uma noite, corpos no asfalto

Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

acabo de chegar da avenida paulista, em são paulo. um protesto debaixo de chuva.

fizemos uma bicicletada a pé. andamos, empurrando as bicicletas. fomos da praça do ciclista ao cruzamento com a brigadeiro luís antônio e voltamos. uma maniestação com todos deitados no chão na saída, outra em frente à ghost bike da márcia prado, que está localizada onde ela foi brutalmente assassinada por um ônibus.

fizemos em solidariedade aos colegas atropelados em porto alegre. quantos? éramos mais do que 150 pessoas. não fosse a chuva forte que castigou a cidade durante todo o dia talvez fôssemos quinhentos.

em porto alegre, por sorte, não morreu ninguém. mas pessoas – sim, ciclistas são pessoas – continuam sendo assassinadas no trânsito. ontem, domingo, um motorista desvairado atropelou e por sorte não matou um ciclista, em frente ao parque das bicicletas! e agora há pouco recebo, via dudu green, a notícia da morte de uma ciclista na SC-416, entre timbó e rio dos cedros. neste domingo, ontem, fernanda vanessa krüger germano pedalava em um grupo, quando numa curva um carro em alta velocidade atropelou-a. levada a blumenau com ferimentos graves, veio a falecer na noite de domingo. tinha 29 anos. duas crianças ficaram sem a mãe, um marido desconsolado, pais desarvorados.

pois é disto que sempre falamos. carros matam. alguém em alta velocidade “não viu” um grupo de pessoas. o imprudente, a pé, no máximo tropeça. motorizado, deixa duas crianças órfãs. a pressa vale uma vida?

 

 

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6 Respostas para “uma noite, corpos no asfalto

  1. Valeu muito a pena ir para a Paulista mesmo com essa chuva. Fiquei muito feliz em chegar lá e ver o pessoal em peso, muita gente lembrou que não é feita de açúcar e veio.

    Clima bom, gente boa. Esse tipo de evento dá um gostinho do mundo que podemos ter.

    O nosso mundo vai melhorar. Com todos que converso chego à conclusão de que as coisas andam mudando muito nos últimos dois anos. Para cada ciclista nas ruas temos 10, 20 amigos e parentes que sabem que é possível usar a bike como meio de transporte e isso vai se multiplicando.

    Menos motor, mais amor.

  2. Tiago Costa Nepomuceno

    E no sábado passado, 24 horas depois da barbárie de POA, em Brasília um ciclista foi assassinado pelo rabecão da polícia civil em frente a um posto da PM. Alguém aí acredita que o motorista do veículo da morte (literalmente!) tenha sido preso em flagrante? A vítima, tudo indica, era um homem humilde. Provavelmente não será homenageado com uma ghost-bike nem com um die in (faltariam braços para tantas homenagens, sendo tantas as vítimas!). Será somente mais um número nas estatísticas dessa guerra. Exceto para seus familiares e amigos, claro.
    http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2011/02/26/interna_cidadesdf,240035/rabecao-da-policia-civil-atropela-e-mata-ciclista-na-via-estrutural.shtml

  3. realmente foi mto legal termos ido na paulista hj…. e a chuva nao atrapalhou, so deu um ar mais dramatico pra ciclopasseata! protestamos, distribiemos panfletos, demos nossa colaboração e prestamos nossa pequena parcela de solidariedade aos nossos amigos irmaos ciclistas de poa. espero, infelizmente, msm sabendo q não vai ser o ultimo ato de solidariedade se vamos fazer, q ao menos demore muuuuito a acontecer novamente. embora cada dia me façam perder mais um pouco da fe na humanidade, ainda espero ver um transito mais seguro pra todos… pq esses maniacos, como o de poa, nao so tiram a vida de ciclistas, mas de pedestres, e de outros iguais a ele , sim, eles tiram vidas de outros monstroristas que, tão acuados como esse, se sentem no direito de, sob a alegação de “legitima defesa”, acelerar seus carros em cima de qquer outra vida que esteja na sua frente…

    parabens odir, mais uma vez post fantastico!

  4. Pingback: São Paulo tem ato em solidariedade a ciclistas atropelados em Porto Alegre « Panóptico

  5. “por sorte não morreu ninguém”. por sorte… e por saúde!
    viva a vida saudável.

    se o mostrorista tivesse batido num poste, nem airbag salvava.

  6. Permanço indignado com esse assassino, e prevejo o pior: a repetição de gestos fascistas dessa natureza, por uma incomprrensivel razão que faz certas pessoas se alinharem com o Mal…Já vimos este filme!

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