior a roda, maior a velocidade!”

nessas bicicletas, quanto maior a roda, maior a velocidade. ok, se a gente pedala no plano, e tem bastante força… mas e quando há uma subida à frente?

pois é, os saxões então desenvolveram um modo de verificar se a bike servia pra um determinado caminho ou não. eles se baseavam no diâmetro da roda. claro, como é de hábito entre eles (americanos, ingleses…), mediram em polegadas.

o sistema serve de referência até hoje para eles, asism é fácil vermos, em sites americanos ou ingleses, referências a “gear inches”, ou seja, à medida da marcha em polegadas baseado no diâmetro de uma roda de penny farthing.

mas o mundo das bicicletas não parou nas penny farthings, perigosas: bastava freiar errado para que o “piloto” voasse de cara no chão, caindo de cabeça. essas bicicletas mataram muita, mas muita gente.

com o tempo, alguém preocupou-se com a segurança e criou a “bicicleta de segurança”, com a rodinha prequena pra frente. mas ficava meio desconfortável andar em cima da roda de trás, com aqueles pedais ligados diretamente ao eixo, como nos velocípedes. alguém teve a idéia de colocar os pedais mais pra frente, mais no meio da bicicleta, e transmitir a força para a roda traseira através de engrenagens dentadas e uma corrente….

a primeira pessoa que colocou engrenagens de tamanho diferentes descobriu que não era mais preciso uma roda grande para obter  velocidade. era só usar o efeito multiplicador das engrenagens. pra se entender: a engrenagem que fica no pedal chamamos de coroa, e a engrenagem que fica no cubo  (por onde passa o eixo) da roda traseira chamamos pinhão. se a coroa tiver o dobro do tamanho do pinhão (por exemplo 44 dentes) ou o pinhão a metade (22 dentes), a relação será 1:2. ou seja, pra cada pedalada inteira, uma volta inteira do pedal, a roda terá girado duas vezes.

epa! então não precisamos mais de rodas muito grandes para obter uma marcha bem pesada, que dê um grande deslocamento da bicicleta por pedalada! basta que a coroa seja bem grande, e o pinhão seja bem pequeno. ora, então, se o diâmetro da roda tem 2 metros, a coroa tem 44 dentes, e o pinhão 11, eu tenho uma relação de 1:4 x 2 metros, me dá 8 (oito) metros de deslocamento por pedalada completa. acreditem, é uma marcha pesada. a 60 pedaladas por minuto, o que não é muito, é pouco, vc estará a cerca de 20 kms/h.

isso explica pq algumas bicicletas, que são leves de se levantar do chão, são pesadas pra pedalar, e outras que são pesadas de se levantar, são leves para pedalar.

e claro, tal qual um carro, o bom é ter mais de uma marcha: uma para começar a pedalada, outra pra ir mais rápido, uma curtinha praquela subidona perto de casa…

no começo da história das bicicletas, quando ainda não tinham inventado os câmbios, só havia um modo de se mudar a marcha: mudar o pinhão ou a coroa. alguém logo inventou uma roda com um pinhão de cada lado, cada um com um tamanho diferente, pois se a gente quiser uma outra marcha pra uma subida, por exemplo, basta parar a bicicleta e virar a roda.

complicado? pois bem, durante muito tempo, foi assim que ciclistas profissionais que competiam nas grandes provas, como o tour de france (que em 1919 teve uma etapa de 482 kms!), tinham pra variar as marchas.

mas tinha-se só duas marchas.

logo alguém imaginou um modo de colocar os pinhões de um lado só da bicicleta, e passar a corrente de um para outro, descarrilhando…. por isso esse tipo de câmbio é chamado até hoje de descarrilhador.

hoje em dia as bicicletas podem ter até 11 pinhões atrás, numa peça chamada cassete, e três coroas na frente, portanto, tendo matematicamente 33 combinações possíveis, ou seja 33  marchas.

mas na prática uma bicicleta tem menos marchas, algumas combinações não engatam pois a corrente teria que fazer um grande deslocamento transversal (aquilo que chamamos de marcha cruzada) e outras marchas são simplesmente sobreposições: 44X22 é igual a 22X11, pois sempre dá uma relação 1:2: uma pedalada, duas voltas na roda.

é justamente por essas combinações matemáticas que vemos ciclistas muitas vezes discutindo o tamanho das coroas (53, ou 50 dentes, por exemplo) e o tamanho dos cassetes (12-21 ou 11-34, por exemplo).

existem diversos calculadores de marchas na internet. um dos que eu mais gosto é o montado pelo sheldon brown, pois permite várias formas de se calcular as marchas. mas é preciso saber o tamanho dos pneus, o número de dentes dos pinhões do cassete e também das coroas.

há vários métodos permitidos por esse calculador para fornecer resultados, e eu, particularmente, prefiro o resultado em metros por deslocamento. há outros, inclusive velocidades desenvolvidas a determinadas cadências de pedalada. o link está aqui.

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